A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu relatório apontando sinais de irregularidades na fortuna do empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan e um dos apoiadores mais próximos do presidente Jair Bolsonaro. O documento, classificado como “reservado” e divulgado pelo portal UOL, chegou às mãos de um senador da CPI da Covid. Fala em “fonte oculta de recursos”, agiotagem, lavagem de dinheiro, contrabando, evasão de divisas, sonegação, além de financiamento de fake news.

Da RBA

O levantamento foi elaborado pelo órgão vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Augusto Heleno, como investigação de pessoas que se aproximam da presidência da República. O relatório narra o início da vida empresarial de Luciano Hang, aos 21 anos, até acusações de financiamento do chamado gabinete do ódio.

Fonte oculta

Um dos problemas financeiros citados está baseado no trabalho de um estudante da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mostrando que o custo fixo mensal das lojas era cinco vezes maior do que o faturamento. O documento da Abin afirma que a Havan está “sempre expandindo os negócios, sem sócios, sem investidores, sem endividamento e muitas vezes parecendo possuir uma fonte oculta de recursos, que não se explicaria apenas por sonegação fiscal e contrabando de artigos importados para lojas”.

A inteligência reportou também indícios da prática de agiotagem por meio da criação de uma empresa de fomento mercantil. A Havan responde, somente no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), a 25 processos relacionados a empréstimos. “É de se supor que os empresários que procuravam Hang não estariam aptos a passar pelo crivo analítico de um banco de verdade, sujeitando-se a exposição de cobrança de juros acima do mercado e alienação de bens em garantia”, afirma o órgão governamental.

Lavagem, sonegação e ódio

As questões na Justiça não se resumem apenas a irregularidades em empréstimos. Há investigação do Ministério Público Federal sobre lavagem de dinheiro, remessa de dinheiro de origem ilegal ou duvidosa, sonegação fiscal, contrabando de importados e evasão de divisas. O UOL fala, ainda, em condenação judicial sofrida por Hang em 2003 a quase quatro anos de prisão por “sonegação de contribuições previdenciárias”. O investidor foi multado em R$ 10 milhões.

A participação de Hang no gabinete do ódio, criado pelo bolsonarismo para disseminar fake news, é outro ponto do relatório da Abin. Ressalta que o empresário é um dos alvos da investigação criminal em aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar ataques à Corte. “O STF determinou uma grande ação da Polícia Federal de busca e apreensão no fim de maio, visando youtubers, mantenedores de páginas bolsonaristas na internet e pretensos financiadores, entre eles, Luciano Hang, que também teve seu sigilo telefônico e bancário quebrado”, afirma o relatório.

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