O alinhamento incondicional do governo brasileiro aos Estados Unidos pode comprometer o caráter técnico do leilão no Brasil, adiado para 2021.

O Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações demonstraram não haver consenso sobre uma eventual limitação à chinesa Huawei. País com mais celulares por habitante do mundo, 225,3 milhões de aparelhos para 209,5 milhões de pessoas, o Brasil é um dos mercados mais cobiçados

Duelo

A disputa em torno da nova banda de comunicação, o 5G, se tornou o centro da disputa tecnológica, econômica e geopolítica do mundo atualmente. De um lado a China, com tecnologia própria, de outro, os Estados Unidos bancando as empresas Ericsson, sueca, Nokia, finlandesa, e Samsung, sul coreana. País com mais celulares por habitante do mundo, 225,3 milhões de aparelhos para 209,5 milhões de pessoas, o Brasil é um dos mercados mais cobiçados.

Com velocidade até 20 vezes maior do que do 4G, a nova tecnologia é uma “revolução” capaz de produzir avanços inéditos na economia e nas relações sociais em qualquer país. Segundo especialistas, o 5G permitirá o desenvolvimento da telemedicina e o uso de carros não tripulados, entre outras novidades. A chamada ‘internet das coisas’ também depende da nova tecnologia para acionar TVs, geladeiras, carros, máquinas de lavar e câmeras de segurança. A nova tecnologia permite conexão instantânea, diferente do que ocorre atualmente com as tecnologias existentes.

O leilão previsto pelo Ministério das Comunicações do Brasil e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve ocorrer leilão até junho de 2021. Inicialmente, deveria ter acontecido ainda no primeiro semestre de 2019, mas foi adiado para março de 2020. As quatro empresas detentoras da tecnologia já fornecem equipamentos e serviços para companhias como Vivo, Claro, Tim, Oi e Algar. No Brasil, serão leiloados cinco blocos de frequências para operação com o 5G.

Pressão dos Estados Unidos

Os leilões têm sido alvo de pressão por parte do governo norte-americana, que veta a participação da empresa chinesa no mercado, sob argumento da segurança de dados. Recentemente, o Reino Unido impediu a presença da Huwaei, posição que deverá ser adotada pelo Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Grécia. Maior empresa do setor, a Huawei fornece equipamentos e tecnologia para celulares e redes de internet em 170 países. No Reino Unido, campanha de fake news culpando “o 5G” pela transmissão da Covid-19 levou à destruição de uma centena de torres de telefonia.

O alinhamento incondicional do governo brasileiro aos Estados Unidos pode comprometer o caráter técnico do leilão no Brasil, avaliam especialistas do setor. Em resposta ao jornal El País, o Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações demonstraram não haver consenso sobre uma eventual limitação à Huawei. A decisão depende do Gabinete de Segurança Institucional e dos ministérios da Economia e de Relações Exteriores, principalmente.

Segundo especialistas, no entanto, a pressão dos Estados Unidos se deve ao fato da perda de hegemonia sobre a tecnologia. Não há garantia de que as empresas preferidas pelos Estados Unidos sejam 100% seguras, afirmam. Para os especialistas, a opção brasileira deve focar apenas em questões técnicas. Do contrário, o Brasil poderá perder a janela tecnológica e a conexão com o desenvolvimento mundial. Além disso, o 5G é uma ferramenta decisiva para a inclusão social.

Da Redação com El País e agências