Em sua coluna no jornal O Globo, a jornalista faz o alerta de que o presidente Jair Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo ameaçam os interesses do agronegócio brasileiro.

 

O portal Brasil247, do jornalista Leonardo Atuch, destaca hoje na capa o comentário da  jornalista Miriam Leitão, principal articulista de economia do jornal O Globo e também da Globo News. Segundo Miriam,  a política externa conduzida pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo chanceler Ernesto Araújo ameaçam os interesses econômicos do País – sobretudo do agronegócio, que, paradoxalmente, financiou sua eleição.

Miriam afirma no artigo deste domingo no jornal O Globo que o agronegócio brasileiro corre perigo. Ela menciona artigo do embaixador Rubens Ricupero que cita os riscos de prejuízos decorrentes da aproximação com Israel e da submissão a Donald Trump e diz ainda que Bolsonaro e Ernesto devem ser contidos. Miriam e Ricúpero chegam ás mesmas conclusões que o Onze de Maio, que há tempos vem alertando para a celerada cavalgada de Bolsonaro e Araújo rumo ao abismo:

“A transferência da embaixada brasileira [para Jerusalém], sobre a qual sempre se fala no atual governo, seria para atender ‘ao setor mais obscurantista e retrógrado das seitas evangélicas’. O Brasil sempre defendeu que a definição da capital deveria ser resultado de negociação entre israelenses e palestinos. Se a intenção se confirmar, ‘passaríamos a ser vistos como aliados do lado israelense, inimigos dos palestinos e de uma saída negociada e pacífica para o conflito no Oriente Médio’. Isso teria efeitos concretos. Mais de 49% do total das vendas brasileiras de proteína animal se destina a mercados árabes e ao Irã”, escreve Miriam.

“Ricupero relata que o chanceler Ernesto Araújo compareceu a uma reunião em Varsóvia para apoiar os EUA nas sanções contra o Irã. França e Alemanha boicotaram o encontro, que foi um fracasso. O que o Brasil tem a ganhar com isso não se sabe, mas ‘o Irã representa 7% do total das exportações brasileiras de carne e no ano passado vendemos aos iranianos US$ 1 bilhão de milho'”, lembra ainda a jornalista.

“O risco maior contudo é o estremecimento da relação com a China, com quem, a propósito, os Estados Unidos já estão se compondo. Esta semana os EUA adiaram o aumento das tarifas, e a China anunciou que comprará mais dos Estados Unidos. E o que a China compra dos americanos? Exatamente as mesmas commodities que exportamos para os chineses. Que nas viagens de março alguém contenha o presidente e seu chanceler”, finaliza Miriam.