Governador Ronaldo Caiado (DEM) tem pela frente o desafio de melhorar as relações com o Legislativo Estadual.
Veja a íntegra do artigo:
Lissauer repete Tejota, 19 anos depois
Marcus Vinícius
O presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira (PSB) emplacou a emenda da reeleição com um placar largo: 28 votos a favor e seis contra. Certamente esta possibilidade não estava nos planos do governador Ronaldo Caiado (DEM), assim como não estava, 19 anos atras, nos planos do governador Marconi Perillo (PSDB).
O deputado estadual Sebastião Tejota (PSDB)  era o representante máximo do prefeito Nion Albernaz (PSDB), que governou Goiânia em três oportunidades (1983-1985; 1989-1992 e 1997-2000). Eleito pela primeira vez em 1994, foi reeleito em 1998, quando Marconi conquistou o seu primeiro mandato. Tejota não era o nome de Marconi para a eleição na presidência da Alego, mas Tejota se bancou e foi eleito. No ano 2000, à revelia de Marconi, Tejota emplacou a emenda da reeleição, e ficou mais dois anos no comando do Legislativo, de onde só saiu em 2003, após ser indicado pela Alego a uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, não sem antes eleger o seu sucessor, o deputado estadual Samuel Almeida (PSDB), que tinha na época forte ligação com o então presidente do Banco Central Henrique Meirelles.
Tejota foi o único deputado a “passar a perna” em Marconi quatro vezes. Depois dele, o Poder Legislativo ficou mais agachado que fiofó de cobra para o Palácio das Esmeraldas.
Lissauer não era o nome de Caiado para presidir a Alego. O governador tinha como preferido o decano Álvaro Guimarães (DEM). Uma escolha, até certo ponto, compreensível. Natural até. Mas Lissauer soube se articular e ás vésperas da eleição chegou a procurar o governador para pactuarem uma eleição por unanimidade. O acordo não aconteceu e Lissauer deu um capote na Casa Verde.
Agora Lissauer garante a possibilidade de reeleição, e tudo indica que isto deverá se materializar no final do seu primeiro mandato. O presidente deve ficar quatro anos á frente do Legislativo, pois tem dado fortes indicações de que não é candidato à prefeitura de Rio Verde. Prefere continuar no exercício do seu mandato, e quem sabe alçar vôos mais altos em 2022.
Em 1999, 2001 e 2003 Marconi subestimou Tejota, que lhe derrotou no seu próprio quintal. Não houve, no entanto, prejuízos ao seu governo, uma vez que tanto Tejota, quanto Samuel eram seus aliados. Houve apenas um Legislativo mais independente, coisa que Marconi não deseja, mas soube conviver e depois deu a volta por cima, influenciando a eleição de todos os presidentes que vieram a seguir.
O deputado estadual Lissauer Vieira não é adversário, tampouco faz oposição frontal ao governo de Ronaldo Caiado. Sua virtual reeleição não implica, necessariamente, em ameaça ao governador. Mas o movimento atual emite sinais de insatisfação que devem  ser interpretados pela Casa Verde.
A interlocução entre o Executivo e o Legislativo não é boa. Quem pode fazer este diálogo não tem poder. E quem faz, tem poder, mas não leva jeito.
 Em cada área é necessário um profissional qualificado.
Há 40 anos em Goiás, ainda existiam bovinos que não conheciam o cheiro de gente. Manadas inteiras de vacas ficam sumidas nas capoeiras e matas e para desentocar estes bois brados era preciso o uso de cachorros, de preferência o da raça fila brasileiro. Este gado era levado para um pasto, tratado com sal, e aos poucos ia amansando. Mas as vezes uma ou outra rês se desgarrava. E aí, para trazê-la de volta o recurso era outro. O peão leva duas ou três vacas mansas ao seu encontro, e as chamadas “madrinhas”, escoltavam aquela desgarrada de volta.
Na política é preciso usar  estratégias que gerem aproximação e confiança. É uma área onde também há efeitos de manada, tanto para fazer o ajuntamento, quando para criar dispersão ou o estouro da boiada.
Quem tem traquejo sabe ajuntar. Quem é estabanado espanta.
Política é para políticos. Quem ignora isto costuma se estrepar.