O site  Brasil de Fato indica fontes oficiais para que você não caia em fake news e esteja bem informado durante a pandemia mundial.

 

Lu Sudré – Brasil de Fato | São Paulo (SP) – Gargarejo com vinagre e água morna, prender a respiração e beber água ao mesmo tempo, apenas tocar em objetos com a ‘mão não dominante’, ingerir remédio utilizado para o tratamento de malária e vacina para cachorros.

Por mais absurdo que pareça, essas foram algumas das fake news que circularam pelas redes sociais nos últimos dias como sugestões para o enfrentamento da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Em estado de calamidade pública, o Brasil passa pelo que pode se concretizar como o maior desafio na área da saúde pública de sua história. Segundo as secretarias estaduais de saúde, até a manhã deste sábado (21) haviam 986 casos confirmados de pessoas infectadas pelo coronavírus em todo país e 11 mortes registradas – duas no Rio de Janeiro e nove em São Paulo.

Alisson Sampaio, médico da família e integrante da Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares, avalia que, em meio ao delicado cenário, as informações falsas compartilhadas pelas redes sociais tem confundido e preocupado ainda mais os brasileiros. “As fake news acabam desinformando a população e tirando o foco do que deveria ser, que é as pessoas ficarem em casa e não entrarem em pânico”, afirma o especialista.

Entre as mensagens que tem circulado, ele enxerga com maior preocupação as indicações que envolvem o uso ou não de medicamentos, que surgem de pesquisa iniciais e são tomadas como verdade absoluta ou não encontram nenhuma referência na realidade.

“Os casos de coronavírus são recentes, não temos estudos clínicos suficiente para dizer qual medicamento é melhor. Saiu um estudo que levantou uma hipótese que alguns remédios de pressão como losartana poderia aumentar a mortalidade de pessoas com coronavírus. É uma hipótese mas não foi confirmada. Essa informação circulou nas redes sociais, gerou pânico e um bocado de paciente hipertenso deixou de tomar a medicação, com medo, mas não estavam nem com sintomas do coronavírus”, comenta Sampaio.

O médico condena o compartilhamento de informações falsas de forma categórica e sublinha que as fake news prejudicam o combate ao coronavírus.

“É um desserviço descomunal. Faz com que tire o foco do que são as medidas de contenção. As pessoas precisam ficar em casa para que o vírus não circule entre a população”, reforça.

A batalha contra as fakes news também tem tomado tempo do governo de São Paulo, estado com o maior número de mortes e pessoas infectadas. De acordo com Eduardo Pugnali, secretário executivo da Secretaria de Comunicação do Estado de SP (Secom-SP), a pasta tem realizado, na medida do possível, o monitoramento cuidadoso de mensagens e áudios que circulam pelas redes sociais.

O profissional afirma que a informação inverídica que mais circulou na última semana indicava números de telefones do governo para a denúncia de casos do coronavírus no estado, com contatos reais mas que não são utilizados para essa função, gerando o congestionando as linhas.

O secretário também relata que estão crescendo os casos de golpe envolvendo a covid-19. Pessoas enviam mensagens oferecendo testes para a doença em casa, e ao serem recebidos, cometem assaltos.

Houve ainda o caso de um homem que organizou uma vaquinha virtual que supostamente estaria arrecadando verbas para o combate ao coronavírus em nome do estado, utilizando inclusive o logo do governo.

Pugnali ressalta a importância de checar as informações recebidas em órgãos oficiais para não cair em golpes ou arriscar a própria saúde.

“Tudo que a comunicação oficial tem feito é para não gerar pânico e trazer a informação correta. A fake news tem um poder de combustível em uma fogueira. Joga gasolina, incendeia mais. As pessoas ficam preocupadas. ‘Recebi o áudio de uma tia que tem uma amiga que trabalha no Einstein…’ e cria lendas urbanas. As fake news nada mais são do que as lendas urbanas de antigamente, mas hoje, com o Whatsapp e com as redes sociais, as pessoas espalham isso de uma forma muito rápida e se consolida como verdade”.

Para ajuda a interromper a reprodução de mensagens falsas sobre o coronavírus, o Brasil de Fato indica sites, aplicativos e fontes oficiais com informações seguras sobre o combate à covid-19 em todo o território nacional. Confira e clique nos hiperlinks para acessar as plataformas.

1 – Ministério da Saúde 

O site oficial do Ministério da Saúde está com uma página destinada somente à pandemia, que contém informações que explicam o que é o coronavírus, como funciona o tratamento, quais são os sintomas, orientações para higienização correta e boletim epidemiológico, com dados de monitoramento da doença.

O endereço eletrônico disponibiliza ainda os planos de contingência por estado e o protocolo de manejo clínico para a covid-19. O canal do Youtube da pasta também conta com conteúdo específico sobre a pandemia.

Acompanhar as transmissões e entrevistas coletivas das ações do Ministério, que também são publicadas posteriormente no Youtube, é outra forma de se manter informado.

2 – Aplicativo Coronavírus-SUS

A plataforma disponível para celulares com sistema Android e IOS, também criada pelo Ministério da Saúde, apresenta dicas de prevenção e notícias oficiais sobre o coronavírus em um só lugar.

O Coronavírus-SUS é gratuito e permite que o usuário busque as unidades de saúde mais próximas utilizando o serviço de geolocalização do celular. Para fazer o download do aplicativo, acesse a Play Store ou Apple Store nos dispositivos.

3 – Whatsapp: Saúde Sem Fake News

Criado antes mesmo da pandemia, o Saúde Sem Fake News é um número de Whatsapp para qual é possível enviar mensagens e imagens recebidas em suas redes sociais para que as áreas técnicas do Ministério da Saúde as analisem e respondam oficialmente se são verdade ou mentira.

Qualquer cidadão pode enviar mensagens com imagens ou textos para confirmar sua veracidade antes de compartilhá-la, adicionando o número (61) 99289-4640 na sua agenda e contatá-lo pelo Whatsapp.

É importante frisar que o canal não tira dúvidas diretamente da população, ou seja, não responde a outros tipos de perguntas, e analisa apenas informações de fake news relacionadas à saúde pública.

4 – Telegram: Coronavírus – Governo do Estado de SP

O grupo, disponível na plataforma Telegram, foi criado pela Secretaria de Comunicação do governo Doria e se tornou um canal de informações oficial. Nesta lista, apenas a Secom pode enviar mensagens, ou seja, as informações recebidas são apenas as oficiais.

São postadas, diariamente, informações sobre as medidas tomadas pelo governo de São Paulo contra o coronavírus, avisos de coletivas de imprensa e principalmente cards que desmentem as fake news que a Secretaria consegue identificar.

Em parceria com a secretaria de saúde, as informações são analisadas e, caso sejam inverídicas de fato, são veiculadas com um selo de falso por meio de cards produzidos pela  própria Secom. As peças são distribuídas em todos canais oficiais do governo estadual e podem ser reproduzidas livremente.

Até o momento, quase 15 mil pessoas participam do grupo. Para participar, acesse o link de convite clicando aqui.É necessário possuir o aplicativo Telegram instalado no celular.


Exemplo de cards produzidos pela Secom do governo estadual / Foto: Divulgação

5 – Fiocruz

Atuando há décadas, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é referência nas discussões e especialistas na área da saúde pública. O site oficial da instituição apresenta conteúdo especial sobre o coronavírus, onde é possível conferir notícias, vídeos, e tirar dúvidas sobre a pandemia.

A Fiocruz lançou, inclusive, um Guia de Tecnologias Educacionais para facilitar atividades durante o período de quarentena virtualmente e tem publicado notícias para esclarecer as fake news. 

6 – Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares (RNMMP)

O Facebook e o Instagram da Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares, organização de profissionais que defendem a justiça social, o direito à saúde e o Sistema Único de Saúde (SUS), também está aglutinando informações confiáveis e de especialistas sobre o coronavírus. Confira as dicas sistematizadas pela Rede.

7 – Associação Brasileira de Saúde Coletiva 

A Abrasco é uma organização constituída por instituições de ensino, pesquisa ou serviços que desenvolvem formação de trabalhadores graduados e pós-graduados em Saúde Coletiva. Durante a pandemia, seus canais oficiais na internet publicam diariamente conteúdos sobre o coronavírus além das entrevistas de seus especialistas cedidas para a imprensa.

Edição: Douglas Matos