Economista, professor da UEG, especializado em economia do setor público, Júlio Paschoal analisa os efeitos da pandemia na economia goiana em meio ao “abre e fecha” do segmento produtivo.
Confira:

Apologia de autoridade

por Júlio Paschoal (Publicado no Facebook do autor)
A pandemia inerente a COVID – 19 e suas mutações, tem mostrado á sociedade a importância da autoridade, para o combate e controle de seu nefastos efeitos.
Os agentes políticos, que escolheram por caminhos não tradicionais , minimizar o vírus, não incentivar o cumprimento dos protocolos sanitários e também a desacreditar da importância da vacinação, perdem popularidade a cada dia, junto aos cidadãos, que estão assustados com o número de mortes no país em tão pouco tempo.
O momento exige tomada de decisões firmes, normalmente impopulares e que desagradam a todos, quando fere os direitos constitucionais, que os cidadãos se acostumaram ao longo de suas vidas.

Os empresários ao fecharem as portas, não faturam, colocam em cheque, com razão os empregos e não recolhem os impostos.

Os trabalhadores sofrem tanto com o desemprego, como com a dificuldade em cumprir com suas obrigações, perante a seus filhos e á terceiros.
Nesse cenário de desalento percebemos governadores, prefeitos e o próprio presidente da República se degladiarem, para fazer valer seus decretos, no sentido de tentar vencer o vírus e suas mutações.
Goiás, passa pelo mesmo problema, o governador, pelo fato de ser médico e um gestor sério e correto, com uma vida pública sem arestas, não abre mão de sua autoridade na condução desse processo.
As regras por ele desenhadas desde o início da pandemia, tem prevalecido sobre as demais, mesmo que modelos inteligentes, como o adotado desde o início pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, copiando o de Israel venham dando resultados positivos.
Os empresários de segmentos não essenciais, já sem fôlego, não suportando mais a paralisação, proporam uma metodologia similar a de Aparecida de Goiânia, ao Prefeito de Goiânia, o sensibilizando. Um decreto, diferente do governo, foi elaborado para ter início na próxima segunda-feira 29 de março.
A imprensa ao indagar o governador, sobre o novo decreto, recebeu dele uma resposta dura que abalou os pilares da prefeitura de Goiânia.
O que disse o governador? “Não vou opinar sobre algo em que não fui consultado”. Isso foi o bastante para desestabilizar todo o acordo feito entre o poder público municipal e os empresários.
As reuniões tomaram conta desse sábado 27/3, ao final o que ficou decidido? A prefeitura de Goiânia e o Governo do Estado de Goiás, seguirão a mesma linha ou seja abertura de 14 dias e fechamento pelo mesmo período e nada se fará sem que haja a concordância da autoridade maior do Estado.
Em um cenário sombrio como esse de tantas mortes decorrentes do vírus, a apologia ou a defesa a autoridade ganha força no ceio da população, que cada dia se encontra mais aterrorizada com tudo que vem ocorrendo.
A apologia a autoridade é importante, mas isso não exime a população de fazer a sua parte.
O momento é delicado e a morte aproxima de todos, para evitá-la o cumprimento dos protocolos sanitários e o respeito as normas estabelecidas é fundamental.
Júlio Paschoal
Economista e Professor de Economia da UEG