Intercalar 14 dias de fechamento com 14 dias de funcionamento das atividades comerciais é a medida adotada pelo governador Ronaldo Caiado para chegar a 55% de isolamento.

Junto à chamada quarentena intermitente, o governador Ronaldo Caiado (DEM) irá promover a ampliação da testagem RT-PCR e o investimento em mecanismos de rastreamento dos contaminados bem como das pessoas que convivem com eles. Segundo a Secretaria da Saúde de Goiás (SES-GO) há 24.666 contágios do Covid-19)no Estado. Destes, há 475 óbitos confirmados. No Estado, há 59.981 casos suspeitos estão sendo nvestigados. Outros 29.446 já foram descartados. Há 41 óbitos suspeitos que estão em investigação. Já foram descartadas 433 mortes suspeitas nos municípios goianos.

“Pretendo elevar a 55% o isolamento social, junto ao rastreamento dos pacientes acometidos nesse período de 14 dias. Dessa forma, tenho condições de diminuir a disseminação [do vírus] e a minha estrutura hospitalar pode suportar a demanda”, concluiu Caiado.

“Eu vou continuar insistindo e vou continuar lutando para que Goiás tenha o menor número de mortes do País. E eu tenho certeza de que terei a compreensão da população do Estado para nós atingirmos esse objetivo”, completou o governador.

Segundo Caiado, o novo Decreto de Emergência Sanitária do Governo de Goiás, publicado na noite desta segunda-feira (29/06) no Diário Oficial do Estado, foi elaborado com base na ciência, após a Universidade Federal de Goiás (UFG) divulgar novo estudo apontando colapso hospitalar no Estado, no mês de julho, e a perda de 18 mil vidas, até setembro. Para evitar que esse quadro se concretize, o governador publicou o decreto que prevê o fechamento de atividades não essenciais e a adoção de um sistema de revezamento das demais atividades econômicas, intercalado entre 14 dias de suspensão e 14 dias de funcionamento.

Desde o início da pandemia, o governo estadual tem feito a lição de casa, com a ampliação e regionalização da rede de saúde e a adoção de medidas sanitárias que visam o combate ao coronavírus. Apesar de todos os esforços, no entanto, hoje os índices de contaminação ultrapassam mil casos por dia. “Não podemos cruzar os braços e ver as pessoas precisarem de leito e não terem. O novo protocolo é importante para fazer a curva baixar”, ressalta Caiado.

Como médico e governador, ele explica que, com o fechamento a partir desta terça (30/06), os resultados só aparecerão daqui a cerca de 14 dias. Com a queda da curva de contaminação, será possível reabrir o comércio e serviços, e atender a população com leitos disponíveis na rede de saúde.

Diante do estudo realizado pela UFG, e da comprovação científica da importância do isolamento social no atual quadro vivido pelo Estado, o governador afirmou esperar a adesão dos prefeitos dos 246 municípios goianos ao decreto estadual. O embasamento do documento e a estratégia para salvar milhares de vidas foram apresentados nesta segunda-feira (29/06), em uma reunião conjunta com o governador, prefeitos e líderes dos Poderes do Estado.

“Quem se opõe está mais preocupado com a campanha eleitoral. Não se sustenta cientificamente, é no campo político”, afirma Caiado, e argumenta que nenhum País ou Estado conseguiu ofertar leitos sem medidas de controle e, por isso, os prefeitos que não assumirem a responsabilidade vão ter que responder à comunidade.

De acordo com o governador, o atual decreto busca um equilíbrio entre a preservação da vida e a economia. “Não se trata de saúde versus economia, e, sim, de saúde e economia juntos”. Segundo ele, o cumprimento do decreto permitirá que Goiás atravesse a pandemia preservando vidas e em condições de superar a crise e aquecer a economia. “O apelo que faço é que vocês avaliem bem. Se deixar como está, vamos chegar a 18 mil óbitos e ninguém deseja isso. Não vamos brigar com a realidade que o mundo inteiro já mostrou”.

Investimentos na rede hospitalar

A prioridade do Governo de Goiás é oferecer tratamento digno aos pacientes contaminados, sem sobrecarga do sistema de saúde. Por esse motivo, o governador tem investido fortemente na estadualização de hospitais, garantindo atendimento em todas as macrorregiões do Estado.

Caiado fez questão de referendar o governo federal e os deputados da bancada goiana no Congresso Nacional, que destinaram emendas impositivas para a construção, restauração e aparelhamento de hospitais. “Nesse período eu pude aparelhar oito hospitais e instalar uma estrutura mínima necessária de UTIs, dando ao cidadão do interior a chance de ser tratado”, destacou. “Nunca se viu uma dotação de repasse de apoio à Saúde tão expressiva quanto no atual governo.”

Desde o início da pandemia, o Governo de Goiás destinou cerca de R$ 351 milhões para o aparelhamento de hospitais em todo o Estado. Paralelamente à abertura de hospitais e à ampliação de vagas para atendimento exclusivo da Covid-19 – que até o final de julho devem chegar a quase 600 leitos estaduais –, o governador Ronaldo Caiado tem fortalecido a conscientização sobre a importância do isolamento social, medida considerada a mais eficaz até o momento pelos órgãos competentes no combate à disseminação do coronavírus. “Em Goiás, vou resistir para que eu possa manter a contaminação em um nível aceitável e compatível com o que eu tenho instalado [na rede de Saúde do Estado]”, declarou.

Na tarde desta terça-feira, dia 30, o governador Ronaldo Caiado inaugura o Hospital São Marcos, na cidade de Itumbiara, que foi reformado e reestruturado e será reaberto com capacidade para 200 leitos, sendo 30 de UTI. A unidade, que estava fechada, foi cedida ao Estado por determinação da Justiça.

Direcionamento da ações

Caiado destacou que na reunião realizada com os prefeitos na segunda-feira (29/06) por videoconferência, ele apelou para que os recursos destinados pelo governo federal aos municípios sejam investidos na ampliação da testagem RT-PCR e em mecanismos de rastreamento dos contaminados. Tudo isso para evitar uma explosão de casos nos próximos dias. Para tanto, o governo recomendou que os gestores municipais envolvam também agentes comunitários de saúde e assistentes sociais neste processo.

O governador lembrou que é normal que existam opiniões divergentes, entretanto, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), cada gestor vai responder pelas políticas adotadas em seus municípios. Segundo ele, apesar de algumas opiniões divergentes, os prefeitos estão reavaliando suas posições.

Para Caiado, a maior oposição às medidas de isolamento adotadas até o momento partiram do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, que de acordo com o governador, não goza de credibilidade para tratar sobre o tema, e do ex-governador Marconi Perillo, reconhecido adversário político. “A ampla maioria da população tem consciência do trabalho que nós estamos fazendo e, ao mesmo tempo, da importância de se preparar o Estado para atender os pacientes”.

Com informações da Secom