Presidente impede que Irã reabasteça navios no Brasil e país ameaça cortar importações do Brasil, sendo que Goiás tem os iranianos como terceiro maior comprador de milho, frango e carne bovina.

Marcus Vinícius

Entre os anos de 2003 a 2015, quando o Brasil adotou como política externa o não alinhamento aos Estados Unidos, e resolveu diversificar a sua pauta de exportações, o Brasil ampliou os seus negócios com o mundo, e a economia brasileira saiu de 11º para o 5º lugar entre as maiores do mundo. Agora, graças ao sabujismo do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) o país corre o risco de perder um de seus mais importantes mercados consumidores, o Irã.

Desde a semana passada, Bolsonaro impede que dois navios iranianos ancorados no porto de Paranaguá (PR) sejam abastecidos. O Irã reagiu à decisão do governo brasileiro e ameaçou cortar suas importações do Brasil; Irã é o maior comprador do milho brasileiro, respondendo por 1/3 do total exportado e relevante parceiro comercial do país. Mais: o Irã é o terceiro maior destinos das exportações goianas, perdendo apenas para a China e a Holanda.

Falando ao site Sputinik Brasil, o embaixador do Irã, Seyed Ali Saghaeyan, diz que seu país pode facilmente encontrar novos fornecedores de milho, soja e carne.

Exportações goianas
Segundo dados do Instituto Mauro Borges, no ano de  2018, Goiás fechou com um volume exportado acima de US$ 8 bilhões. O complexo soja (grãos, óleo e farelo), as carnes e ferroligas ocuparam a ponta do ranking das exportações goianas, que fecharam o mês com a comercialização de 280 diferentes produtos para 124 países, ou seja, 37 destinos a mais que no mês anterior e 70 novos produtos.

Países
A China é o principal comprador de produtos do complexo soja, as carnes bovinas, as ferroligas, açúcar, couros e derivados, entre outros.
Os países baixos (Holanda) ficaram em segundo lugar no ranking dos países de destino das exportações goianas em produtos como o complexo soja, as ferroligas, as carnes bovinas, as carnes de aves, gelatinas e derivados, mangas frescas ou secas, açúcar e gengibre.
O Irã ocupou o terceiro lugar, adquirindo 5,36% dos produtos exportados por Goiás, seguido pelos Estados Unidos, Hong Kong, Egito, Reino Unido, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Itália.

Chamar às falas

Como produtor rural, ex-fundador da UDR (União Democrática Ruralista), e ex-membro da bancada ruralista, o governador Ronaldo Caiado (DEM) deveria defender os interesses de Goiás junto ao governo federal. Talvez Caiado possa colocar bom senso na cabeça do presidente Bolsonaro, pois, apesar das sanções econômicas dos EUA contra o Irã, nenhuma delas impede que o país persa adquiria alimentos. E é apenas e tão somente isto que Goiás exporta ao Irã: alimentos.

Os cargueiros iranianos aportados no porto de Paranaguá descarregaram ureia e pretendem se abastecer com US$ 100 milhões em milho.

Não faz sentido o Brasil, que vive uma recessão econômica, desemprego e baixo índice de ocupação da indústria, abrir mão do comércio rentável com o Irã e outros países do Oriente Médio, por conta das brigas do Tio Sam na região.