“Não basta sermos maioria na sociedade”, definiu Guilherme Boulos, do MTST, afirmando a importância de ocupar às ruas. A Frente Povo Sem Medo é responsável por evento neste domingo, 7, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Neste final de semana, as ruas do país serão novamente ocupadas por manifestantes em protestos contra o preconceito, a negligência do governo frente à pandemia e o fracasso da política neoliberal de Paulo Guedes.

 “O que vimos na semana passada, puxado por torcedores organizados, foi um passo fundamental na resistência ao fascismo: a demonstração de que a rua não é deles”, definiu o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, em artigo no portal Brasil 247.

“Não basta sermos maioria na sociedade”, definiu Boulos, afirmando a importância de ocupar às ruas. A Frente Povo Sem Medo é responsável por evento neste domingo, 7, na Avenida Paulista, em São Paulo.

As manifestações populares provocaram reações destemperadas do governo, acuado pela incapacidade de dar respostas à mais grave crise sanitária e econômica da história do país. Nas palavras do presidente e do vice-presidente, ressurgiram os velhos pretextos para atacar os “inimigos internos”. “Quem promove o caos, queima a bandeira nacional e usa da violência como uma forma de ‘protestar’ é terrorista sim!”, disse Bolsonaro. As palavras do presidente da República buscam “capitalizar” a ação de provocadores infiltrados na manifestação realizada em Curitiba, na segunda-feira. Na manifestação da capital paranaense, os provocadores queimaram bandeiras do Brasil.

De outro lado, o governo também tenta caracterizar as manifestações como apenas uma reprodução do que acontece nos Estados Unidos, onde milhões de pessoas estão nas ruas, colocando em cheque seu principal, e talvez único, aliado internacional. É verdade que os brasileiros estão solidários aos protestos contra o assassinato do negro George Floyd, assim como a maioria dos países do mundo. Nesta semana, milhares de pessoas foram às ruas em Paris, Barcelona, Amsterdã, Londres, Cidade do México e Buenos Aires, entre outras capitais. Em todos os países, o levante dos norte-americanos fez aflorar a revolta contra todas as formas de preconceito racial.

“Sei dos riscos, mas não creio que se deixarmos as ruas para eles estaremos impedindo essa marcha”, defende o líder do MTST, Guilherme Boulos, convocando para ocupar a Avenida Paulista neste próximo domingo. Foto: Reprodução.

No caso do Brasil, independente do que ocorre nos Estados Unidos, a realidade da condição dos negros é um estímulo para a mobilização. Em postagem em seu perfil no Twitter, o senador Paulo Paim (PT-RS), cita dados que traduzem o preconceito. Segundo ele, “75% das vítimas de homicídio são negras. 77% dos jovens assassinados são negros, um a cada 23 minutos. 13 mulheres são violentadas e assassinadas por dia, a maioria negra”.  A maioria dos mortos por Covid-19 também ocorre entre os negros das periferias do país. Para Paim, “é preciso dar um basta nessa situação”.

Velhos pretextos

As ameaças do governo alertaram as lideranças políticas para a possibilidade de ações de provocação nas manifestações. “Circulam informações que seitas bolsonaristas se articulam para se infiltrar nas manifestações antifascistas para promoverem vandalismo e violência”, denunciou o senador Rogério Carvalho (PT-SE). “Fiquemos atentos. Quem agride enfermeiras e jornalistas, é capaz de tudo”, advertiu o senador petista. “Nosso lado é o lado da paz e da democracia”, deixou claro. O alerta do senador tem base na história do Brasil, desde as manifestações fascistas dos “galinhas verdes”, nos anos trinta, até episódios mais recentes.

“Eles sempre produziram os próprios pretextos”, alerta Boulos. “Lembrem do Rio Centro, em 1981, quando oficiais do Exército contra a democratização iriam explodir bombas no festival do Dia do Trabalhador para culpar a esquerda”, destaca. No mesmo período, sob inspiração dos porões da ditadura que resistiam à redemocratização do país, vários atentados foram praticados. A OAB do Rio de Janeiro, um gabinete na Câmara de Vereadores também no Rio e bancas de jornais em todo o país foram alvo de bombas. “Sei dos riscos, mas não creio que se deixarmos as ruas para eles estaremos impedindo essa marcha”, defende o líder do MTST, convocando para ocupar a Avenida Paulista neste próximo domingo.