Sem máscara e gerando aglomeração, presidente participou de motociata em Chapecó.

Brasil de Fato

Em visita a Santa Catarina neste final de semana, o presidente Bolsonaro (sem partido) foi alvo de protestos em municípios de todas as regiões do estado.

Desde a serra catarinense, passando pelo extremo oeste até o litoral, foram registradas manifestações públicas contra a visita. As principais manifestações ocorreram nas cidades de Chapecó, Concórdia, Lages, Jaraguá do Sul, e na capital Florianópolis, com pedidos da saída do presidente, vacina para todos e a volta do auxílio emergencial de R$600.

Os protestos ocorrem no contexto de avanço da CPI da Covid, com denúncias de recusa de compra de vacinas da Pfizer por parte do governo, e de um esquema de corrupção na compra das vacinas indianas Covaxin.

Chapecó

Bolsonaro chegou à Santa Catarina na sexta-feira (25) para agenda de reuniões com prefeitos e empresários. Assim que desembarcou, por volta das 15h, em Chapecó, foi alvo de protestos de moradores no local. Os cartazes o responsabilizavam pelas mais de 500 mil mortes por covid19 no país.

No período da tarde, visitou a Arena Condá e conversou com jovens atletas do time Chapecoense, enquanto na sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a pandemia, o deputado Luis Miranda e o irmão, acusaram o presidente de ignorar esquema de superfaturamento da compra da vacina Covaxin pelo governo.

Na parte da noite, foram registrados atos em homenagem à memória das vítimas da covid19, nas cidades de Chapecó e São Miguel do Oeste. Organizado por movimentos sociais, partidos de esquerda e entidades em defesa da vida, a manifestação denunciou a corrupção e o negacionismo do governo federal.

No sábado, 26,  (26), por volta das 9h, o presidente participou ainda em Chapecó de motociata com apoiadores do governo, sem máscara e causando aglomeração. Santa Catarina contabiliza 16.628 mortos pela doença e segue em estado grave para a transmissão da Covid-19. Chapecó, tem 96% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados.

Palhoça     

Em Palhoça, região metropolitana de Florianópolis, no litoral do estado, os protestos ocorreram também de manhã. Com cartazes com dizeres “Fora Bolsonaro” e “Vacina Já”, manifestantes denunciaram o descaso do governo durante a pandemia e as denúncias de corrupção de superfaturamento.

 “Nós estamos na luta para dizer que é justo se revoltar contra a injustiça. A gente não vai ver o povo morrer de uma doença que já tem cura, calado. Estamos com indígenas, com povo trabalhador, contra esse governo corrupto e contra militares assassinos. Fora Bolsonaro”, afirmou Wiliam Nazaré, militante da luta por moradia.


Em Palhoca, manifestantes também denunciaram o descaso do governo durante a pandemia e as denúncias de corrupção de superfaturamento. / Neto Puerta

Florianópolis

Em Florianópolis, centenas de manifestantes se concentraram na Praça Tancredo Neves, e por volta das 10h, saíram em caminhada pela Avenida Mauro Ramos. O ato contou também com a participação de indígenas, que além da reivindicação por vacina e pela saída do presidente, também se manifestaram contra o avanço do Projeto de Lei 490/2007, que prevê alteração nos processos de demarcação de Terras Indígenas no país.

Jaraguá do Sul e Itajaí

Também houve manifestação em Jaraguá do Sul, onde partidos de esquerda se reuniram na Praça Ângelo Piazera. Em Itajaí, a manifestação aconteceu no calçadão da Hercílio Luz, no Centro, com manifestantes pedindo a saída de Bolsonaro à base de batucada com instrumentos de maracatu.