Maior líder da história do MDB foi duas vezes governador, duas vezes ministro, quatro vezes prefeito, perdeu três eleições para ao governo, uma para o Senado, mas nunca fugiu de Goiás e do MDB.

O prefeito Iris Rezende Machado (MDB) completou em 2018 seis décadas de atividade política, iniciadas em 1958 quando foi eleito o vereador mais votado de Goiânia.  Iris, que completou 85 anos de idade no dia 22 de dezembro, celebra estes 60 anos de vida pública com histórias de vitórias, derrotas, mas mantendo uma coerência que poucas vezes se vê num homem público: Desde que passou a integrar o PSD, de Pedro Ludovico Teixeira,teve um único partido. O PSD se tornaria MDB na ditadura militar (1964-1985), depois PMDB na reabertura política (1980) para retornar ao MDB sob o governo do presidente Michel Temer (MDB-SP).
Nas últimas eleições, apesar do apelo de parte dos prefeitos dissidentes, Iris Rezende manteve sua fidelidade à candidatura  definida pelo  partido em convenção e marchou com Daniel Vilela na campanha para o governo do Estado.
Iris foi testemunha do gigantismo do fundador de Goiânia, Pedro Ludovico Teixeira; era jovem quando um tiro no Catete colocou o país em polvorosa, com o suicídio do presidente Getúlio Vargas. Como deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, foi contemporâneo da epopéia da construção de Brasília pelo presidente Juscelino Kubitschek , a quem apoiaria na sua campanha ao Senado em 1961 pelo PSD em Goiás.
Iris ficou ao lado do governador Mauro Borges quando o general Meira Matos exigiu sua destituição pela Assembleia Legislativa. Em 1969, em meio a um exitoso mandato como prefeito de Goiânia o próprio Iris seria cassado pelo famigerado AI-5.
A Anistia em 1979 promoveria a abertura política e em 1982, Iris seria eleito governador com quase 66,72% dos votos. Voltaria ao governo em 1990, depois de uma passagem pelo ministério da Agricultura do presidente José Sarney (1985-1989) onde ficou conhecido como o “ministro das super-safras”. Em 1994 foi eleito Senador, e em 1997, a convite do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ocupou a pasta de Ministro da Justiça.
Derrotas
Até 1998, Iris não havia conhecido derrota pessoal na politica. Nunca teve um revez, até ser derrotado nas eleições para o governo de Goiás, numa campanha onde começou com 74% da preferência popular, mas chegou ao final do primeiro turno com 46,91% dos votos, ficando atrás do então jovem deputado federal Marconi Perillo (PSDB), que recebeu 48,59%. No segundo turno, Marconi confirmou o voto da mudança com 53,28% contra 46,71%. Em 2002, Iris pôs nas ruas sua campanha visando sua reeleição ao Senado. Para muitos seria uma eleição fácil, mas novamente sobreveio outra derrota, desta vez para a deputada federal Lúcia Vânia (PSDB), que recebeu 1.057.358 (22,82%), pouco mais de dez mil votos de frente para Iris Rezende que somou 1.047.827 (22,61%).
A eleição aconteceu num domingo, no dia 03 de outubro de 2002. Marconi, que foi candidato à reeleição, venceu no primeiro turno com 1.301.554 (51,21%). A oposição dividida entre Maguito Vilela (PMDB) e Marina Sant´Anna (PT) não conseguiu garantir o segundo turno. Quinze dias depois, numa terça-feira, o senador Iris Rezende visitou a redação do Diário da Manhã. Havia ligado para o editor-geral, Batista Custódio, dizendo que queria visitar o jornal e bater um papo. Seria algo informal, o encontro de contemporâneos, que se conheceram ainda jovens, no movimento estudantil, e que depois na vida adulta seriam compadres. Iris era padrinho do saudoso jornalista Fábio Nasser.
 Fui escalado para participar da conversa, e pensava que encontraria um Iris abatido pela derrota. Qual não foi minha surpresa quando o senador chegou sereno, tranquilo. Conversou calmamente e por insistência de Batista Custódio concedeu entrevista. Ao invés do politico derrotado, Iris revelou-se como homem público grato pelas lições que havia recebido da vida. “Na minha vida pública só tenho a agradecer ao povo de Goiás. Cheguei jovem em Goiânia, fui estudar no Lyceu e também num curso de Contabilidade em Campinas, onde nos envolvemos nas lutas estudantis e dali fomos eleitos o vereador mais votado da história da Capital. Tive depois muitas vitórias, chegando a Assembleia Legislativa, onde fui presidente, depois à prefeitura de Goiânia e por duas vezes ao governo do Estado. Só conheci vitórias, mas hoje sou um homem completo, pois se aprendi muito com os meus sucessos, também aprendo com meus insucessos”, disse.
Recomeço
Ao invés de pendurar as chuteiras, Iris anunciou naquela entrevista que iria se dedicar a partir de 2003 da reestruturação do PMDB. Assumiria a presidência do diretório regional do partido visando prepará-lo para os futuros embates. “Recebi muito do PMDB e quero devolver ao meu partido com muito trabalho”, comentou. Naquelas palavras, entendi que Iris não iria abandonar a política. Ao contrário, nascia a semente de um projeto novo, que seria confirmado dois anos depois: a disputa da prefeitura de Goiânia em 2004, no qual retornou ao Paço Municipal e de onde só sairia depois de reeleito em 2010, quando disputou novamente o governo de Goiás.
Iris acompanhou as trajetórias políticas dos governadores Pedro Ludovico e Mauro Borges; foi testemunha dos governos dos presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek , João Goulart e Jânio Quadros. Amargou o arbítrio sob os governos militares, atuou pela abertura política e foi um dos governadores mais atuantes no movimento pelas Diretas Já.
Ministro de Sarney e FHC, teve boa convivência com os presidentes Fernando Collor, Lula, Dilma e Temer. Iris ganhou e perdeu. Foi admirado por uns  e rejeitado por outros. Mas nestes 60 anos nunca fugiu  de Goiás, permanece em local certo e sabido.
Em 2020, Iris poderá disputar talvez a sua última eleição, ou encerrar com chave de ouro o seu ciclo na política. O tempo dirá, este mesmo tempo no qual Iris marca uma era na política do Estado de Goiás.