O Jornal GGN, do competente jornalista Luis Nassif, e o DCM, sob a batuta de Kiko Nogueira, avaliam que as prisões do ex-presidente e do ex-ministro são troco do ministro da Justiça à decisão do Presidente da Câmara Federal de adiar a votação do Projeto Anti-Crime de Sérgio Moro. As prisões são questionadas no Congresso Nacional e por analistas políticos que apontam tentativa da Lava Jato de ficar em evidência, depois do escândalo da criação do fundo de R$ 2,5 bilhões da Petrobrás para os procuradores, tendo Deltan Dallagnol à frente. Escândalo evidencia briga entre os poderes e pode paralisar Governo, Congresso e Judiciário.

Segundo informações da coluna de Andrea Sadi, no G1, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) rechaçou a especulação de que a decisão do juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato do Rio de Janeiro, determinando as prisões do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, foi em resposta à troca de farpas entre Maia e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

Ontem (20), Maia decidiu congelar a tramitação do pacote anti crime na Câmara, alegando prioridade a Reforma da Previdência. Horas depois, ele recebeu mensagens em tom de cobrança de Moro que levou o parlamentar a fazer uma série de críticas ao ex-juiz.

Além de desqualificar o projeto dizendo que o texto de Moro é um “copia e cola” de proposta anterior feita pelo ministro Alexandre de Moraes (hoje no STF), o presidente da Câmara disse que o ex-juiz da Lava Jato “está confundindo as bolas”, isso porque ele não deveria se colocar no lugar de Bolsonaro exigindo a aceleração do trâmite do pacote.

Na manhã desta quinta-feira (21) a Polícia Federal deflagrou uma nova operação da Lava Jato do Rio de Janeiro levando à prisão o ex-presidente Temer, o ex-ministro Moreira Franco, além de busca e apreensão de materiais na casa o ex-ministro Eliseu Padilha. O coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, também foi preso. A delação premiada de José Antunes Sobrinho, dono da Engevix, foi o que sustentou a operação.

Logo quando a notícia foi divulgada surgiu a teoria de que a operação contra o grupo do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha (MDB-RJ), seria uma retaliação do ministro da Justiça.

Segundo a coluna de Teles Farias, aliados de Moro e do PSL avaliam que Maia reelegeu-se para o comando da Câmara graças ao apoio do Centrão e do MDB. Para completar, Moreira Franco é sogro de Maia.

Ainda, segundo a coluna de Andreia Sadi, um político que acompanhou as conversas hoje com Maia e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse ao blog do G1: “Carlos Bolsonaro está querendo repetir ataques nas redes como fez com Gustavo Bebianno. A diferença é que Bolsonaro não pode demitir Maia. E tem a reforma da previdência para tocar, se eles ainda não perceberam”.

Nesta quinta e pelo instagram, Carlos publicou uma fala de Moro em defesa do pacote ao combate à corrupção, escrevendo na legenda: “por que o presidente da câmara anda tão nervoso?”. Ele também usou sua conta no Twitter compartilhando uma matéria com o título “Moro rebate críticas de Maia sobre pacote anticrime”, acompanhado da legenda: “Há algo bem errado que não está certo!”

As movimentações, agora explícitas, de Carlos confirmaram hoje para Maia de que o filho do presidente estaria por trás de ataques anônimos nas redes sociais contra ele.

Kiko Noguera: “Prisão realimenta lavatatismo”

Analisando as operações de hoje da PF e procuradores lavajatistas, o jornalista Kiko Nogueira, do DCM (Diário do Centro do Mundo), comenta que “a prisão de Michel Temer pela Lava Jato do Rio é mais uma patacoada midiática para a operação e seus protagonistas saírem das cordas. Por que agora? Por que ele? Para alimentar o circo e tentar virar o jogo a favor da República de Curitiba”, define.

Para o jornalista, o ministro Sérgio Moro foi humilhado publicamente por Rodrigo Maia. Transformou-se num anão no governo Bolsonaro. “Maia afirmou que Moro copiou e colou projeto do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre combate ao crime organizado”, ressalta.

“Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro”, falou Maia em nota publicada em vários jornais.

“Ele está confundindo as bolas. Ele não é presidente da República. Ele não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele”, replicou o presidente da Câmara Federal.

Para Nogueira, a “fundação” da Lava Jato, uma aberração forrada de 2,5 bilhões da Petrobras, expôs as intenções da turma.

Fato: o caso de Temer, que está com o juiz Marcelo Bretas, trata das denúncias do delator José Antunes Sobrinho, dono da Engevix. O empresário disse à PF que pagou R$ 1 milhão em propina a pedido do velho coronel João Baptista Lima Filho, do ex-ministro Moreira Franco e com de Michel. Moreira também foi em cana.

“Barbaridade”, disse Temer ao ser levado ao Aeroporto de Congonhas, de onde embarcou para o Rio de Janeiro.

Bretas deu uma força aos amigos, anota Nogueira.

Na miúda desde a posse de Bolsonaro, Temer tem cinco inquéritos no STF, abertos à época em que ele era presidente. Foram encaminhados à primeira instância depois que ele deixou o cargo.

A Globo News vai passar a manhã falando do caso. Logo mais o próprio Moro aparece dando entrevistas, glorioso como o deus-Sol. Dallagnol voltará a brilhar. Palestras surgirão em seu caminho. Temer rouba há 740 anos, mas milhares de otários vão achar que acabou a era da impunidade no Brasil etc etc. Você e eu sabemos quem é Michel Temer. Mas não se trata disso. Amanhã ele estará solto. E depois de amanhã será a vez de Dilma ser levada pela Polícia Federal”, prevê. (Com informações dos sites Jornal GGN e Diário do Centro do Mundo)