Em entrevista ao apresentador Ratinho, da TV Record, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender que as igrejas neopetencostais funcionem normalmente, desafiando as recomendações da OMS e de seu próprio ministro da Saúde.

Na entrevista ao “Programa do Ratinho” o presidente disse: ““Onde já se viu, tem prefeito querendo impedir isso. É um direito constitucional e o pastor vai saber como conduzir isso com o seu povo”.

Bolsonaro ignora o exemploo da Coréia do Sul onde Lee Man-Hee, líder River of Grace Community Church (Igreja Comunidade Rio de Graça) decidiu não cancelar os cultos de domingo em seu templo em Seongnam, apesar dos pedidos das autoridades locais. O resultado? Ele é responsável por mais de 63% dos mais de 8 mil casos de coronavírus no país. Isso é tão grave que o pastor está prestes a ser indiciado por homicídio culposo.

De acordo com matéria de Neto Gregório no site Gospel Prime, o mais surpreendente é que o pastor e sua esposa já estavam infectados desde a semana passada. Ainda assim, decidiram manter as reuniões em pleno funcionamento.

Pedido de perdão

Lee Man-Hee é o mais poderoso pastor pentecostal da Coreia do Sul. Fundador da seita cristã Shincheonji, o líder religioso Lee Man-hee pediu desculpas depois que sua igreja foi considerada o principal foco de propagação do coronavírus na Coreia do Sul. Durante uma coletiva de imprensa, Lee, que estava usando uma máscara de proteção, se ajoelhou e implorou por perdão.

Como representante dos fiéis de Shincheonji peço sinceras desculpas ao público. Não era nossa intenção e ainda assim muitas pessoas foram infectadas. Faremos o possível, oferecendo todos os nossos recursos, para apoiar as medidas do Governo para controlar a epidemia – disse o líder religioso, que apresentou resultado negativo para a doença.

O pastor é como se fosse o Edir Macedo deles. A comparação não é descabida: sua igreja, Jesus Shincheonji, tem 250 mil membros, e isso apenas entre os fiéis de carteirinha. Eles prometiam curar os doentes chineses da Covid-19, que não só não foram curados, como voltaram infectados.

Governo coreano foi eficiente

A Coreia do Sul já foi o principal foco da epidemia de COVID-19 depois da China, país onde o vírus foi detectado pela primeira vez.

O país organiza detecções em massa em possíveis portadores da doença. No último  domingo, o número de exames superou a marca de 250 mil. Por esta medida, apesar de ter um alto número de casos diagnosticados (8.162, o quarto mais alto do mundo), o número de mortes no país até 16 de março foi de 75. Esse dado representa uma taxa de mortalidade de 0,9% — menor que as taxas de EUA, Itália e Irã.

 

As férias escolares foram prolongadas e dezenas de eventos foram cancelados ou adiados.

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