Ataques de Bolsonaro e do Chanceler Ernesto Araújo à China levam chineses a deixar de comprar do Brasil e a assinarem contrato de compra de 10 milhões de toneladas de soja dos EUA, que pode ser estendido a 30 mihões de toneladas, envolvendo soja, milho e trigo, revela a Agência Bloomberg.

 

Já dizia o Mestre dos  Mestres: “Quem planta vento, colhe tempestade”. A política ideológica da presidência da República e do Itamaraty,  de brigar com a China, de se alinhar umbilicalmente aos Estados Unidos e a Israel,  – abandonando o multilateralismo que sempre marcou a política externa brasileira – , já está causando sério prejuízo ao agronegócio brasileiro. O governo da China anunciou ontem a compra de 10 milhões de toneladas de soja dos produtores norte-americanos. O anúncio  foi feito  através do twitter pelo secretário de Agricultura dos Estados Unidos,  Sonny Perdue.

A agência Bloomberg, especializada em notícias econômicas revela que o acordo China-EUA pode ser ainda maior. “A China estaria propondo aos Estados Unidos um adicional de US$ 30 bilhões anuais em compras de produtos agrícolas, como parte de um acordo comercial bilateral.  A proposta envolveria itens como soja, milho e trigo e seria parte de um memorando de entendimento relacionado às discussões comerciais blaterais, informa a publicação baseada em “pessoas com conhecimento do plano”.

Ainda conforme a Bloomberg, o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, disse ser prematuro fazer qualquer comentário a respeito do assunto ou do quanto a China poderia comprar de produtos agrícolas como parte de um acordo comercial. “Não quero criar expectativas”, disse, durante a conferência do USDA sobre perspectivas para agricultura.

Política externa irresponsável

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, foi indicado para o cargo pelo astrólogo e pseudo filósofo (já que não tem curso superior) Olavo de Carvalho. Este senhor, que mora nos Estados Unidos, é o ideólogo do da família Bolsonaro. Entre outras sandices, Olavo de Carvalho defende que a terra é plana, que a Rede Globo é comunista, que a política externa brasileira nos últimos anos foi dominada pelo “marxismo cultural” (seja lá o que isto signifique) e que o Brasil deve se alinhar automaticamente às politicas dos Estados Unidos e de Israel.

Em discurso no Senado no mês de dezembro passado, quando ainda ocupava a presidência da Comissão de Relações Exteriores, o senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PROS), lembrou que a politica externa brasileira sempre foi focada na autodeterminação dos povos, no multilateralismo e no respeito à cultura e política de cada país. Ele lembrou, por exemplo, que foi o governo do general Ernesto Geisel o primeiro a reconhecer a independência de Moçambique e Angola, países de regime comunista, com os quais o Brasil desenvolveu parcerias na extração de Petróleo, através da Petrobras, garantindo uma fonte segura de fornecimento, num dos períodos mais críticos da escassez do petróleo nos anos 1970.

Negócio da China

De acordo com o Ministério e Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MIDC), no ano de 2018, o comércio Brasil-China representou um saldo positivo para o Brasil de US$ 47,721 bilhões. Matéria veiculada pelo jornal o Globo, em novembro de 2018 informa que os chineses também permanecem como os principais compradores de produtos brasileiros. No mês passado (outubro/18), as vendas brasileiras para a China cresceram 67,5%, a maior taxa entre os mercados de destino. A matéria revela que em segundo lugar no ranking de parceiros comerciais do Brasil estão os Estados Unidos, os países Árabes e o Mercosul.

 

 

Países Árabes

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Rubens Hannum disse que a guinada na politica externa do governo Bolsonaro, tornando Israel o principal parceiro comercial no Oriente Médio, pode ser muito prejudicial ao Brasil. Esta fala foi feita em dezembro, e em janeiro deste ano, após o chanceler Ernesto Araújo confirmar o interesse do Brasil de levar para Jerusalém a embaixada brasileira, a Arábia Saudita suspendeu importação de frangos e descredenciou cinco frigoríficos da JBS.

Em 2017 a balança comercial do Brasil com os 22 países que formam a Liga Árabe teve superátive (exportações/vendas maiores que as importações/compras) de US$ 7,1 bilhões. Com Israel o Brasil compra/importa US$ 1,2 bilhão e vende/exporta US$ 400 mihões, ficando com um déficit/dívida de US$ 800 milhões. Mesmo assim o governo Bolsonaro acha mais vantajogo jogar fora US$ 7,1 bilhões árabes para ficar com os U$ 400 milhões de Israel.

Impacto comercial

Os dois principais produtos que o Brasil exporta para os países árabes são a carne bovina e de frango, que são feitas com o abate halal, que seguem normas sanitárias específicas do mundo islâmico em relação à criação e abate destes animais.

A China, além de soja, milho e açúcar é grande compradora de minério de ferro, aves, carnes bovina, suína, caprinos, equinos (carne de cavalo, jumento) e tem parcerias nas áreas aeroespacial, com o desenvolvimento de satélites sino-brasileiros.

Países não alinhados

O presidente Jânio Quadros (1961) engajou a política externa brasileira no movimento dos Países não Alinhados, grupo de nações que não se referenciava nem pelas politcas dos Estados Unidos e nem pelas da União Soviética. O Brasil tinha naquele período relações com a China, Cuba, União Soviética e também o chamado “mundo livre”: Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Alemanha Ocidental etc. Esta politica foi mantida durante a ditadura.

Nos governos dos presidentes Lula e Dilma, tendo como Chanceler, o experiente  Celso Amorin, o Brasil estreitou relações com  o mundo árabe, com a África, a Ásia e principalmente com a América do Sul, ampliando o Mercosul e fazendo pactos bilaterais com o Chile e o Bloco Andino. O resultado o saldo da balança comercial brasileira explodiu, e ao final deste período o Brasil acumulou US$ 380 bilhões em reservas cambiais externas. Somente no ano de 2017, o saldo positivo do comercio exterior brasileiro chegou a US$ 67 bilhões.

A política externa “Olavo-bolsonariana” é irracional, contraproducente e antagônica a tudo o que já foi feito pelo Itamaraty desde o seu fundador, o Barão do Rio Branco. Nesta semana, o general e vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) teve que intervir severamente para evitar que o Brasil entrasse em conflito com a Venezuela, país, que aliás é grande comprador de produtos brasileiros – de produtos agrícolas, passando por produtos de higiene e limpeza, automóveis, máquinas agrícolas, aviões, remédios -., que em 2015 registrou um saldo positivo para o Brasil de US$ 3,5 bilhões. Após o bloqueio financeiro feito pelos Estados Unidos – que reteve US$ 30 bilhões do governo venezuelano em bancos estrangeiros -, o comercio caiu, mas continua favorável ao Brasil, chegando a US$ 400 milhões em 2017.

Governo goiano e dos estados agroexportadores devem agir

O exército vem monitorando par e passo o Itamaraty, para literalmente impedir que o tresloucado chanceler coloque o Brasil numa grande enrascada, porém, os anúncios de compra da China junto aos EUA e o cancelamento de compras da Liga Árabe demonstram que somente uma pressão grande através de deputados federais, senadores e governadores – em defesa do agronegócio brasileiro.  Goiás mais que nunca precisa de mobilizar, sob pena de que a loucura de uns leve à falência a economia goiana e do país.