Ao contrário do que prega o “mito”, a “gripezinha” está fazendo cada vez mais vítimas entre os que são contra a ciência que manda as pessoas ficarem em casa, ao invés de promover manifestações contra o isolamento social.

O coronavírus não tem filiação partidária ou ideologia, mas está ficando claro que quem paga pra ver enfrenta as consequências. Estão sendo infectados um número cada vez maior de bolsonaristas, que apoiam as ideias do presidente Jair Bolsonaro contra o isolamento.

Entre os adoentados pelo Covid19 estão o apresentador Sikeira Jr., que à frente do Alerta Nacional, da Rede TV! em Manaus bradava contra a “gripezinha.

Outro bolsonarista que saiu de combate foi o líder do comboio dos 300 caminhões, que ameaçava vir à Brasília no último domingo para ocupar a Esplanada dos Ministérios com objetivo de invadir o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. A advogada Luiza Raiol, bolsonarista e defensora da ditadura, também fazia campanha contra o isolamento até ser internada por contaminação com o Covid19.

 

Aumento de contaminados

Desde o início da pandamia o  presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem negado os períodos do coronavírus. O próprio presidente já teria sido contaminado mas nunca mostrou os resultados dos exames, que viraram alvo de disputa judicial.

Em várias ocasiões Bolsonaro chamou o Covid19 de “gripezinha” e desdenhou da letalidade da doença. “70% vai ser contaminado. Se não for hoje, vai ser semana que vem, mês que vem, é uma realidade”, disse a apoiadores em frente ao Palácio do Planalto

A previsão do “mito” está se confirmando. Enquanto governadores e prefeitos lutam para manter o isolamento social, sua Excelência assina decretos e mais decretos “liberando geral”. Os resultados estão à mostra. O Brasil é líder de contaminação pelo coronavírus na América Latina. São 168 mil casos no Brasil, 11.519 mortes, contra 6.265 casos e  314 mortes na Argentina, país que adotou rigosa quarentena e isolamento social.

 Covid-19 levou publicitário boldonarista

Weyne participou do ato com o presidente no dia 15 de março no Palácio do Planalto. No dia 25 de abril foi a óbito pelo Covid19

O publicitário Weyne Vasconcelos, um bolsonarista frequentador de todos contra o isolamento social promovido pelo governador João Dória (SP), que esteve no ato em que Bolsonaro desrespeitou todas as orientações das autoridades sanitárias e fez aglomeração em frente ao Palácio do Planalto, no dia 15 de março, foi a óbito

Ele que dizia ser “contra os vírus que infestam o Congresso e o STF”, mas foi infectado pelo novo coronavírus, infecção que para ele não representava perigo.  Weyne morreu no dia 25 de abril.

 

Covid19 evitou invasão ao STF

Um dos líderes do grupo bolsonarista que está acampado em Brasília pregando intervenção militar foi internado na UTI após se infectar com coronavírus. A informação é de um de seus colegas do acampamento, o militar da reserva Paulo Felipe, conhecido como “Comandante Paulo”.

Em vídeo, Paulo havia afirmado que “300 caminhões” se encontravam a caminho de Brasília, onde chegariam na última sexta-feira (8). De acordo com ele, o grupo buscava dar “cabo dessa patifaria que está estabelecida no nosso país há 35 anos por aquela casa maldita ali, Supremo Tribunal Federal, com 11 gangsters”. O comboio, no entanto, nunca apareceu.

Foi Paulo quem afirmou ao site Congresso em Foco que o “comandante” do grupo está internado.

“Eu não vou te dar muitas informações porque o autor do comboio, o comandante do comboio está debilitado. Ele pegou covid-19, estava na UTI, estou aguardando ele me dar retorno sobre isso e ele é que está no comando dessa operação. Eu divulguei pra ele, porque eu divulgo vídeos quase que diariamente, ele me contactou e pediu para que eu divulgasse, aproveitasse a minha evidência nas redes sociais e divulgasse pra ele”, afirmou, sem citar o nome do líder do grupo.

 

Coronavírus calou apresentador bolsonarista

Apresentador do programa “Alerta Nacional”, da RedeTV!, Sikera Jr., famoso por apoiar publicamente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia do novo coronavírus, estaria com os dois pulmões comprometidos em razão da covid-19. Quem fez tal afirmação foi o jornalista Ronaldo Tiradentes, em seu programa de rádio no Amazonas.

Depois de ser infectado, Sikera se desculpou pelos comentários contra o isolamento em Manaus

Sikera Jr. está afastado de seu programa desde o dia 22 abril, quando passou mal ao vivo e precisou ser substituído por uma repórter da emissora. Ele foi um dos apresentadores que se manifestou de forma contrária ao isolamento social e ironizou a medida para conter a disseminação do coronavírus..

A Coluna do Leo Dias no UOL, apurou como se deu o surto de Covid-19 na família de Sikêra e descobriu que o primeiro foco da doença foi uma enfermeira que acompanhava o pós-operatório de Laura Peixoto, mulher do apresentador, que se submeteu a uma cirurgia plástica no final de março. Após o resultado positivo da enfermeira, foi a vez do filho caçula do jornalista ser diagnosticado com a doença. Henrique Siqueira Peixoto, de apenas dois anos, também testou positivo para o coronavírus e, a partir dele, se desencadearam as demais contaminações. Na sequência, foi a vez de Wallacy Bruno, assessor de imprensa de Sikêra receber a notícia de que pegou a doença.

O apresentador se desculpou da sua campanha contra o isolamento. Numa entrevista gravada para o Alerta Nacional no dia 29 de abriu ele disse:

“É uma surpresa, né? A gente acha que só pega fogo na casa do vizinho. E a vida me deu essa lição. A gente não acredita enquanto não acontece com a gente, né? Enquanto acontece com o nosso vizinho, normal. Mas quando acontece conosco, a história é outra. E é isso”.

Advogando pela volta da ditadura

Luiza Raiol (vídeo) se apresentava nas redes sociais como advogada-patriota-ativista e fazia protestos em frente a quartéis do Exército pedindo a volta da ditadura.

Ela está internada com coronavírus e teria até passado pela UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Nas redes sociais, Luiza Raiol defendeu a intervenção militar com Jair Bolsonaro no comando (um autogolpe). Em outra postagem, ela aparece nos primeiros protestos contra João Doria em São Paulo pelo fim da quarentena.