Na sexta-feira (25), um movimento mundial liderado pela ativista Greta Thunberg realizou uma manifestação global pelo clima. O ato do grupo Salvar o Clima ecoou em cidades brasileiras. A Sputnik Brasil ouviu um ambientalista que participou da manifestação e afirma que o Brasil tem “vocação” para “bioeconomia”.

Do SputnikNews – O evento mundial celebrou o dia global de ação climática, 25 de setembro, apontando para a necessidade de ações de combate ao aquecimento global. O manifesto “Salvar o Clima” aponta diversas ações para defender o meio ambiente, como extinguir a exploração de minérios que causem danos ao ecossistema, cancelar grandes projetos que acarretem aumento das emissões de gases estufa e criar projetos de requalificação profissional para trabalhadores de áreas poluentes.

Em Estocolmo, na Suécia, a ativista Greta Thunberg aparece em frente a um protesto pelo clima em frente ao parlamento sueco, em 25 de setembro de 2020, o dia global de ação climática.
Sérgio Ricardo, ambientalista, fundador do movimento Baía Viva, participou da manifestação no Rio de Janeiro, e ressaltou a atual situação de desrespeito ao meio ambiente no país. Atualmente o Brasil registra recordes de desmatamento e queimadas em áreas como a Amazônia e o Pantanal, e convive com um clima político de negação da mudança climática.

“A maior contribuição do nosso país está exatamente no desmatamento e nas queimadas dos seus biomas, no caso, a Amazônia. Nesse momento uma queimada terrível está devorando o bioma do Pantanal, que é o mais rico do planeta em termos de biodiversidade e, infelizmente, o Brasil vem trilhando o caminho do progresso destrutivo do capital, em que servidores públicos do atual governo estão impedidos de fiscalizar atividades econômicas predatórias”, afirma o ambientalista em entrevista à Sputnik Brasil.

Ricardo aponta ainda que enxerga essa situação como um “assédio moral” do governo sobre o trabalho de agentes ambientalistas e lamenta que o crescimento econômico brasileiro esteja atrelado a práticas não ecológicas.
“Infelizmente nas últimas décadas o crescimento da economia brasileira tem se dado tendo como motor o avanço ilimitado do agronegócio, com o seu padrão de tecnologias contra a vida, provocando o envenenamento do solo e das águas com agrotóxicos”, afirma.
Voluntário combate chamas no Pantanal, no Mato Grosso, 13 de setembro de 2020
© AFP 2020 / MAURO PIMENTEL
Voluntário combate chamas no Pantanal, no Mato Grosso, 13 de setembro de 2020
O fundador do movimento Baía Viva ressalta que agrotóxicos usados no Brasil estão proibidos há décadas na Europa e nos Estados Unidos e fazem parte de um movimento de destruição de importantes ecossistemas no país.

“Nós estamos alinhados com outra concepção de vida, de economia e de sociedade. Nós estamos na defesa, no movimento Baía Viva, alinhados com a greve mundial do clima, na defesa da floresta em pé”, aponta, acrescentando que há estudos que provam que uma economia que preserve o meio ambiente tem mais capacidade de gerar empregos.
O ambientalista acredita que os discursos e resultados da pandemia da COVID-19 se somam à crise ambiental e política no Brasil e aponta que é “uma falácia” associar o desmatamento e as queimadas com o progresso econômico. Para Sérgio Ricardo, o Brasil tem uma vocação para “se tornar uma grande referência no campo da bioeconomia”, aproveitando as riquezas naturais do país de forma sustentável.

“Com a preservação da floresta em pé é possível trazer a felicidade humana, garantir qualidade de vida, geração de emprego e um outro padrão de desenvolvimento econômico para o país, que não seja o progresso destrutivo do capital. E com isso o Brasil estará dando uma grande contribuição, eu diria que uma contribuição decisiva, para que na escala global haja um efetivo enfrentamento dos efeitos cada vez mais presentes do aquecimento global e das mudanças climáticas”, conclui.