Modelo econômico da dupla Jair Bolsonaro-Paulo Guedes leva o país, pela primeira vez na história a ter mais da metade dos trabalhadores desempegados. Pela primeira vez na história, o número de desempregados no Brasil passou o número de trabalhadores ocupados no mercado de trabalho.

O país tem hoje 87,7 milhões de trabalhadores sem emprego. A pandemia do Covid-19 destruiu 7,8 milhões de postos de trabalho no Brasil até o mês de maio, de acordo com o IBGE, mas é a brutal política econômica da dupla Paulo Guedes e Jair Bolsonaro, que fulmina as condições de vida da população. “O Brasil nunca teve tantas pessoas fora do mercado de trabalho. Mais uma realização de Bolsonaro”, criticou a presidenta nacional do PT, deputada feder58al Gleisi Hoffmann (PR).

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em apenas um trimestre, mais de 2,5 milhões de vagas com carteira assinada foram extintas no mercado de trabalho brasileiro. Os mais afetados foram os trabalhadores que atuam na informalidade, quase 5,8 milhões de pessoas que estavam nessa condição perderam sua ocupação em meio à pandemia. Como consequência, quase R$ 11 bilhões em remunerações de trabalhadores deixaram de circular na economia entre os meses de março e maio.

“Pela primeira vez, o Brasil tem mais desempregados do que ocupados e as perspectivas são de aumento da desigualdade social”, adverte Gleisi. “Guedes e Bolsonaro mergulharam o país na mais brutal recessão da história”. De acordo com a parlamentar, as condições para uma retomada da atual crise econômica e social são uma guinada radical na agenda de governo para o país. “O impeachment de Bolsonaro e a realização de novas eleições presidenciais são o caminho possível para o país abandonar no curto prazo essa cartilha neoliberal, que está impondo ao país arrocho, desempregofome e miséria”, destacou.

Dieese

Analise feita pelo Dieese com base nos dados do trimestre de março a maio de 2020 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD Contínua), que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (30), ressalta a piora generalizada do mercado de trabalho brasileiro em todos os indicadores analisados.

Aumentou o desemprego, o desalento e a subutilização; e caiu o número de trabalhadores e trabalhadoras ocupados e a força de trabalho. A taxa de desemprego, que ficou em 12,9%, atingindo 12,7 milhões de pessoas, só não foi maior porque caiu a força de trabalho, ou seja, o total de pessoas que estavam trabalhando ou à procura de um emprego.

Uberização

A precarização dos trabalhadores, cuja imensa maioria sofreu a perda de renda e de empregos, é profunda e mostra um cenário preocupante para os próximos meses. Nesta quarta-feira, 1º de julho, trabalhadores que atuam no setor de entregas de encomendas, uma categoria das mais precarizadas pela reforma trabalhista adotada nos últimos três anos, decidiu fazer uma paralisação de 24 horas em protesto por melhores condições de trabalho e renda. Manifestações foram marcadas para ocorrer em São PauloRio de Janeiro e em Brasília. O PT encampou a luta dos entregadores de aplicativos, porque teme um cenário de conturbação social, diante da recessão.

No Congresso Nacional, o senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou um projeto de proteção aos trabalhadores de aplicativos de transporte. “Precisamos estar atentos a esses fenômenos de vazio legal e, mediante intensas negociações, evitar que esses trabalhadores continuem fragilizados durante a pandemia”, diz Wagner. O líder do PT no SenadoRogério Carvalho (SE), manifestou total apoio à paralisação promovida pelos trabalhadores, assim como o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), secretário-geral da legenda.

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri, também manifestou solidariedade à greve e lembrou que as grandes empresas que atuam na mediação dos serviços de entrega precisam mudar suas práticas. “Os trabalhadores em entrega por aplicativos trabalham, todos os dias, por 12 horas, pelo menos. Sem direitos trabalhistas e com rendimento, quando muito, de um salário mínimo, quando a lucratividade das empresas de aplicativos é contada na casa dos bilhões de dólares”, destacou.

O projeto de Jaques Wagner garante a criação de sindicatos e cooperativas para apoiar e controlar atividades realizadas por meio dos aplicativos. As associações deverão negociar com as empresas que utilizam as plataformas digitais pontos como valor mínimo por hora de trabalho, auxílio-alimentação, plano de saúde, seguro de vida, fornecimento de equipamentos de proteção individual, relatório com todos os serviços prestados, valores recebidos e avaliações dos profissionais.

Os prestadores de serviço deverão estar inscritos na categoria de contribuintes individuais da Previdência Social ou como Microempreendedores Individuais (MEI). A precariedade do setor é tão brutal que os entregadores recebem apenas R$ 3 por corrida. “Entregadores de aplicativos enfrentam jornada diária de 12 horas, sem direitos trabalhistas, INSSFGTS, aviso prévio ou seguro desemprego. Como alguém pode achar isso justo?”, questiona o senador Humberto Costa (PT-PE).

 

Confira a íntegra da análise do Dieese:

⚠️Força de trabalho

▪️Queda na força de trabalho de 106,1 milhões pessoas no trimestre de dezembro a fevereiro para 98,7 milhões de pessoas no trimestre de março a maio – ou seja, menos 7,4 milhões de pessoas estavam no mercado,  trabalhando ou à procura de um emprego.

⚠️Desemprego

▪️O número de pessoas desocupadas cresceu de 12,3 milhões (dez/jan/fev) para 12,7 milhões (mar/abr/mai), mais 367 mil trabalhadores e trabalhadoras.

▪️A taxa de desocupação cresceu de 11,6% para 12,9%, comparando o mesmo período.

⚠️Empregados

▪️A população ocupada teve redução de 93,7 milhões para 86,9 milhões – são menos 8,8 milhões de pessoas ocupadas.

▪️Entre os ocupados, 41,6% estão na condição de informais (sem carteira assinada no setor público, privado e trabalho doméstico, conta própria e trabalhador familiar auxiliar). Se incluirmos os trabalhadores por conta própria com CNPJ, que possuem cobertura previdenciária mas não possuem direitos trabalhistas e sindicais, a informalidade chega a 48,3%.

⚠️Fora da força de trabalho

▪️Em um cenário de forte desestruturação do mercado de trabalho, diante da crise econômica, social, sanitária e política, o número de pessoas fora da força de trabalho cresceu de 65,9 milhões para 75,0 milhões.

▪️Cresceu o número de pessoas na força de trabalho potencial (conjunto de pessoas de 14 anos ou mais de idade que não estavam ocupadas nem desocupadas, mas que possuíam um potencial de se transformarem em força de trabalho) de 8,0 milhões para 11,9 milhões.

▪️Dentro da força potencial, os desalentados saíram de 4,7 milhões para 5,4 milhões. Essas pessoas não haviam realizado busca efetiva por trabalho por considerar que: não conseguiriam trabalho adequado; não tinham experiência profissional ou qualificação; não conseguiam trabalho por serem considerados muito jovens ou muito idosos ou não havia trabalho na localidade mas gostariam de ter um trabalho.

⚠️Trabalhadores subutilizados

▪️O número de trabalhadores subutilizados (desempregados, subocupados por insuficiência de horas, força de trabalho potencial) somavam 26,8 milhões no trimestre terminado em fevereiro e chegaram a 30,4 milhões no trimestre terminado em maio. A taxa de subutilização ficou em 27,5% em maio, contra 23,5% do trimestre anterior.

▪️Isso decorre de um cenário de ampliação da desestruturação do mercado de trabalho (crescimento do desemprego, forte informalidade, aumento do número de pessoas “empurradas” para fora da força de trabalho).