Política genocida do presidente em relação ao covid-19, casos de corrução na família e no governo são alvo de escracho em placas espalhadas por todo o país.

Durante a ditadura, uma das formas de expressão contra o arbítrio era a pichação de muros. Com a imprensa censurada (e não havia internet nas décadas de 1960, 1970 e 1980), escrever “FORA DITADURA”,  “LIBERDADE” e “DEMOCRACIA”, eram as maneiras de contestar o regime dos generais.

ccNo Brasil da pandemia do coronavírus, onde o presidente da República, Jair Bolsonaro, obstrui qualquer política de combate ao covid19, os brasileiros voltaram a utilizar a arte gráfica para contestar o autoritarismo do Chefe do Executivo. Ao invés de muros, os out-doors são a forma usada para criticar os atos do presidente que disse “E daí” quando a pandemia matou 25 mil brasileiros, afirmando ainda que o coronavírus, era uma gripezinha.

Em Sete Lagoas, duas placas chamaram atenção. Numa delas, a “Associação dos Lojistas” escreveu: “Sete Lagoas está cagando e andando para Bolsonaro”

Após o burlesco episódio do presidente oferecendo cloraquina para uma ema na grama do Palácio da Alvorada, a mesma associação lascou outra placa: “Sete Lagoas apóia a Ema que bicou Bolsonaro”.

 

Ainda em Minas Gerais, Ouro-Preto manda um recado duro ao presidente, atacando a sua submissão aos Estados Unidos e sua falta de nacionalismo e patriotismo de Bolsonaro: “Se dependesse de OUro Preto, Bolsonaro não seria presidente! Aqui o verdadeiro mito luto pela liberdade, igualdade e fim da colonização”.

 

No Tocantins o bom-humor também está em alta. Numa placa, em Palmas a placa tem uma mensagem com uma pitada de regionalismo: “Bolsonaro não vale um pequi roído”. A fruta do Cerrado é conhecida em toda região Centro-Norte do país por seu amarelo-ouro, sabor e gosto intenso. O seu caroço é roído com cuidado, pois se for quebrado, milhares de espinhos saltam para a boca de quem está comendo. Um caroço depois de  roído não serve para nada, daí a alusão ao governo do presidente Bolsonaro.

Em Gurupi o recado é direto: “Bolsonaro, de mito nas eleições a fracasso e decepção como presidente. O Brasil sem rumo e perspectiva! O out-door é assinado pelo grupo “Gurupi unida por um Brasil melhor”, e lacra com um #ForaBolsonaro.

A falta de compromisso do presidente com a saúde pública, o descaso com o SUS (Sistema Único de Saúde) e a negação de Bolsonaro sobre a pandemia também é críticas. Uma das placas diz: “Muitas mortes são evtiáveis. O SUS salva vidas, Bolsonaro não”!. O out-door é assinado pelo coletivo de entidades populares.

“A morte não pode governar o Brasil – Fora Bolsonaro”, é outra placa que está nas ruas, criticando a falta de empenho do governo do presidente Jair Bolsonaro em proteger a população da pandemia do coronavírus.

Diante da inoperância e negacionismo do governo em relação ao covid19, a mensagem desta placa acima é clara: “Se puder fique em casa. Fora só Bolsonaro”.

As fake news (notícias falsas) emitidas pelo presidente e pela sua rede de apoio – que são alvo de investigação no Congresso Nacional com a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) e no STF (Supremo Tribunal Federal) -, estão sendo colocadas nas placas pelo país afora. “É tanta mentira que não cabe neste outdoor”, #estouarrependido, diz a placa.

 

“É melhor Jair se arrependendo” é o trocadilho que dá o tom da placa. Numa imagem que remete à bandeira do Brasil,onde uma laranja ocupa o lugar do círculo e a frase pergunta: “Cade o Queiroz?”, criticando as denúncias de corrupção que envolvem o presidente e a sua família.

Há uma crítica forte ao presidente com relação a Reforma da Previdência, que tirou direitos de todos os trabalhadores, sejam da iniciativa privada ou do serviço público MENOS dos militares (que tiveram ganhos na aposentadoria). “Ele quer que você morra trabalhando. Aposentado como militar aos 33 anos. Diga Não à Reforma da Previdência”!, protesta a placa que é assinada por entidades sindicais.

De outro lado há out-doors, bancados por empresários defendendo o presidente, com dizeres que exalta o “combate à corrupção” e a “competência” do presidente.

Num país com 20 milhões de desempregados, queda de 20% do PIB (Produto Interno Bruto), 114 mil mortos pelo covid19 e 3,5 milhões de contaminados não há o que se comemorar sobre a gestão bolsonarista.  E não dá para falar em combate à corrupção quando crescem contra o presidente, denúncias de envolvimento dos filhos, esposa, e e dele próprio com laranjas, milícias, grileiros, garimpeiros ilegais, desmatamento e queimadas na Amazônia e no Cerrado. Uma coisa é a propaganda oficial, outra o sentimento das ruas. Assim como no passado, onde os generais-presidentes exaltavam o regime, o povo foi aos poucos tomando consciência da tragédia do regime, até que tomou as ruas e praças e exigiu o fim da ditadura. Bolsonaro caminha para ser defenestrado do mesmo jeito.