O governo de São Paulo e o Instituto Butantan divulgaram nesta segunda-feira (31) os resultados do chamado “Projeto S”, feito na cidade de Serrana, no interior do estado.

Um estudo feito na cidade de Serrana, interior de São Paulo, mostra que é preciso vacinar 75% da população contra a covid-19 para controlar a pandemia no Brasil. Os resultados foram divulgados pelo programa Fantástico, da TV Globo.

A população foi amplamente vacinada com a CoronaVac, vacina contra a covid-19 do Instituto Butantan e da SinoVac.

A cidade tem 45,6 mil habitantes, sendo a população alvo, que podia ser vacinada, de 28,3 mil. Segundo o Instituto Butantan, a cobertura vacinal foi de 95,7%, correspondente a 27,1 mil pessoas imunizadas com as duas doses.

O estudo começou em 7 de fevereiro e foi até 15 de maio. A população foi dividida em 4 grupos, vacinados semana a semana. A imunização começa a fazer efeito a partir e duas semanas após a aplicação da segunda dose.

Estudo S foi feito na cidade de Serrana, onde toda a população alvo foi vacinada (Foto: Reprodução/TV Cultura)

Projeto S foi feito na cidade de Serrana, onde toda a população alvo foi vacinada (Foto: Reprodução/TV Cultura

Quando todos os grupos já tinham duas semanas após a segunda dose, houve queda nos números de mortes, hospitalizações e casos sintomáticos. Os resultados foram:
  • Casos sintomáticos: queda de 80%
  • Hospitalizações: queda de 86%
  • Óbitos: queda de 95%
Estudo S foi feito na cidade de Serrana, onde toda a população alvo foi vacinada (Foto: Reprodução/TV Cultura)

Projeto S foi feito na cidade de Serrana, onde toda a população alvo foi vacinada (Foto: Reprodução/TV Cultura)

Proteção dos idosos

Ricardo Palacios, diretor de pesquisa clínica do Butantan, garantiu que os idosos são protegidos pela vacinação, tanto diretamente, ao serem vacinados, quanto indiretamente, quando são beneficiados pela imunizada da população. “Não cabe nenhuma dúvida sobre a importância da vacinação nessas faixar etárias mais idosas”, disse Ricardo Palacios.

“Nós conseguimos controlar entre os não vacinados, não importa se a gente faz o corte com maiores de 70 anos ou com maiores de 80 anos. Isso nos traz uma grande esperança, uma grande alegria. Porque são justamente essas populações mais frágeis que recebem a vacina, que é segura, e a vantagem da imunização em larga escala, que é um efeito aditivo. Em lugar de propor medidas irracionais, como acrescentar doses, temos que aumentar a escala de vacinação para oferecer aos nossos idosos também os efeitos indiretos da vacinação.”

Palacios ainda relatou que, mesmo antes de receber a segunda dose, o último grupo de vacinados já tinha uma queda expressiva no número de casos, por causa da imunidade coletiva. A proteção indireta também beneficiou os jovens com menos de 18 anos, que não podem ser vacinados.

Efeitos adversos

Foram aplicadas 54.882 doses de CoronaVac em Serrana. Foram registrar 67 eventos adversos graves, mas não estavam relacionados com a imunização.

Primeira dose:

  • 4,4% dos vacinados relataram reações adversas
  • 0,02% de grau 3 (mialgia e cefaleia), porque interferiram com as atividades diárias

Segunda dose:

  • 0,2% relataram reações adversas
  • Nenhuma foi considerado grau 3 ou superior

Número de casos após a vacinação

Entre a primeira e segunda dose, foram registrados 43 casos de covid-19:

  • Pessoas com mais de 60 anos: 15 casos e 5 mortes
  • Pessoas de 18 a 59 anos: 28 casos e 2 mortes

Em até 14 dias após a segunda dose:

  • Pessoas com mais de 60 anos: 2 casos e 1 morte
  • Pessoas de 18 a 59 anos: 3 casos

Mais de 14 dias após a segunda dose foram registrados apenas 2 casos em pessoas de 18 a 59 anos.

Estudo S foi feito em Serrana, com a CoronaVac (Foto: Reprodução/TV Cultura)

Projeto S foi feito em Serrana, com a CoronaVac (Foto: Reprodução/TV Cultura)

Conclusões do estudo

Para o Instituto Butantan, a CoronaVac confirmou que é segura para aplicação em larga escala. Além disso, a vacina mostrou que há um efeito indireto da vacinação, que pode proteger mesmo aqueles que não se vacinaram, caso a população esteja amplamente imunizada.

O Butantan também afirma que, com a vacinação, o controle da pandemia foi mantido mesmo com o trânsito de pessoas em áreas de alta transmissão. É comum que os moradores de Serrana vão à outras cidades da região, onde a pandemia está fora de controle.

Sobre as variantes, a CoronaVac se provou eficaz contra a P1, conhecida como variante de Manaus. Além disso, com a ampla vacinação, não houve seleção genética de novas variantes.

Fonte: Secom-SP, TV Cultura e Yahoo Notícias