Desmatamento ilegal incentivado pelo ministro do Meio Ambiente mancha a imagem no Brasil no exterior e pode levar a sanção de produtos brasileiros.

O vídeo da reunião do dia 22 de abril entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus ministros, que teve seu sigilo retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), escancarou a relação do governo federal com o meio ambiente. Em um dos trechos, o ministro Ricardo Salles, responsável pelo setor, pediu que o governo aja de forma “infralegal”.

“A oportunidade que nós temos, que a imprensa está nos dando um pouco de alívio nos outros temas, é passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação, todas as reformas que o mundo inteiro nessas viagens que se referiu o Onyx [Lorenzoni] certamente cobrou dele, cobrou do Paulo [Guedes]”, afirmou Salles na reunião.

Grilagem

Recentemente, o governo apresentou a Medida Provisória 941, que ficou conhecida como “MP da Grilagem”, que foi editada por Bolsonaro no final de 2019 e que foi apresentada por parlamentares durante a pandemia do coronavírus. O projeto foi criticado por ambientalistas e movimentos populares do campo.

Desmatamento

De acordo com dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), – que não é ligado ao governo – o desmatamento na Amazônia cresceu 171%. Segundo a Imazon, área florestal desmatada em abril foi de 529 km², equivalente ao município de Porto Alegre.

O desflorestamento se deu em em seis estados: Pará, responsável por 32% do desmatamento; Mato Grosso (26%); Rondônia (19%); Amazonas (18%); Roraima (4%); e Acre (1%). No entanto, isso se refletiu em apenas dez municípios: Altamira (PA), com 72 km²; São Félix do Xingu (PA), com 44 km²; Apuí (AM), com 38 km²; Porto Velho (RO), com 31 km²; Lábrea (AM), com 23 km²; Colniza (MT), com 22 km²; Novo Progresso (PA), com 16 km²; Candeia do Jamari (RO), com 14 km²; Cujubim (RO), com 14 km²; e Jacareacanga (PA), com 12 km². Destes, somente Apuí não está na lista de prioridades de proteção do Ministério do Meio Ambiente.

As lideranças do agronegócio já foram alertadas pela União Européia sobre possiveis sanções a produtos brasileiros como resposta às queimadas e desflorestamento na Amazônica.

Os produtores podem se queimar no fogo ateado pelos grileiros, garimpeiros e madeireiros ilegais que apoiam o presidente Jair Bolsonaro.

A bancada ruralista deveria rever sua sanha de avançar nas terras indígenas, de quilombolas e de preservação sob pena queimar a imagem do agronegóciobrasileiro diante dos grandes mercados consumidores internacionais.

Com informações do Brasil de Fato e G1.

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