Carta-Manifesto e chamada a consciência. 

Por GRUPO DE AÇÃO*

A história das forças armadas brasileiras tem sido com excessiva frequência a história do uso das armas e da repressão contra o povo. É a história de uma guerra civil não declarada, mas sempre presente. No Brasil reiteradamente este braço armado cumpriu o papel de reprimir revoltas populares, perseguir os mais pobres, e todos aqueles que se levantavam contra a abissal desigualdade social brasileira. Lembremos dos massacres de Canudos (1896, BA), do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto (CE, 1937). Dos mortos de Eldorado de Carajás (1996). Dos mortos e desaparecidos da ditadura (1964-1985). Da morte cotidiana de jovens na periferia, na sua maioria pretos e pardos, por policiais militares.

Mais uma vez, paira sobre nossas cabeças o fantasma de um governo militar de fato. Hoje como ontem, ele é sócio do projeto liberal e fiador do autoritarismo. As forças armadas e policiais são parte do problema. Caucionam desmandos, legitimam desigualdades e tentam gerir o caos.

Além de um capitão saudosista da ditadura na presidência, outros 6.157 militares da ativa e da reserva ocupam cargos no governo. Os mais exaltados pregam patéticas teorias conspiratórias, requentam preconceitos de todo tipo e, como se não bastasse, são incompetentes na gestão pública. Quando não intervém é que as coisas melhoram.

Por isso, a catástrofe dos milhares de mortos da pandemia também entra na conta dos generais. Novamente eles aplicam uma política de morte. Desaparecem com os corpos ao impedir o luto. Alimentam a indiferença, naturalizam uma forma de governo baseada numa política mortífera. A solidariedade social é implodida e o programa econômico que sustentam destrói direitos e acaba com as proteções sociais.

Como nos anos 1970, crescem os desmatamentos e as queimadas. Sofrem, mas também resistem, os povos da floresta. A biodiversidade e o clima são ameaçados. A Amazônia volta a ser o “inferno verde”, como era chamada pelos militares na ditadura. Nossa riqueza ambiental, na lógica do capital, é somente um ativo, um insumo, uma fonte de lucro.

Contra essas práticas, sempre houve resistência e organização. Lembremos das imagens da insubmissão de Canudos, das inúmeras revoltas populares, da resistência indígena, dos que lutaram contra a ditadura, dos que se batem contra a destruição das vidas e da natureza.

A mão amiga (do capital) e o braço forte (contra o povo) tal como existem hoje não podem ter vez na sociedade livre e justa que merecemos.

 

*Grupo de Ação é um grupo apartidário e espontâneo de ativistas, artistas, advogadas, professores, profissionais de saúde, estudantes, editoras e comunicadores