Doutor em economia e professor da UEG, Angelo Cavalcante alerta para a dosagem do austericídio em Goiás e no país.

 

 

 

 

 

 

Austeridade burra
Ângelo Cavalcante

Deu em O POPULAR de hoje, 20 de janeiro de 2019, que o governador Ronaldo Caiado irá impor para este ano dura politica de austeridade nas finanças públicas estaduais.

A decisão se deu motivada, sobretudo, por ocasião da demonstração (?) que o governador realizara de que, de fato, o Estado não possui recursos em caixa para honrar o pagamento dos servidores estaduais.

O texto e as fotografias da matéria eram simbióticas; dialogavam, interagiam em uma harmonia tal que achei que estava ouvindo as “quatro estações”‘ [Four Seasons] de Vivaldi! Tocante e profundo!

Qual nada… É Caiado sendo Caiado! Um político ortodoxo, conservador, sem imaginação, criatividade ou malemolência na gestão pública; é só mais um repeteco dos velhos arcaísmos governamentais e que, sinceramente, nós, a goianada, já não suportamos mais.

A “deixa do desespero” é que Caiado afirmou com todas as letras que irá intensificar contingenciamentos orçamentários, reduzir investimentos em um Estado escancaradamente carente de estruturas em suas cidades.

O ‘danado’ é que o governador não disse onde vai cortar! Deixou, como é do seu feitio, tudo muito ’em aberto’! De certo irá, como sempre, cerrar fogo nos funcionários públicos, sobretudo, nos que ganham bem menos. Quero ver ser muito homem e cortar o enxame de penduricalhos dos ordenados de juízes, desembargadores, promotores e do alto funcionalismo das cortes.

Aliás, por que, cargas d’água, não é extinto o inútil Tribunal de Contas do Estado (TCE), esse vergonhoso e caro cabide de empregos de correligionários bajuladores, fracassados e afinados com o poder; o que esse trambolho faz e que a Assembléia Legislativa ou o Ministério Público não podem fazer? Nem vou falar do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM)!

Cortar bolsa-universitária de aluno pobre dos vastos sertões goianos é fácil; fechar postos de saúde, cancelar escolas, reduzir o número de vagas nas escolas públicas é “mamão com mel”; sucatear a UEG, garrotear os soldos minguados de professores é “batata”… Quero ver é tributar o grande agronegócio e que, na concessão de gordos créditos de ICM’S, não cumpriu com suas políticas sociais postas em contratos muito menos com empregos formais e que havia jurado de pé junto e que… Faria!

Reparem… Do mesmo modo que investir exige qualidade; desinvestir também e da mesma forma é bem exigente. Não é qualquer corte de orçamento que engrandece as botijas do tesouro público; cortar, reduzir é ciência ou o tiro pode sair e muito bem pela culatra.

Não é desmerecendo os rendimentos do trabalho que se faz receita; não é penalizando o consumo, sobretudo, o consumo essencial que se ativa a economia; não é cortando fluxos e suportes para serviços de primeira ordem e grandeza como educação, saúde e assistência social que o tesouro é honrado; o efeito desse ‘suicídio orçamentário’ é precisamente, o contrário; no médio prazo, a problemática social e estruturante e que marca Goiás tende a decuplicar de tamanho e complexidade.

Finalmente e em tempo, li que a secretária da fazenda goiana, desavergonhadamente afirmou para líderes sindicais e de associações de servidores que “não adianta ir na justiça, às ruas ou na imprensa”. Não!?!?

Me digam… Acaso é papel dessa senhora dizer o que movimentos sociais devem ou não fazer? Quem define as lutas das classes do trabalho? Categorias organizadas na luta por direitos ou burocratas enfurnados nas hostes de um poder oligarquizado feito esse? Mas é cada uma…

Não seria má ideia que sindicatos pedissem “a cabecinha” avoada desta senhora! Melhor não fomentar uma greve geral para este Goiás e que, é claro, atravancaria mais ainda os farrapos econômicos desta terra sem ética, dignidade ou leis.

Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.