Representant dizem que ‘o Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que tem projetado ao mundo’ e que isso está custando caro e levará tempo para reverter.

por Cesar Xavier, no Portal Vermelho

O tensionamento político provocado por Bolsonaro e seus apoiadores, envolvendo patentes policiais e militares, em ameaça aos poderes constituídos da República, levou representantes do agronegócio a publicar nesta segunda-feira (30) uma nota em defesa da democracia no Brasil. O setor já vinha sofrendo as consequências internacionais da gestão desastrosa da política de meio ambiente do governo Bolsonaro. A nota joga água fria nas expectativas dos organizadores do ato de 7 de setembro, que esperam muito do setor em apoio à tentativa golpista.

Na nota, os maiores beneficiários econômicos da imagem internacional do país tornam pública a preocupação com os atuais desafios à harmonia político-institucional e, como consequência, à estabilidade econômica e social do país, que afeta a percepção do ambiente de negócios estrangeiro e das entidades que o pressionam. “Cumprimos o dever de nos juntar a muitas outras vozes responsáveis, em chamamento a que nossas lideranças se mostrem à altura do Brasil”, diz o texto.

O documento alerta que, como uma das maiores economias do planeta, um dos países mais importantes do mundo, sob qualquer aspecto, “o Brasil não pode se apresentar à comunidade das nações como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou em risco de retrocessos e rupturas institucionais”.

As entidades dizem ainda que “o Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo” e que isso está custando caro e levará tempo para reverter.

A nota das entidades do agrobusiness diz que “a Constituição de 1988 definiu o Estado Democrático de Direito no âmbito do qual escolhemos viver e construir o Brasil com que sonhamos”. Cita mais de três décadas de liberdade e pluralismo, com alternância de poder em eleições legítimas e frequentes.

De acordo com o manifesto, as amplas cadeias produtivas e setores econômicos precisam de estabilidade, segurança jurídica, de harmonia para poder trabalhar, de liberdade para empreender, gerar e compartilhar riqueza, para contratar e comercializar, no Brasil e no exterior.

As entidades afirmam que “é o estado democrático de direito que assegura a liberdade empreendedora essencial numa economia capitalista”.

Assinam o texto a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira dos Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), Associação Brasileira dos Industriais de Óleos Vegetais (Abiove), Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), CropLife Brasil, Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).