Muita propaganda e nenhuma responsabilidade: como a cidade com mais indústrias no Estado chegou a 30 mil casos de confirmados e pode se tornar epicentro do novo coronavírus no Estado.

Ao invés de ação, Lives no Instagram. No lugar medidas de isolamento, liberação de bares e restaurantes. Na contração das orientações para testagem, abandono das políticas mundiais de saúde pública. Esta foi a receita adotada pelo prefeito de Anápolis Roberto Naves (PTB) para que a cidade chegasse aos 30 mil casos de Covid-19 às cegas, ou seja, sem nem mesmo conseguir testar para isolar os contaminados. Na Itália, em Milão, cidade que também tem o mesmo perfil industrial de Anápolis, o prefeito Giuseppe Sala também apostou nas propagandas, e lançou o vídeo “Milão não para” no início de fevereiro. O resultado, um mês depois foi catastrófico:  6.922 contágios. Dos 236.651 infectados e 34.278 mortes na Itália, quase um terço se originaram em Milão.

Ciência vs propaganda

Levantamento feito pelo Inquérito Epidemiológico aponta que Anápolis pode ter 30 mil casos, 60 vezes mais que os 503 registrado oficialmente. Segundo O Popular, que divulgou os números, as causas são o relaxamento do isolamento, a falta de testes nas indústrias.

Enquanto o Estado de Goiás pregava o isolamento, com regras rígidas seguindo orientações médicas internacionais, o prefeito Roberto Naves decidia liberar o comércio e sequer montou um planejamento para realizar testagens em massa.

Matéria de O Popular mostra que o indice de contsminação em Anápolis é 7,8٪ , enquanto em Goiânia e Aparecida não chega a 2%

A reportagem de O Popular, de terça-feira (16/06), aponta que “o número de pessoas infectadas por Covid-19 em Anápolis pode ser 60 vezes maior do que o confirmado por meio de testagem até o momento na cidade”. De acordo com a publicação, três fatores podem ser apontados como causas para esta alta: o começo precoce da transmissão comunitária, o baixo índice de isolamento social verificado na cidade e a presença de empresas com grande fluxo de funcionários.

Anápolis tem um dos índices mais baixos de isolamento de Goiás, chegou a 30,7% no dia 5 de junho, segundo dados da empresa In Loco.

Cerca de uma semana após a flexibilização das medidas restritivas pelo governo estadual, em 19 de abril, a prefeitura foi além e afrouxou mais as regras, liberando, por exemplo, abertura de bares e restaurantes.

Ainda dá tempo

É um quadro grave, e se nada for feito, a cidade que tem o maior número de indústrias do Estado poderá ter que se submeter a um lockdown total, ou seja, a paralização de todas as atividades, como foi feito em Milão na Italia.

Talvez o prefeito Roberto Naves, assim como o de Milão, Giusepe Sala, ainda não tenha compreendido é que vidas humanas importam mais que a economia.

Anápolis é a sede da Hyunday. Milão sede da Fiat. Cidades fabris não deveriam parar. Mas Giuseppe Sala, reconheceu que errou em veicular o vídeo “Milão não para”, no fim de fevereiro, e parou a cidade.

Ainda dá tempo do prefeito Naves repetir o colega italiano e arrepende-se e tomar as providências para proteger vidas em Anápolis