Governador anuncia metas, diz  que contratações incharam a máquina pública manter  “tempo novo”  no poder e afirma que eleitor votou por mudança, eficiência e contra a velha política

A análise do discurso de posse do governador Ronaldo Caiado (DEM) mostra sua preocupação com o recado das urnas. Segundo Caiado, o eleitor quer eficiência, transparência com o dinheiro público e o fim das mordomias e excessos de gastos com apaniguados políticos que marcaram o período do marconismo (1999-2018).
 “Quero dizer que esta velha política foi sepultada porque o eleitor voltou muito mais na tradição, na história, naquilo que realmente é a vida, do que nas máquinas partidárias e no tempo de rádio e de televisão”, pontua. “Quero deixar claro que muitos que se intitulavam donos do poder, eles realmente vieram agora após a eleição entender um novo estágio desenhado no Estado de Goiás e no pais. Sabem qual foi? A abertura das urnas. A abertura das urnas jogou por terra todas aqueles articulações, marquetagem, máquina pública” arremata.
 
Inchaço da máquina
Segundo Caiado, os governos que o antecederam utilizaram a máquina governamental para se perpetuarem no poder. “O dinheiro é (era) todo consumido na atividade meio em milhares e milhares de pessoas que ocupam cargos na máquina pública, não para exercer a sua função, mas muito mais para estruturar projeto de poder pessoal e máquina de poder também para ganhar as eleições. O povo goiano e o povo brasileiro deu a resposta: quer agora eficiência, quer agora gestão transparente, quer agora ver o Estado chegando na vida do cidadão comum”.
Se autodenominando servidor público, o governador também enfatizou a mudança de estilo. “Hoje as pessoas precisam sair do pedestal. As pessoas precisam entender que governador do Estado é funcionário público que tem que dar satisfação à população! Governador do Estado tem que estar à frente dos problemas e saber diagnosticar e apresentar soluções”.
Pluralidade
Noutra fala, Ronaldo Caiado anunciou que pretende fazer um governo plural.”Eu sou governador de todos os goianos, de todos que habitam o Estado de Goiás. Podem saber que eu saberei tratá-los com respeito, porque nada mais digno do que dar dignidade ao cidadão e condições para que ele se sinta cidadão em cada lugar que ele mora. Este é o nosso compromisso  de cidadania, de resgate, de apoio, de mostrar que o Estado de Goiás está acima de picuinhas e não vai humilhar as pessoas que não comungam com o nosso credo político”.
 Em 1999, quando tomou posse pela primeira vez no governo do Estado, Marconi Perillo, então com 35 anos, disse que a meta de seu governo era”não roubar e não deixar roubar”. Também prometeu um tempo novo de democracia e liberdade, com o qual de fato iniciou o seu primeiro mandato (1999-2002), mas que ao longo das outras três gestões (2003-2006; 2007-2010 e 2011-2014) se transformaram em exclusão de aliados, perseguição a adversários políticos, censura à imprensa com processos contra vários jornalistas do Estado.
Combate à corrupção
Ao enumerar suas metas de governo, Ronaldo Caiado disse que o combate à corrupção será a prioridade número um. Para alcançar este objetivo, anunciou que vai ampliar a transparência em relação a aplicação dos recursos públicos com a criação de equipes de complance nas secretarias, autarquias e empresas estaduais. “Nós seremos referência no país, porque pessoas estão enganadas quando pensam que política é sinônimo de balcão de negócios e negociatas. Terão políticos com honradez, com dignidade, com espírito público para dizer com toda clareza que o beneficiário principal é o cidadão goiano humilde, em todos os rincões do estado que não tem lobbie, não tem corporações para lutar por eles”.
EmendasLegislativas
Nas eleições do dia 07 de outubro Caiado foi eleito no primeiro turno com 1.773.185 votos (59,73%), maior votação desde 1982, quando Iris Rezende (PMDB) foi eleito com 66,72% (964.179 votos). Ele assume com maioria simples na Assembleia Legislativa. A base hoje conta com cerca de 23 deputados, mas este número pode se ampliar até a posse dos novos legisladores em 1 de fevereiro.
Ex-deputado por cinco mandatos e com um de senador, Caiado salientou seu apreço pelo Poder Legislativo e fez compromisso com os novos deputados estaduais de uma relação harmônica e de diálogo. Ele enalteceu o apoio que teve da atual legislatura, que votou projetos do interesse do seu governo ainda no período de transição, como as mudanças na lei de incentivos fiscais. Para demonstrar seu respeito ao Legislativo, Caiado disse que irá cumprir integralmente as emendas parlamentares – algo que em 20 anos de marconismo nunca foi feito.
“Vocês souberam entender qual é o percentual das emendas impositivas, e eu como deputado federal lutei para que isto fosse implantado, e como governador do Estado vou respeitá-las,  serão cumpridas, cada uma, que cada parlamentar alí definir para a sua área”, declarou.
Segurança
Como um de seus primeiro atos, o governador Ronaldo Caiado extinguiu a chamada terceira categoria da PM, Bombeiros e polícia civil, cujos agentes policiais ganharam salários de apenas R$ 1.500,00. Disse que não pode haver distinções entre as forças policiais . “No nosso governo está extinta a categoria D, a terceira categoria como queiram, hoje todos serão soldados da polícia militar, da polícia civil e do corpo de bombeiros com um salário único! É dignidade, é condição de dar a eles a certeza de que a polícia militar é polícia do Estado, é polícia do cidadão, não é polícia que tem dono. É polícia que tem que dar segurança a todo o povo goiano. Esta é a nossa meta na segurança pública. Quando assumi disse que estava devolvendo o Palácio das Esmeraldas ao povo, e agora peço que as forças policiais se empenhe para devolver as ruas aos goianos”, exortou.
Educação
Ampliar o número de escolas em tempo integral e valorizar os professores são os objetivos na área de Educação. Caiado também externou interesse numa parceria entre o governo do Estado e a Universidade Federal de Goiás para projetos em educação e pesquisa. “Nós temos que chegar a 50% de escolas em tempo integral. É a maneira de tirarmos os nossos jovens do meio da bandidagem e do narcotráfico. Nós precisamos valorizar os professores, é fundamental para todos nós. São eles os formadores, são eles que embasam as nossas crianças para que possam ser amanhã competitivas, para que elas possam amanhar disputar com todos aqueles, em qualquer quadrante deste nosso Brasil e no mundo globalizado para dizer:  nós somos do interior do Estado de Goiás, mas nós temos competência para disputar com quem quer que seja”, vislumbra.
Finanças
O governador revelou que corte de gastos, redução de despesas, racionalidade e eficiência da máquina pública serão cobrados de todos os secretários.  Ele denunciou o colapso da máquina governamental, em todas as áreas, que atinge desde servidores públicos, fornecedores, prefeitos e compromissos com o governo federal.
” Reduzir o déficit fiscal, retomar a capacidade de investimento e sanear dívidas são metas a serem cumpridas. “Desde que ganhei tem sido uma rotina minha ir a Brasília quase todos os dias, por que o diagnóstico que me mostraram era um só: Caiado, o buraco orçamentário que você irá receber é de R$ 3,2 bilhões. Goiás está rebaixado no Tesouro nacional, no ranking do endividamento no seu pior nível. Não tem aval da União, nem no Ministério da Fazenda, nem no Tesouro Nacional. E no Estado de Goiás,  o colapso é geral, onde os hospitais estão fechados, onde as faculdades não recebem a Bolsa Universitária há dez meses, onde sequer os fornecedores de refeições não receberam nos últimos cinco meses. Os prefeitos ontem reunidos comigo diziam: Caiado, nós não recebemos o repasse da saúde há dez meses, nós não recebemos o repasse do transporte escolar a doze meses. É o colapso completo da máquina pública. Desafio qualquer prefeito aqui presente a dizer que o Estado está em dias, que o Estado está cumprindo obrigações constitucionais”, atestou.