Organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, atos ocorrerão em todo o Brasil para cobrar a manutenção dos R$ 600

por Cézar Xavier, do Portal Vermelho

As frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, que reúne entidades sindicais, partidos de esquerda e movimentos sociais, protestarão neste sábado (6) em todo país. A campanha #VoltaAuxílioEmergencial lembra que, em janeiro, 14,2 milhões de famílias pobres puderam contar com apenas R$190 por mês do Bolsa Família para sobreviver. Pelo terceiro fim de semana consecutivo, estão programados carreatas, bicicletadas, atos públicos e ações nas redes sociais para denunciar o caos, o desgoverno e o descaso de Bolsonaro.

Projeção da FGV Social indica que quase 27 milhões de pessoas começaram o ano na condição de extrema pobreza. São brasileiros obrigados a sobreviver com R$ 8,20 por dia ou R$ 246 por mês. Cerca de 60 milhões de brasileiros receberam o valor no ano passado, por pressão das centrais sindicais, dos movimentos sociais, e da oposição ao governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional. Para 36% desses cidadãos, o auxílio emergencial foi a única fonte de renda durante a pandemia do novo coronavírus. Mães, chefes de família, chegaram a receber R$ 1.200 mensalmente e isso salvou vidas.

No país dos gastos públicos milionários com leite condensado e emendas para “convencer” parlamentares a apoiar o governo federal, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirma faltar dinheiro para a volta do auxílio emergencial. E condiciona o pagamento dos R$ 600 do benefício à aprovação de reformas.

Sem o auxílio emergencial, sem emprego e sem vacina para todos e todas, outra bandeira dos atos deste sábado, a situação é  desesperadora, mas as prioridades de Bolsonaro são a flexibilização de armas e a reforma administrativa que representa o fim dos serviços públicos, entre outras pautas.

Fome e desemprego na pandemia

“O Brasil voltou para o Mapa da Fome”, lembram os organizadores. “E, com o fim do auxílio emergencial mais 17 milhões de brasileiros podem ser jogados para abaixo da linha da pobreza”, afirmam. O Brasil soma o trágico número de 14 milhões de desempregados. E que cresce a cada dia desde que Jair Bolsonaro assumiu a Presidência da República.

“Pessoas sem renda, sem garantia, sem proteção, têm condições de permanecer dentro de suas casas aguardando a vacina em um calendário tão prolongado?”, questionam as frentes, lembrando o trágico número de mortes pela covid-19, no Brasil. “Não só para a saúde, mas para a economia: não há volta para as atividades sem vacinação e isolamento sem auxílio.” Na Amazônia, destacam, a pandemia tem sido ainda mais mortal. “A região Norte detinha quase 1/4 do total dos pagamentos do auxílio emergencial.”