A comunidade kalunga do Engenho II decidiu nesta sexta-feira (9), coletivamente, impedir a entrada de um rebanho de 21 búfalos no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (SHPCK).

Ontem, 30 animais foram levados para a fazenda Choco, que fica no interior do SHPCK. Conforme o regimento interno da Associação Quilombo Kalunga, que estabelece as regras de uso das terras do quilombo, é proibida a criação de búfalos no território Kalunga.

Bufalos não podem viver no espaço destinado à comunidade Kalunga

A estimativa é de que cerca de 100 pessoas que vivem e produzem nas comunidades do Choco, Buriti e Forno podem ser prejudicadas caso os animais ocupem a fazenda.

Os búfalos representam risco para o Cerrado: destroem nascentes e beiras de córregos, derrubam as cercas que protegem as roças e comem as plantações e até os telhados de palha das casas típicas da população kalunga.

O proprietário da Fazenda Choco, Marcos Rodrigues da Cunha, conhecido na região como Marcos Búfalo, nunca morou na terra, sempre administrada por terceiros. Ele havia retirado seus animais do território em 1999 e aguardava a indenização por sua fazenda, uma das primeiras vistoriadas para desapropriação, mas que ainda não foi indenizada.

A demora para a titulação do território já demarcado aumenta a vulnerabilidade dos Kalunga frente aos fazendeiros e invasores. A atual política do presidente Jair Bolsonaro de não regularizar nenhum imóvel para quilombolas, indígenas e sem terras agrava a situação e dá margem para ações contundentes por parte dos fazendeiros.

Líderes comunitários tentaram dialogar com o Sr. Marcos por telefone em busca de um consenso, mas o fazendeiro não quis negociar.

 

Animais colocados em pasto temporário Foto: Assessoria de comunicação Kalunga

 

Enquanto a comunidade decidia o que fazer, o funcionário de Marcos Búfalo, Valdo, responsável por levar os animais até a fazenda Choco, informou que os animais haviam sido descarregados na estrada (GO-241) e estavam sem comida ou água, presos em um curral.

A comunidade kalunga conseguiu um pasto emprestado para levar os búfalos por três dias, enquanto busca uma solução para a situação. Os animais entraram no pasto no fim da tarde.

A Associação Quilombo Kalunga, criada para defender os interesses das famílias Kalunga em todas as instâncias legais e administrativas, enviou um ofício ao Secretário de Municipal de Meio Ambiente de Cavalcante, Rodrigo Batista Neves, pedindo apoio e providências.

Abaixo clique e acesse para ler o ofício:

OFICÍO SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DE CAVALCANTE (1)

Animais foram capturados

Animais foram retirados