Um dos primeiros governadores a iniciar a quarentena, Caiado também foi a primeira voz a defender junto ao governo federal a complementação de renda para os trabalhadores informais e famílias mais necessitadas.

O governador Ronaldo Caiado (DEM) deve anunciar nesta sexta-feira,03/04, a decisão de prorrogar por pelo menos mais 15 dias o decreto de isolamento social no Estado. A sinalização para esta medida havia sido dada na mahhã de ontem  pelo secretário de Saúde de Goiás, o médico Ismael Alexandrino, que em entrevista ao Bom Dia Goiás, na TV Anhanguera, admitiu esta possibilidade, por considerar que nas próximas duas semanas o país deve viver o pico da contaminação do Covid19.

Um dos problemas que devem ampliar o decreto de isolamento é a infraestrutura de saúde do Estado. Caiado, que também é médico, observa que nem todos os sete hospitais de campanha (Anápolis, Águas Lindas, Formosa, Luziânia, Itumbiara, Jataí e Porangatu)  previstos para atender ao pico da crise do Covid19 estão prontos. A falta de EPI´s (Equipamentos de Prevenção a Infecções) também preocupa o governador.

Há uma movimentação por parte de setores da cadeia produtiva, principalmente pequenos comerciantes e prestadores de serviço para o relaxamento das regras de isolamento, porém, os números mais recentes do Covid19 indicam que a pandemia está avançando a passos rápidos no Brasil e no mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um milhão de pessoas foram infectadas pelo coronavírus e 50 mil foram à óbito. Nos Estados Unidos, novo epicentro da pandemia, mais de 5 mil morreram e cerca de 140 mil estão infectados.

Os dados no Brasil, no entanto, não são confiáveis. Impera a subnotificação, ou seja, um grande número de mortes que não foram oficialmente contabilizadas ou confirmadas como tendo causa a infecção pelo Covid19. As secretarias estaduais de saúde informaram 8.066 casos no Brasil, com 326 mortes. O estado de São Paulo lidera o número de casos com 3.506 contaminados e 208 mortes;  em Goiás foram registrados oficialmente 73 casos e uma morte.

Na sua entrevista à TV Anhanguera o secretário Ismael Alexandrino lembrou que a tendência do contágio do coronavírus é uma curva exponencial, ou seja, o número de contágios e de mortes cresce rapidamente, dobrando ou triplicando o numero de doentes dia após dia, até chegar ao pico da infecção. Para evitar uma pane nos hospitais, com o afluxo de um grande número de doentes é que Alexandrino advoga pela continuidade do isolamento social.

Diretor-Geral da OMS, o etíope Tedros Adhanom, voltou a defender a política de isolamento social, e também alertou aos governos dos países pobres e em desenvolvimento da necessidade de suprir as necessidades básicas das pessoas mais necessitadas:

“Sou da África e sei que muita gente precisa trabalhar cada dia para ganhar o seu pão. E os governos devem levar essa população em conta. Se estamos limitando os movimentos, o que vai acontecer com essas pessoas que precisam trabalhar diariamente?“. Na parte final do vídeo, que foi cortada, Adhanom dava o recado primordial da OMS: “Os governos precisam garantir o bem-estar das pessoas que perderam a fonte de renda”.