Paulinho marcou o último gol do jogo do Brasil contra a Alemanha, nesta quinta-feira (22). Durante a comemoração, olhou para o céu, gritou e agradeceu a Oxóssi, orixá caçador, Senhor das Matas, que é representado no sincretismo religioso por São Sebastião.

O Brasil começou bem as Olimpíadas no futebol feminino, com a Rainha Marta conduzindo as meninas a 5×0 contra a China. No masculino, Richarlison comandou o 4×2 contra a Alemanha, que poderia ter sido sete a 2 se o próprio Richarlison não tivesse errado uma finalização e Matheus Cunha não erasse um pênalty e um chute cara a cara com o goleiro.

Mas o melhor do jogo estava no final, quando Paulinho fez o quarto gol da seleção fechando o placar e comemorando com o sinal de arco e flecha, em homenagem a Oxóssi, seu orixa de devoção. Foi um gesto simples, mas disruptivo, que deu visibilidade ao Candomblé, que juntamente com a Umbanda é uma religião genuinamente brasileira, celebrada em todas as regiões do País.

Paulinho com seu ofá, mostrou que a diversidade cultural e religiosa faz parte do que é ser brasileiro. Isto vale muito num país onde mais 50% da população é preta ou parda,mas o presidente da República destila preconceito racial e discriminação às manifestações religiosas de matriz africana.

Paulinho fez história, como os norte-americanos Tommie Smith e John Carlos,  que com seu punho erguido, clamaram no pódio dos Jogos Olímpicos do México de 1968 por iigualdade de direitos civis em protesto contra preconceito racial nos EUA.

Se na Copa de 1970, Jairzinho, o “Furacão” comemorava os gols com o sinal católico da cruz e na atualidade vários atletas evangélicos levam as mãos aos céus para agradecer a Deus, porque Paulinho e outros não podem demostrar gratidão aos orixás?

Viva Paulinho, e viva Oxóssi. Oke arô!

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