O presidente Jair Bolsonaro esteve em Goiânia em duas oportunidades, na sexta-feira fez “motociata”, neste sábado participou do 1º Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos do Estado de Goiás, realizado na Assembleia de Deus do Setor Campinas e soltou “pérolas” contra a ciência, os famintos, os desempregados, os indígenas, governadores, prefeitos e ministros do STF.

Nas duas oportunidades o mandatário mostrou que  está desconectado da realidade do país. Mais uma vez ignorou a pandemia, desfilou sem máscara com motoqueiros, com o govenador Ronaldo Caiado (DEM) e com no encontro com evangélicos. O presidente  promoveu aglomerações, produziu deselegância em frases e gestos e discursos.

Antes de vir para Goiânia, ainda no “cercadinho” destinado a imprensa e apoiadores no Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro disse que é mais importante comprar fuzil do que comprar feijão, mostrando total insensibilidade da fome que assola grande parte da população brasileira.

 “Tem um idiota: ‘Ah, tem que comprar é feijão’. Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar.”, esbravejou.

Já na reunião com fiéis da igreja Assembleia de Deus, ficou sem máscara o tempo todo.
Recebeu um violão autografado pelos cantores sertanejos Gustavo Lima e Leonardo e pelo cantor brega Amado Batista. Ao invés de dedilhar o instrumento,  tomou o violão como fosse uma arma, como se estivesse mirando em algo. Gesto mais que  impróprio de se fazer numa igreja que realizava naquela momento o “1º Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos do Estado de Goiás”.

Bolsonaro faz fuzil com o violão na frente do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos) e dos deputados Glaustin da Fokus (PSC), Major Vitor Hugo (PSL) e do senador Vanderlan Cardoso (PP), que riem do gesto do presidente – Fotos: reprodução

Ao lado do médico e governador Ronaldo Caiado, o presidente Jair Bolsonaro soltou uma pérola:

“Levanta a mão aí quem tomou cloroquina”!

Desde o início da pandemia, Caiado foi um dos primeiros governadores a rejeitarem o “tratamento precoce” .

No seu discurso, disse que está com a consciência tranquila em relação a pandemia, ignorando que o coronavírus que já vitimou quase 580 mil brasileiros:

“Vencemos, acredito, essa etapa. Um governo que, desde o primeiro momento, tudo fez para combater a pandemia.”

Bolsonaro também provocou os 5 mil indígenas que estão acampados em Brasília para pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) a declarar inconstitucional o projeto do Marco Temporal, aprovado pela bancada ruralista no Congresso Nacional que acaba com as reservas indígenas e abre o caminho para o garimpo e grilagem de terras:

“Tem agora em Brasília aproximadamente 5 mil pessoas acampadas. A sua grande maioria, quase totalidade não sabe o que está fazendo lá. É gente que é arrebanhado pelo MST. É gente, indígenas, que estão lá protestando não se sabe contra o quê”

No único momento de lucidez em toda sua visita, o presidente produziu uma fase que pode ser profética em relação ao seu futuro:

“Eu tenho três alternativas para meu futuro: estar preso, ser morto ou a vitória”.

Mas, no fechamento do dia, Bolsonaro insistiu mais uma vez no confronto com o Supremo Tribunal Federal.

“Não somos três poderes, somos dois. O Executivo e o Legislativo trabalham em harmonia, como vem trabalhando em harmonia”, provocou, para logo em seguida, arrematar:

“Convido também qualquer um dos 11 ministros do STF a ocupar o carro de som e falar com o povo brasileiro”.

Como assim, convidar os ministros do STF para participarem com ele do palanque  em Brasília no dia 7 de setembro num ato onde ele e os seus apoiadores defendem exatamente o fechamento (!) do STF e do Congresso Nacional!?

O presidente demostrou mais uma vez que seu “estilo” de governar é o confronto e que seu compromisso não é com uma agenda de resolução dos problemas do país, entre eles o desemprego, apagão energético, desemprego, fome e miséria da população. Seu objetivo é político. Sua pauta ampliar os poderes do Executivo e reduzir as atribuições do Legislativo e do Judiciário. Em qualquer país do mundo o nome que se dá a este tipo de ação política é autoritarismo.

Bolsonaro que já fez declarações elogiando a tortura e os torturadores do regime militar e que sempre defendeu a ditadura, não esconde que gostaria de ser ele mesmo um futuro ditador.

A aposta do presidente é mobilizar para Brasília, no dia 7 de setembro, o máximo de apoiadores dos segmentos evangélico, policiais militares e do agronegócio. Neste sentido a passagem por Goiânia não foi por acaso.

Com informações do G1, DG, e PG

 

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