Em artigo publicado no seu site, o Diário de Goiás, o jornalista Altair Tavares narra o descontentamento dos empresários goianos com a Enel, empresa que comprou a Celg, que foi vendIda pelo ex-governador Marconi Perillo(PSDB) grupo italiano, que tem a pior nota da Aneel(Agência Nacional de Energia Elétrica).

Em 2010 o então governador Alcides Rodrigues e o presidente Lula acertaram parceria para recuperação da Celg(Companhia Energética do Estado de Goiás).

Pelo acordo a União compraria 49% das ações da Celg, em pagamento a dívida bilionária da empresa com Furnas e Eletrobrás, e de quebra, aportaria um recurso de R$ 1 bilhão para investimentos no setor elétrico do Estado. O senador Marconi Perillo(PSDB), candidato ao governo de Goiás impediu o acordo. Oito anos depous vendeu 100% da Celg ao grupo italiano Enel.

Ontem o jornalista Altair Tavares acompanhou reunião de empresários na Fieg(Federação das Indústrias do Estado de Goiás), onde goram muitas as criticas contra os serviços prestados pela Enel. Na reunião foi sugerida até a desprivatização da Celg.

Confira:

 

“A Enel está matando Goiás”

Por Altair Tavares

 

A frase é de Edwal Freitas Portilho e resumiu bem o sentimento e a preocupação dos empresários reunidos com os representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL na sede da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG). Ele é diretor executivo da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (ADIAL).

LEIA TAMBÉM: Na FIEG, ANEEL expõe dados que confirmam piora do atendimento da ENEL

Com uma sequência de dados sobre o desempenho da ENEL, os representantes do órgão regulador mostraram no “powerpoint” o que os empresários vivem na prática.

No entanto, ao fim da reunião ficou uma sensação de que há pouca margem para uma mudança imediata.

O tom de protesto também foi apresentado, inclusive com a voz embargada (de raiva), por Eduardo Veras, vice presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (FAEG).

Marcelo Baiochi, presidente da Federação do Comércio, foi um dos primeiros a mostrar a indignação do setor com a empresa de energia. “Nós não podemos continuar com a pior empresa de energia do país”, protestou.

Uma das pendências da ENEL, prometidas à ANEEL, é a ligação de 23  mil pontos em propriedades rurais goianas. No entanto, se a empresa fizer o serviço imediatamente, o custo da energia será muito maior.

A regra é essa: Quanto mais a ENEL investe, mais ela pode aumentar a tarifa de energia. Enfim, se ela investiu R$1,5 bi em 2017 e 2018, o consumidor está pagando a conta com reajustes muito acima da inflação.

É comum o cliente da empresa relatar que sua conta está 2 ou 3 vezes mais cara do que a dois anos. Se a empresa aumentar os investimentos, vai ficar pior.

De volta à frase de abertura: A Enel está matando Goiás. A frase refere-se à falta de energia para os empreendimentos em Goiás em todos os setores.

Sem energia, não melhora a produção, nem amplia a arrecadação. Nem aumenta o Produto Interno Bruto (PIB), nem empregos.

O verbo “matar”, da frase, significa conter o desenvolvimento do Estado de Goiás.

Empresários e representantes da ANEEL, na FIEG: Um coro de reclamações (foto Altair Tavares)
empresarios reuniao aneel foto silvio simoes

A ENEL arrumou inimigos por todos os lados. Do governador Ronaldo Caiado à ADIAL. Da FIEG até a FAEG e à FECOMÉRCIO.

E, o maior de todos os inimigos, em volume: O consumidor. Ele reclama do alto preço da conta de energia e, se aumentar os investimentos, ele vai pagar a conta.

Como sempre.

Daquí a pouco, ou o Estado de Goiás retoma a ENEL, ou a empresa “mata” Goiás.

Que cenário tenebroso.

 

*Altair Tavares é jornalista, radialista, professor e editor do Diario de Goiás.