Flodelis, Pastor Everaldo, Padre Robson, um preso, a outra acusada de matar o marido e o outro investigado por supostos desvios, são exemplos dos falsos profetas que tomaram conta do cenário político com a ascensão da extrema-direita ao poder.

Quando o Mestre dos Mestres expulsou os vendilhões do templo bradou contra os que alí comercializavam a fé: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”  (Jo 2, 13-22)..

Noutra passagem, relatada no Evangelho de Mateus (24:3-8) Jesus disse: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; ( … ) e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores”. (Mateus 24:3–8).

Os falsos profetas tem algo em comum. Todos eles são moralistas. ““Eles vêm até vós vestidos de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7,15).

São como aqueles que crucificaram o próprio Cristo: os fariseus e os saduceus. Os Fariseus são descritos como hipócritas, que pregavam que a salvação estava em pagar o dízimo e obedecer a Lei de Moisés. Os Saduceus eram aliados dos romanos. Defendiam os interesses do imperador, que na época de Cristo era Tibério e do rei Herodes Antipas. Viviam pelo poder.

O movimento que levou à presidência Jair Messias Bolsonaro está repleto de falsos profetas, e dia após dia eles caem um por um.

Incesto, assassinato e preconceito

Os exploradores da fé  infiltrados no movimento cristão proclamado neopetencostal são lobos na pede de cordeiros. Um dos piores exemplos é a “pastora” e deputada federal Flordelis (PSD-RJ), acusada de matar com 30 tiros o marido, o também pastor Anderson do Carmo.

Antes de consumar o crime ela tentou envenená-lo durante seis meses. No inquérito do Ministério Público do Rio de Janeiro está uma conversa telefônica quando ela fala com um dos filhos sobre os planos de matar Anderson, ela disse:

 ‘Fazer o quê? Se eu separar dele, vou escandalizar o nome de Deus”, disse.

Além de falsa cristã a pastora que empresta o nome à igreja que fundou, “adotou” 50 filhos, e segundo testemunho de um deles, fazia sexo com os filhos. Seu esposo era um dos seus “filhos” adotivos, e havia sido também seu “genro”, casado com uma das filhas adotivas, antes de se transformar em seu esposo.

Nos seus semões, Flordelis pregava fervorosamente contra gays, prostitutas e progressistas.

 

“Me prendem, mas eu vou continuar dizendo, prostituição, homossexualismo, não é de Deus, ele faz apenas homem e mulher, tudo o que passa disso, é de procedência maligna”, fala ela, pregando em um culto. No vídeo ela afirma que nunca negará o “seu Jesus”:

“Me processem, me prendam, mas eu não vou negar o meu Jesus”, diz.

Que Jesus é esse, eu me pergunto, que apoia incesto, assassinato e prostituição das próprias filhas?, pois o inquérito da Policia Civil do Rio de Janeiro mostra que Flordelis “oferecia as filhas para o sexo com pastores estrangeiros que visitavam a obra”.

Durante a campanha eleitoral de 2018, Flordelis foi ardorosamente defensora da eleição de Jair Bolsonaro, colocando sua imagem à do presidente, num marketing que favoreceu a sua própria eleição, com 196.959 votos votos. Num encontro com o presidente eleito, no dia 13 de deembro de 2018, ela declarou:

 “O Brasil voltou a acreditar, voltou a ter esperança. Meu pedido é: Não deixe essa esperança morrer. Eu sei que alguma coisa vai acontecer porque quem te colocou nesse cargo foi Deus. E Ele vai te dar sabedoria para resolver não só os problemas que estão no meu estado do Rio de Janeiro, mas também em nosso país – disse ela.

Batismo de corrupção

Preso nesta sexta-feira(29) no Rio de Janeiro, acusado de corrupção, o Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC (Partido Social Cristão) ofereceu o seu partido à Bolsonaro em 2016, para que disputasse por ele a presidência da República. Bolsonaro filiou-se ao PSC, mas depois trocou a sigla pelo PSL. Neste mesmo período, Everaldo batizou Bolsonaro nas águas do Rio Jordão, em Israel, local sagrado para os cristãos.

 

Há três décadas na política brasileira, Pastor Everaldo é acusado pela operação Lava Jato de receber R$ 6 milhões da Odebrecht para ajudar Aécio Neves (PSDB) em um debate presidencial, em 2014.

Além disso, também ficou famoso por batizar um de seus aliados, o presidente Jair Bolsonaro, em uma cerimônia nas águas do rio Jordão, em Israel, no dia 12 de maio de 2016 – quando o processo de impeachment de Dilma Rousseff foi aberto na Câmara.

Antes de filiar-se ao PSL, o presidente foi recebido por um lotado auditório, na Câmara dos Deputados, para sua filiação ao PSC, em 2016. Neste dia, Everaldo foi uma das figuras que lançou Jair Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República.

Há três décadas na política brasileira, Pastor Everaldo é acusado pela operação Lava Jato de receber R$ 6 milhões da Odebrecht para ajudar Aécio Neves (PSDB) em um debate presidencial, em 2014.

Na sua passagem pela política o Pastor Everaldo utilizou da sua igreja, a Assembleia de Deus, como trampolim para seus próprios interesses.

Durante o governo de Anthony Garotinho, o pastor Everaldo Dias Ferreira, foi subsecretário do Gabinete Civil e responsável pelo programa Compartilhar Cesta do Cidadão. Foi denunciado por usar instituições religiosas para distribuir mensalmente 25 mil cheques de R$ 100 a famílias carentes. Os evangélicos recebem 84% da verba. Os católicos, que são maioria, ficam com só 16%. As investigações mostraram que Everaldo montou uma rede de apoio a candidatos evangélicos à Assembleia Legislativa e a Câmara Federal fazendo uso politico do programa assistencial.

Em 2018,  Everaldo lançou o ex-juiz federal Wilson Witzel pelo PSC para o governo do Rio de Janeiro.  Com a eleição de Witzel, Pastor Everaldo voltou a integrar a equipe de funcionários públicos e começou a gerir a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). Ele é acusado de agir com intenções políticas em alterações feitas na companhia pública e também por malversação de recursos destinados à saúde, em compras superfaturadas de insumos e equipamentos utilizado ao combate do coronavírus.

 

Luxo e transações suspeitas com dinheiro dos fiéis

O processo que levou à operação que investiga suposto desvio de doações de fiéis por parte do padre Robson Oliveira Pereira, que era presidente da Associação dos Filhos do Divino Pai Eterno (Afipe) e reitor da Basília do Divino Pai Eterno em Trindade, na região metropolitana de Goiânia (GO), revela que o religioso teria supostos casos amorosos. Um hacker teria ameaçado expor a situação com o objetivo de extorquir o pároco.

Compra de fazendas, postos de gasolina, saques em dinheiro e uma mansão luxuosa, também mostraram uma vida incompatível com um pároco. A Operação Vendilhões investiga possíveis crimes de apropriação indébita, lavagem de capitais, organização criminosa, sonegação fiscal e falsidade ideológica praticados pelo Padre, no cargo de presidente da Afipe (Associação Filhos do Pai Eterno). O Ministério Público de Goiás apura supostos desvios na ordem de R$ 120 milhões nas contas da Afipe.

Denúncia do MP aponta que a “Afipe adquiriu a Fazenda Serenata e Monjolinho, em Abadiânia/GO da Agropecuária Nova e Eterna Aliança Ltda., pelo valor de R$6.308.000, em 17 de março de 2016, e que, mais de 3 anos depois, a Afipe vendeu o imóvel rural para a empresa Terra Nobre pelo mesmo valor, R$ 6.308.000. Salientaram que a Terra Nobre foi criada em 11 de abril de 2018 e, um ano depois, comprou da Afipe a Fazenda Serenata e Monjolinho. Também consta a compra de uma casa de praia, no valor de R$ 3 milhões, em Guarajuba, na Bahia.

Com quase 4 milhões de seguidores apenas no Facebook, o padre Robson, 46 anos, tem bastante influência entre os católicos nas redes sociais.

O religioso nega as acusações de fraude e diz que vai provar sua inocência, porém afastou-se da Afipe após a operação do MP e também por determinação da Ordem dos Redentoristas e do Arcebispo Dom Washington Cruz.

O superior-geral da Congregação Redentorista, padre Michael Brehl, C.Ss.R., se pronunciou oficialmente, através de uma carta, sobre as denúncias de irregularidades na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), responsável pelo Santuário Basílica de Trindade.

“Não é tempo para julgamentos, nem lamentações ou críticas mútuas. Sim, devemos colaborar o mais plenamente possível com as autoridades, civis e eclesiásticas. Devemos também rezar para que a verdadeira e profética justiça prevaleça para todos os envolvidos!”, declarou padre Brehl, um canadense no comando da congregação desde 2009.

 

 

 Com informações do G1, Jornal Anhanguera, Metrópolis, O Globo.