Prefeito determina que cidade seja dividida em 10 regiões e a cada dia da semana, duas delas terão seus comércios, supermercados, farmácias e distribuidoras fechados, em ‘lockdowns escalonados, para evitar circulação de pessoas nas ruas.

O prefeito Gustavo Mendanha (MDB) quer  aumentar a taxa de isolamento em Aparecida de Goiânia para evitar o aumento na contaminação do novo coronavirus. O número de infectados tem sumentado em Goiás e as autoridades de saúde temem wue o pico da pandemia seja em julho. Se medidas de prevenção não forem tomadas, 5 mil pessoas podem ser levadas a óbito pelo covid19.

Tomando por base este cenário, o prefeito Gustavo Mendanha, por meio do Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao novo Coronavírus, decretou a realização do escalonamento regional das atividades comerciais na cidade.

De acordo com a portaria nº 035/2020 do Gabinete da SMS, o município foi dividido em 10 macrozonas, sendo que a cada dia da semana, duas delas não irão funcionar.

A portaria que regulamenta o escalonamento do comércio do município foi publicada na tarde ontem, quarta-feira, 03, no suplemento do Diário Oficial Eletrônico de Aparecida.

Gustavo Mendanha explica que desde 22 de abril Aparecida de Goiânia vem construindo um plano de enfrentamento com maior previsibilidade de isolamento social e para combater a Covid-19, sendo que o escalonamento é mais uma forma de promover o almejado distanciamento social, alcançando 50% da população da cidade em casa.

“Esta é uma ação inédita. Precisamos ampliar o isolamento, que hoje é de 35,8% para mais de 50%. Dessa forma vamos evitar o colapso do sistema público de Saúde e reduzir o índice de contágio da doença, além de melhor atender aos pacientes que apresentarem a forma mais grave da Covid-19”, explica  Gustavo Mendanha.

Não podemos retomar tudo de forma irresponsável. O momento é de redobrar os cuidados”, ressalta o prefeito.

Fechamento por dia da  semana

As 10 macrorregiões foram divididas em Jardim Alto Paraíso, Vila Brasília, Buriti Sereno, Expansul, Papillon Park, Santa Luzia, Zona da Mata, Centro, Cidade Livre e Garavelo. Os lockdowns regionais acontecerão um dia por semana, em duas das macrorregiões diferentes, a partir da próxima segunda-feira, 08 de junho.

Como mostra o quadro acima, nas segundas-feiras serão fechados os comércios, inclusive os essenciais como farmácias e supermercados, nas macrorregiões da Vila Brasília e Jardim Alto Paraíso;

nas terças-feiras não funcionarão os estabelecimentos da região do Garavelo e Zona da Mata;

nas quartas-feiras ficarão sem abrir o comércio a região do Buriti Sereno e Cidade Livre;

já nas quintas-feiras não abrem o Centro e Expansul e,

por fim, nas sextas-feiras ficam fechados os estabelecimentos da região do Santa Luzia e Papillon Park.

Sábados e domingos não entram no programa.

O funcionamento no sábado é em apenas uma parte do dia e o domingo é o dia comumente usado para descanso. Queremos pontuar que o escalonamento tem como função evitar que as pessoas circulem nas ruas dessas regiões. Muitos comerciantes questionaram se fechando uma região a população não vai para a outra fazer compra. Por isso, o que podemos neste momento é contar com a compreensão e conscientização dos moradores, para que se programem, pois vamos divulgar em vários locais como funcionará o escalonamento, e todos podem evitar sair naquele dia que a sua região estiver em lockdown”, esclarece Gustavo Mendanha.
Foto: Ênio Medeiros

Escalonamento segue regras da OMS

O secretário de Saúde, Alessandro Magalhães, explicou as estratégias de enfrentamento à Covid-19 adotadas pela Prefeitura, que também obedecem as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo ele, elas podem ser resumidas em três frentes: testar, isolar e cuidar.

“Aparecida já realizou mais de seis mil testes para diagnóstico da Covid-19. Definimos critérios para a realização do exame e nossas estatísticas comprovam que a testagem tem sido eficaz: a cada 11 exames realizados diagnosticamos um positivo. Essa testagem em massa, bem direcionada, nos permite o diagnóstico e o isolamento precoce dos contaminados”, revela..

Segundo o secretário, em 62% dos casos positivos da cidade a Secretaria identificou a origem da infecção: “Nossa equipe de telemedicina liga todos os dias para os casos confirmados e acompanha o isolamento, rastreando a contaminação”.

De acordo com Alessandro Magalhães, até hoje, apenas 12% dos pacientes diagnosticados com Coronavírus em Aparecida de Goiânia precisaram de internação, sendo que 7% ficou hospitalizado em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

“Nesse sentido, ampliamos a oferta de leitos. Atualmente, temos 63 UTI´s exclusivas para pacientes com Covid-19 e 60 semi-UTI´s. Além disso, firmamos uma parceria com o Hospital Sírio-Libanês e diariamente os médicos de lá avaliam remotamente nossos pacientes. Isso nos permite usar protocolos médicos avançados”, detalhou.

Para Alessandro Magalhães, essas medidas fecham o ciclo de recomendações da OMS, que aliadas ao cenário epidemiológico municipal embasam as ações de enfrentamento ao Coronavírus. “Diariamente monitoramos a taxa de ocupação dos nossos leitos e o coeficiente de incidência da doença. A partir desses dados, seguindo a matriz de risco do Ministério da Saúde, temos que hoje o risco da pandemia em nossa cidade é baixo. Caso esse risco mude de patamar, o escalonamento também vai mudar, de forma a ficar mais rígido”, completou.

Decisão colegiada

A aprovação do escalonamento do comércio foi tomada na segunda-feira, 1º, durante reunião do Comitê na sede da Cidade Administrativa. A discussão sobre a nova portaria contou com a presença de representantes do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), Defensoria Pública, Câmara de Vereadores, OAB Subseção Aparecida, Associação dos Feirantes de Aparecida, Associação Comercial e Industrial de Aparecida de Goiânia (Aciag). Sesi/Senai, Sebrae Regional Aparecida e Federação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte em Goiás (Femicro-GO).

“Além dos estudos feitos pelos membros do comitê, realizamos reuniões diárias com comerciantes de todas as macrorregiões de Aparecida para debater o assunto e informar todos os passos a serem tomados pela gestão, que tem o objetivo de preservar vidas”, pontua o prefeito.

Fiscalização
Para garantir o cumprimento das normas de segurança contra o contágio do novo coronavírus no comércio e garantir que os estabelecimentos das macrorregiões fiquem sem funcionar nos dias estipulados a cada uma, a Prefeitura de Aparecida aumentou de 500 para 800 o número de servidores que atuam na fiscalização orientativa e ostensiva do município.

Os 300 novos profissionais designados para essa atividade começarão a trabalhar na segunda-feira, 08, em conjunto com as equipes que já atuam nas fiscalizações desde o dia 28 de abril, data em que foi flexibilizado o funcionamento de 82% das atividades comerciais de Aparecida.

De acordo com o secretário da Fazenda de Aparecida, André Luis Rosa, todos os estabelecimentos precisam atender as regras e não abrir nos dias estipulados para a macrorregião em que está inserido.

“Até mesmo os supermercados, mercearias, distribuidoras e farmácias não poderão funcionar nesses dias. A exceção é apenas para hospitais; órgãos públicos e concessionários de serviços públicos; segurança pública e privada; atividades religiosas, que já cumprem rodízio; funerárias; indústrias dos Pólos Industriais com mais de 15 trabalhadores que fornecerem transporte coletivo; e as feiras que terão regras próprias com rodízio”, informa o secretário.

Continua não sendo permitido o funcionamento de Academias, Arenas de Esporte, Galerias, Bares, Restaurantes, sendo permitidos esses últimos apenas em forma de delivery. Eventos também continuam suspensos.