Procurador Geral da República, Augusto Aras prepara equipes que serão enviadas para devassa na Lava Jato em Curitiba, Rio e SP. Entre as denúncias estão a cooperação ilegal da operação com o FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o sumiço de dois aparelhos guardião, grampos ilegais contra ministros do STF e os presidentes do Senado e da Câmara, além de denúncias de negócios não republicanos com doleiros e advogados  nas delações premiadas.

A Procuradoria Geral de Justiça vai enviar nos próximos dias representantes ao Rio de Janeiro, a Curitiba e a São Paulo para coletar dados de investigações das forças-tarefas locais da Lava Jato. Um dos propósitos da PGR é de averiguar se as forças-tarefas usam sistemas de informações próprios, desligados da secretaria, informou hoje a reportagem  do jornal Folha de S.Paulo.

A medida, revelada nesta sexta-feira (10), será tomada com base na decisão desta quinta-feira (9) do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, que determinou o compartilhamento imediato de informações pelos grupos de investigadores.

Segundo a reportagem, irão visitar as forças-tarefas integrantes da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (SPPEA) —órgão ligado ao gabinete do procurador-geral, Augusto Aras, cuja função é prover as diferentes instâncias do MPF (Ministério Público Federal) de soluções tecnológicas para as investigações.

Um dos propósitos da PGR, uma vez obtidos os dados, é o de averiguar se as forças-tarefas usam sistemas de informações próprios, desligados da secretaria e, portanto, de conteúdo inacessível ao conjunto do órgão.

A reportagem também acrescenta que outro ponto a ser analisado, passível de providências disciplinares, é se os procuradores na primeira instância investigaram possíveis ilícitos de autoridades com foro especial perante o Supremo, usurpando competência da PGR —única que pode conduzir, mediante autorização da corte, apurações criminais dessa natureza.

Denúncias contra a Lava Jato

Jorge Rubem Folena,  advogado, cientista político e membro do Instituto de Advogados Brasileiros (IAB) denunciou cooperação ilegal da Lava Jato de Curitiba com promotores da Suíça e de Mônaco, onde estabeleceramcooperação internacional, de forma não oficial,  para obter provas ilícitas com objetivo de prender alvos considerados prioritários, entre eles, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a ter uma lista com nomes de seus familiares investigada dessa forma.

Nesta semana os sites The Intercept Brasil e Agência Pública apresentaram provas de cooperação ilegal e não formal entre a Lava Jato de Curitiba com o FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As mensagens indicam que os procuradores agiram deliberadamente para quebrar empresas de engenharia brasileira, especialmente a Odebrecht, que concorria com empreiteiras dos EUA em contratos na África, América Latina e Ásia. Falida, a Odebrecht demitiu mais de 200 mil funcionários.

No âmbito da série de matérias “Vaza Jato”, o The Intercept mostrou alinhamento político e ideológico da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro com o então candidato presidencial Jair Bolsonaro. A prisão de Lula em 2018 por Sérgio Moro – candidato que liderava as pesquisas -, foi fundamental para eleição de Bolsonaro. Ainda em novembro, dias após o término das eleições, Moro aceitou ser ministro da Justiça. Bolsonaro confirmaria depois que o convite foi feito antes das eleições e Moro teria dito sim.

O ex-advogado da Odebreht, Tacla Duran, denuncia que para negociar delação premiada recebeu pedido de propina de US$ 5 milhões de intermediários de procuradores da Lava Jato de Curitiba, Duran apresentou provas e prestou depoimentos à Interpol e ao Ministério Público da Espanha (ele é cidadão espanhol) e não foi contestado. Ele pediu parar ser ouvido oficialmente pelo Ministério Público Federal no Brasil mas nunca foi atendido.

Conhecido como o “doleiro dos doleiros”, Dario Messer disse a sua namorada, em uma conversa interceptada pela Polícia Federal, que pagou propina mensal ao procurador Januário Paludo, integrante da força-tarefa da “lava jato” no Ministério Público Federal do Paraná. A propina, segundo o doleiro, seria para evitar que ele fosse investigado.

Os diálogos entre Messer e a namorada foram revelados  pelo UOL. Segundo a reportagem, a conversa ocorreu em agosto de 2018 e foi obtida pela Polícia Federal do Rio de Janeiro.