Jornalista André Marques faz relato sobre a Capital nestes dias de restrição e isolamento.

por André Marques, no Jornal Argumento 

Passei em uma distribuidora para comprar um refrigerante, percebi que a porta não estava totalmente fechada. Desci do carro e perguntei para uma pessoa que estava na porta da distribuidora se ainda estava funcionando.

Rapidamente a pessoa me perguntou o que eu queria e, no mesmo momento, pediu para que eu voltasse para o carro. Assim fiz. Passei a observar os movimentos do homem. Ele se rolou por debaixo da porta e pegou meu refrigerante. Colocou o refrigerante em uma sacola; e olhando para todos os lados entregou-me o meu pedido, Como se fosse um traficante ou bandido entregando drogas.

Imediatamente tive um sentimento de pena e indignação. Como um trabalhador se transforma em um contraventor, tentando trabalhar?

Confesso que temos que ter cuidados com uma possível contaminação da COVID 19. Mas o maior movimento nas distribuidoras é exatamente no horário do “decreto.”

Então pensei, no dia da eleição, a justiça disse que quem não fosse do grupo de risco que fosse trabalhar como mesário e também votar. Um paradoxo insólito. Como fomos obrigados a irmos votar, não sendo do grupo de risco? Então porque não permitir que um trabalhador, que não é do grupo de risco, não possa trabalhar?

Até hoje não temos sequer vacina para imunizar ao menos a metade do grupo de risco, eleito por um governo que nega a existencia da vacina como um meio de imunizar as pessoas da COVID 19. E faz piada quando é perguntado pela imprensa, “vai comprar na casa da sua mãe”, esta foi a resposta do negacionista Bolsonaro de a um jornalista. Disse também que não ha vacinas a venda no mundo. Até a vacina ser aplicada em quem precisa, muitas pessoas vão morrer.

Pessoas que sequer passaram na porta da distribuidora. Ou o dono da distribuidora morrera de suicídio por não poder manter a família sem vendas na distribuidora.

Não entendo como um País igual o Brasil, tão grande não ter vacinado seu povo por capricho dos governantes. Até que seja vacinado o cidadão honesto terá que se fazer de bandido, assaltando a sua própria empresa.

Fugindo de uma possível contaminação que até hoje só tem o uso de mascaras, distanciamento e nada mais. Isto previne, mas só a vacina cura. Lamentável!