Evento teve presença de membros da AGI, Tortura Nunca Mais, Anistia, Academia Goiana de Letras, partidos políticos, centrais sindicais, sindicatos, intelectuais, representantes de partidos políticos, movimentos sociais e ativistas culturais.

Marcus Vinícius

O “Ato de Solidariedade liberdade de imprensa a  a Glenn Greenwald”, mobilizou centenas de pessoas neste sábado em Goiânia. Além do desagravo a Greenwald, o evento se transformou também num ato de defesa da democracia e de repúdio ao ex-juiz Sérgio Moro e ao presidente da República Jair Bolsonaro.

Presidente da Associação Goiana de Imprensa, o jornalista Valterli Guedes destacou o trabalho do fundador do The Intercept. Disse que Gleen Greenwald com a Vaza Jato revelou que Sérgio Moro é um alpinista social, que utilizou a Lava Jato para chegar ao Ministério da Justiça, com promessa de ser promovido ao Supremo Tribunal Federal.

Cassado pela ditadura em 1965, o ex-deputado estadual Eurico Barbosa retomou o mandato com a redemocratização e participou ativamente da campanha das  Diretas Já em Goiás. Jornalista, escritor, membro da Academia Goiana de Letras e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de Goiás, ele denunciou a conspiração que depôs a ex-presidenta Dilma Roussef e levou o ex-presidente Lula à prisão. “A extrema direita usou o juiz Sérgio Moro para prender Lula. Ele deram o golpe do impeachment na presidente Dilma pois fizeram o cálculo, que Dilma ficaria quatro anos, e depois seriam oito anos de Lula. Isto os fascistas não podiam admitir e deram o golpe com apoio da grande mídia, com a Globo, a Veja, a Época, a IstoÉ, o Estadão e as tvs Record e Globo, ”, frisa. “Os democratas devem se unir contra o capitão desequilibrado que desonra o Brasil ocupando a mais alta esfera de poder”, ressalta.

Os cantores Itamar Correia e Xexéu (Nois É Nois) fizeram a canja musical

Ex-deputado por três mandatos, fundador e presidente do Comitê da Anistia, o ex-prefeito de Goiânia Pedro Wilson Guimarães denunciou o caráter autoritário de Bolsonaro. “Ele ia às reuniões das comissões de Educação e Direitos Humanos para berrar impropérios contra as mulheres e contra as políticas de inclusão”, lembra.  Pedro Wilson entende que Bolsonaro é despreparado para o cargo e ilegítimo, pois foi eleito por meio de fake news financiadas de maneira avessa á legislação eleitoral. Ele defendeu ato publico em defesa da democracia no dia 28 de agosto, quando completam-se 40 anos da promulgação da Lei da Anistia.

Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Waldomiro Batista, o Mirinho, diz que o momento é grave e exige a união de todos os brasileiros, de todas as forças políticas que tem apreço pela democracia e pelo Estado de Direito. “Nossa bandeira deve ser a da defesa dos direitos humanos,  defesa da Constituição e do respeito absoluto aos valores da democracia”, sustenta.

Dirigente do PSOL e professor de História, Reinaldo Pantaleão recomendou aos jovens presentes a leitura dos italianos Umberto Eco e Doménico di Masi, nos seus trabalhos sobre fascismo e neoliberalismo. “Também é preciso assistir no Netflix os documentários “Privacidade hackeada” e “Democracia em Vertigem” para entender a grande conspiração do grande capital, representando pelo sistema financeiro e pelo Departamento de Estado dos EUA contra as democracias na América Latina e no mundo”, indica.

Um dos organizadores do evento, o jornalista Renato Dias avalia que o ato cumpriu o papel de alertar colegas de imprensa, intelectuais, ativistas e a população em geral para os perigos da escaldada autoritária posta em prática pelo governo Bolsonaro. “Ninguém solta a mão de ninguém, porque não há lugar seguro num governo que não respeita a Constituição”, resume. A ex-deputada Marina Sant´Anna considera que o ato foi marcado pela pluralidade e diversidade de pensamento, o que demonstra que forma-se uma maioria na sociedade capaz de enfrentar os desatinos autoritários do governo Bolsonaro.

O desagravo, que aconteceu na Livraria Palavrear, no Setor Universitário, teve a presença de dirigentes do PCB, PSOL, PCO, PT, PSTU, MST, MTST, Sintego, Sintsfesp, SindSaude, CUT-GO, Abraco (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias), OAB-GO,  ex-procuradores, jornalistas, poetas, escritores, músicos,atores e estudantes também marcaram presença no evento.