Governador vai ao diretório regional e faz convite aos dirigentes para que emedebistas componham a chapa da sua sucessão.

Marcus Vinícius de Faria Felipe 

Desde 1982, na primeira eleição direta para governador, ainda sob a ditadura militar,  o PMDB/MDB sempre teve candidato ao Palácio das Esmeraldas em Goiás. As eleições de 2022  poderá será a primeira em 40 anos que o partido não apresenta candidato próprio.

Nesta sexta-feira o governador Ronaldo Caiado formalizou o convite para que o MDB integre sua chapa à reeleição no ano que vem. Caiado foi ao diretório e falou pessoalmente com os dirigentes da legenda.

O presidente estadual do MDB, Daniel Vilela disse que as lideranças do partido serão consultadas no Estado, e que a decisão será tomada pela maioria. Uma fala protocolar, uma vez que grande parte das lideranças com mandato já sinalizou apoio a Caiado.

No dia 14 de julho,  27 dos 28 prefeitos do MDB entregaram a Daniel Vilela, uma carta defendendo apoio do partido à reeleição do governador Ronaldo Caiado.

No documento, os prefeitos alegaram que a manifestação ocorreu após conversas com vereadores, militantes  e com a população por eles representada. Entre os prefeitos emedebistas, a carta foi assinada por Haroldo Naves (Campos Verdes), que também preside a Federação Goiana dos Municípios (FGM), Pábio Mossoró (Valparaíso) e Humberto Machado (Jataí).

O MDB mira na vice de Caiado.

Daniel Vilela pode ser o nome.

Mas há ainda outros partidos a serem consultados na base caiadista, como.o PP do prefeito de Anápolis, Roberto Naves, o Republicanos, do prefeito de Goiânia Rogério Cruz, o Cidadania, do atual vice, Lincoln Tejota, o PSB do presidente da Alego, Lissauer Vieirs e o PSD da dupla Vilmar Rocha-Henrique Meirelles.

Abrindo mão de sua autonomia o MDB caminha para virar apêndice do DEM, tal e qual o PP ( antigo PPB e PPR), virou nos tempos em que o PSDB governou Goiás.

Na eleição de Marconi Perillo em 1998, o PPB(PP) era o maior partido da oposição em Goiás. Ao longo dos governos tucanos as principais lideranças do PP foram sendo cooptadas e o partido encolheu. Quantos prefeitos é deputados emedebistas já foram seduzidos pelo DEM, desde que Caiado foi eleito?

Em São Paulo ocorreu o mesmo, mas com o MDB. O partido de Orestes Quércia e Ulysses Guimarães, outrora grande virou nanico e se tornou sigla auxiliar do PSDB.

É este o risco do MDB goiano.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, tem sido voz no deserto, pregando pela candidatura própria. Sua fala reproduz a sabedoria de Ulysses Guimarães que dizia que “partido é como time de futebol: se não entra em campo não disputa campeonato e  aí não tem torcida”.

O convite de Caiado é o beijo da morte no MDB:

Se o partido aceitar de cara o convite fica atado a estratégia do governador, que terá liberdade para compor a chapa maioritária como quiser.

Se o MDB jogasse para julho a decisão, seria o parceiro a ser conquistado.

Mas MDB perdeu o ‘time’. Antecipou o jogo a favor de Caiado, e, portanto não  faz o própro jogo. Joga o jogo do outro. É previsível, e em política, quem é previsível costuma perder.