Caiado quer Iris na chapa para trazer o MDB para uma aliança em 2022?

Marcus Vinícius de Faria Felipe

 

Quem é de família goiana já ouviu falar deste prato, o “arroz de puta rica”. Trata-se de um prato com vários ingredientes ao arroz: linguiça de porco, frango, lombo de porco, costelinha defumada, milho verde, castanha de baru torrada, açafrão, uva passa, ameixa seca, cebola, pimentão, coentro, queijo e outras iguarias que o cozinheiro quiser para incrementar.

Arroz de puta rica é uma mistura. Vai de tudo, desde que seja para apurar ou melhorar o paladar.

Mas nem tudo pode ir.

Não dá para colocar jiló, por exemplo, ou marmelada de Luziânia.

Não combina.

Nesta semana começou a ventilar nos bastidores da política um ensaio de aliança eleitoral, visando 2022, entre o governador Ronaldo Caiado (DM) e o prefeito Iris Rezende (MDB). Até aí nada estranho, pois desde 2014  ambos caminham juntos, desde que Iris chamou Caiado para ser o candidato ao Senado na sua chapa que disputou o governo naquelas eleições. Caiado se elegeu senador, e depois, em 2018, chegaria ao governo do Estado, graças ao apoio de iristas, adibistas e outras lideranças do MDB, como o hoje deputado estadual José Nelto, atualmente filiado ao Podemos.

Iris anunciou a aposentadoria política este ano, descartando disputar a reeleição. Estaria então disposto a retornar às lides como candidato ao Senado? Seria a retribuição de Caiado ao apoio que o levou ao Palácio das Esmeraldas?

Pode até ser.

Mas há aí um senão.

O MDB é oficialmente partido de oposição a Caiado. As vitórias de Maguito Vilela em Goiânia e de Gustavo Mendanha, em Aparecida de Goiânia foram em disputa direta contra adversários apoiados pelo governador Ronaldo Caiado.

Não há, até o momento, indicativo de que o MDB, presidido pelo ex-deputado Daniel Vilela irá mudar de rumos.

Ou será que não?

O MDB poderia indicar além do candidato ao Senado o vice de Caiado?

Estaria sendo feito esta mistura?

Mas, como em todo prato é preciso equilíbrio. O arroz de puta rica equilibra sabores, sendo reconhecido como um prato agridoce, pela mistura de carnes, castanha, frutas secas, ervas e açafrão.

Como equilibrar uma eventual aliança entre o DEM e o MDB com os demais aliados do governo, como o Cidadania do vice-governador Lincoln Tejota e outras legendas, como o Podemos, Patriotas etc?

Há outro fator a ser considerado: o retorno de Ronaldo Caiado à base de apoio do presidente Jair Bolsonaro.

Nas últimas semanas o governador tem dado demonstrações claras de alinhamento com o Palácio do Planalto, aja visto o episódio da “Guerra das Vacinas”, onde Caiado criticou o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), ficando ao lado do presidente Jair Bolsonaro, na sua estratégia de adiar a vacinação contra o coronavírus.

Este é mais um ingrediente para o “arroz”. Vai dar combinação a mistura entre DEM, MDB e Bolsonaro?

Após as derrotas de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre nos seus projetos de reeleição às respectivas presidências da Câmara e do Senado, o DEM sofreu um impacto no seu projeto sobre as eleições de 2022. Tudo caminhava para Maia e Alcolumbre serem reeleitos e o DEM poder lançar Maia ou o prefeito de Salvador (BA), ACM Neto como candidatos à presidência da República. Agora, o quadro mudou.

O DEM cogita conversar com o PSDB de João Dória ou até uma aliança com o próprio Bolsonaro. Mas e o MDB? João Dória trabalha com a hipótese de lançar o emedebista Paulo Skaf, presidente da Fiesp, à sua sucessão. A ideia é dar liga na argamassa que poderá unir PSDB e MDB nas eleições presidenciais.

Como se vê, Caiado vai ter dificuldade para pôr todos os ingredientes na panela.