O governador de Goiás se juntou a outros 15 governadores de Estado numa carta que reage às declarações do presidente que disse no domingo que havia repassado R$ 9,95 bilhões de auxílio a Goiás.

Do jornal Estado de Minas Gerais

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi às redes sociais nesse domingo (28/02) para publicar o que, segundo ele, são repasses do Governo Federal para cada estado entre janeiro de 2020 e o mesmo mês de 2021, período marcado pela pandemia de COVID-19, que já matou 254.942 pessoas no país (segundo dados do Ministério da Saúde). Contudo, depois da publicação, o chefe do Executivo nacional foi desmentido por alguns governadores.

Foi divulgada nesta segunda-feira (01/03) uma carta assinada por 16 dos 27 governadores que repudiam e contestam as informações de Bolsonaro (veja todos ao fim desta matéria), entre eles o aliado Ronaldo Caiado (DEM-GO) e o ex-aliado Ratinho Júnior (PSD-PR).

Os governadores ainda questionam outros pontos da publicação de Bolsonaro, entre os quais a inclusão do auxílio emergencial e das suspensões de pagamentos de dívida federal nos valores. Ainda segundo a carta, o total dos impostos federais pagos pelos cidadãos e pelas empresas de todos Estados, em 2020, somou R$ 1,479 trilhão. “Se os valores totais, conforme postado hoje, somam R$ 837,4 bilhões, pergunta-se: onde foram parar os outros R$ 642 bilhões que cidadãos de cada cidade e cada Estado brasileiro pagaram à União em 2020?”, questionam.

Eles também advertem para o fato do presidente querer colocar a população contra os governos Estaduais, em pleno esforço para conter a pior fase da pandemia de coronavírus covid-19:

“Em meio a uma pandemia de proporção talvez inédita na história, agravada por uma contundente crise econômica e social, o Governo Federal parece priorizar a criação de confrontos, a construção de imagens maniqueístas e o enfraquecimento da cooperação federativa essencial aos interesses da população”, diz trecho da nota.
Na conta elaborada por Bolsonaro, os dados dos repasses foram retirados de Portal da Transparência, Localiza SUS e Senado Federal. O presidente considera no montante ‘valores diretos’ (saúde e outros), ‘valores indiretos’ (suspensão e renegociação de dívidas) e ainda cita, de forma separada, o repassado em auxílio emergencial enquanto ele esteve em vigor.

Apesar da nota, até às 9h45 desta segunda-feira (1º/03), cinco dos 27 governadores foram às redes sociais para contestar de forma pessoal as informações passadas por Bolsonaro. São eles: Camilo Santana (PT-CE), Eduardo Leite (PSDB-RS), Flávio Dino (PCdoB-MA), João Azevêdo (Cidadania-PB) e Wellington Dias (PT-PI). Nenhum dos 22 governantes restantes corroborou com as contas do presidente, apenas ignorando a publicação.

É o caso de Romeu Zema (Novo-MG), que tem adotado um tom brando e longe de embates com o Governo Federal. Ele foi o único governador da Região Sudeste a não assinar a nota contra as informações de Bolsonaro. A reportagem entrou em contato com o Governo de Minas e aguarda um posicionamento a respeito das contas apresentadas pelo presidente.

16 governadores assinam a carta: Renan Filho (MDB-Alagoas),  Waldez Góes (PDT-Amapá),  Camilo Santana (PT-Ceará) , Renato Casagrande (PSB-Espírito Santo),  Ronaldo Caiado (DEM-Goiás),  Flávio Dino (PCdoB-Maranhão).  Helder Barbalho (MDB-Pará),  João Azêvedo (Cidadania-Paraíba),  Ratinho Júnior (PSD-Paraná),  Paulo Câmara (PSB-Pernambuco),  Wellington Dias (PT-Piauí), Cláudio Castro (PSC-Rio de Janeiro), Fátima Bezerra (PT-Rio Grande do Norte),  Eduardo Leite (PSDB-Rio Grande do Sul),  João Doria (PSDB-São Paulo) e Belivaldo Chagas (PSD-Sergipe)

 

 

Veja a postagem feita pelo presidente Jair Bolsonaro no twiiter:

Jair Messias Bolsonaro Repasses do Governo 🇧🇷 Federal para cada estado só em 2020.
– Valores diretos: saúde e outros.
– Valores indiretos: suspensão e renegociação de dívidas:
Acre: R$ 6,8 bilhões.
Auxílio: R$ 1,38 bilhão.
Alagoas: R$ 18,09 bilhões.
Auxílio: R$ 5,46 bilhões.
Amazonas: R$ 18,5 bilhões.
Auxílio: R$ 6,84 bilhões.
Amapá: R$ 6,7 bilhões.
Auxílio: R$ 1,47 bilhões.
Bahia: R$ 67,2 bilhões.
Auxílio: R$ 25,35 bilhões.
Ceará: R$ 42,5 bilhões.
Auxílio: R$ 15,17 bilhões.
Distrito Federal: R$ 9,8 bilhões
Auxílio: R$ 3,45 bilhões.
Espírito Santo: R$ 16,1 bilhões.
Auxílio: R$ 5,57 bilhões.
Goiás: R$ 27,1 bilhões.
Auxílio: R$ 9,95 bilhões.
Maranhão: R$ 36 bilhões.
Auxílio: R$ 11,8 bilhões.
Mato Grosso: R$ 15,4 bilhões.
Auxílio: R$ 4,96 bilhões.
Mato Grosso do Sul: R$ 11,9 bilhões.
Auxílio: R$ 3,71 bilhões.
Minas Gerais: R$ 81,4 bilhões.
Auxílio: R$ 26,96 bilhões.
Pará: R$ 39,5 bilhões.
Auxílio: R$ 14,71 bilhões.
Paraíba: R$ 21,2 bilhões.
Auxílio: R$ 6,57 bilhões.
Paraná: R$ 38,6 bilhões.
Auxílio: R$ 13,7 bilhões.
Pernambuco: R$ 42,7 bilhões.
Auxílio: R$ 16,2 bilhões.
Piauí: R$ 19 bilhões.
Auxílio: R$ 5,68 bilhões.
Rio de Janeiro: R$ 76 bilhões.
Auxílio: R$ 24,94 bilhões.
Rio Grande do Norte: R$ 18,3 bilhões.
Auxílio: R$ 5,55 bilhões.
Rio Grande do Sul: R$ 40.9 bilhões.
Auxílio: R$ 12,2 bilhões.
Rondônia: R$ 8,6 bilhões.
Auxílio: R$ 2,64 bilhões.
Roraima: R$ 5,1 bilhões.
Auxílio: R$ 1,04 bilhão.
Santa Catarina: R$ 21,6 bilhões.
Auxílio: R$ 7,22 bilhões.
São Paulo: R$ 135 bilhões.
Auxílio: R$ 55,19 bilhões.
Sergipe: R$ 12,9 bilhões.
Auxílio: R$ 3,85 bilhões.
Tocantins: R$ 10,5 bilhões.
Auxílio: R$ 2,28 bilhões.
– Fontes: Portal da Transparência/Localiza SUS/Senado Federal
– Dados até 15 de janeiro de 20
Com informações do UOL e twitter