Segundo Esper Kallás, metade dessas pessoas receberão a vacina e a outra placebo; a partir daí será observado se a vacina será eficaz no combate ao coronavírus.

Jornal da USP – Neste momento, alguns países desenvolvem pesquisas na busca de uma vacina que responda satisfatoriamente, tanto na eficiência quanto na segurança, na doença causada pelo novo coronavírus.

Com este objetivo, o governador de São Paulo anunciou uma parceria inédita com a empresa  farmacêutica chinesa Sinovac para a produção e testes dessa vacina.

Conhecida como CoronaVac, já passou pelas fases um e dois no país asiático. O Brasil fará parte da terceira fase de testes com supervisão do Instituto Butantan, em 12 centros, entre eles o Hospital das Clinicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

A fase três do estudo acaba de ser iniciada em São Paulo. “A gente tem que celebrar a realização de pesquisas que vão esclarecer o que a gente gostaria de saber sobre vacinas candidatas contra a covid-19. Cada uma delas vai gerar um resultado, cada uma delas vai ter um desempenho. É possível que muitas delas deem certo, e infelizmente a gente tem sempre que colocar na balança a possibilidade de alguma não dar certo, mas é para isso que nós fazemos esses projetos de pesquisa”, comenta Esper Kallás, professor do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP e coordenador do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas que acompanha de perto o teste da vacina.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o professor Kallás esclarece que existem mais de 160 produtos sendo desenvolvidos no intuito de se transformarem em uma vacina, e apenas alguns sobrevivem à etapa de desenvolvimento, mostrando que são úteis e entrando no mercado.

Desses, 23 já se encontram em fase clínica de testes em humanos. A fase três busca mostrar se as pessoas que vão receber a vacina (que não tiveram a covid-19) estarão protegidas contra o desenvolvimento da doença.

Kallás aproveita a oportunidade para explicar as diferentes formas de se produzir uma vacina. No caso da Sinovac, o processo de produção deriva de uma forma antiga de se produzir vacinas com vírus inativado.

Ele cita que vacinas deste tipo geralmente têm uma indução de resposta imune baixa, quando comparada às vacinas com vírus enfraquecido. Devido a este fator, os voluntários receberão duas doses, com intervalo de 14 dias, um valor respaldado pelas fases anteriores do estudo.

Através de 12 equipes, espalhadas pelo Brasil, espera-se que 9 mil pessoas sejam testadas até o fim de setembro. Metade dessas pessoas receberão a vacina e a outra metade receberá o placebo; a partir disso será observado se ocorreu o desenvolvimento da covid-19 e isso mostrará se a vacina será eficaz ou não.