Os Estados Unidos deixam o Afeganistão após uma caótica missão de retirada aérea, quase 20 anos depois da invasão do país em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001. O Major Chris Donahue (foto), comandante da 82a Divisão da Aeronáutica, foi o último oficial norte-americano a embarca no avião cargueiro C-17 no aeroporto de Cabul, e portanto, o último oficial americano a deixar o Afeganistão.

Mais de 122 mil pessoas foram retiradas de Cabul desde 14 de agosto, um dia antes de o Talibã – que em 2001 abrigava o grupo militante Al Qaeda, que foi responsabilizado pelos ataques em Nova York e Washington – retomar o controle do país.

O principal diplomata dos EUA no Afeganistão, Ross Wilson, estava no último voo de um avião C-17 dos EUA, disse o general Frank McKenzie, chefe do Comando Central dos EUA, em uma coletiva de imprensa do Pentágono.

A retirada aérea de emergência chegou ao fim antes do prazo de terça-feira (31) estabelecido pelo presidente dos EUA, Joe Biden, que herdou um acordo de retirada de tropas feito com o Talibã por seu antecessor Donald Trump e decidiu no início deste ano concluir a retirada.

Os Estados Unidos e seus aliados ocidentais lutaram para salvar cidadãos de seus próprios países, bem como tradutores, funcionários de embaixadas locais, ativistas de direitos civis, jornalistas e outros afegãos vulneráveis a represálias do Talibã. A Casa Branca informou que 97 países fizeram um acordo com o Talibã para garantir a saída de seus cidadãos do Afeganistão. Divulgado no domingo 29, o documento ressalta que os extremistas asseguraram a retirada em segurança de estrangeiros e afegãos com autorização de viagem dos países listados. O êxodo poderá ocorrer mesmo depois da terça-feira 31, dia em que as tropas norte-americanas farão o último voo de resgate de pessoas ainda no local.

As retiradas se tornaram ainda mais perigosas quando um ataque suicida reivindicado pelo Estado Islâmico – inimigo tanto do Ocidente quanto do Talibã – matou 13 militares norte-americanos e dezenas de afegãos que esperavam nos portões do aeroporto na quinta-feira (26) passada.

Biden, que tem enfrentado críticas intensas nos EUA e no exterior por causa de suas decisões sobre o Afeganistão, prometeu perseguir os responsáveis, após o sangrento ataque ao aeroporto de Cabul .

EUA deixam para trás US$ 85 bilhões em armas nas mãos do Talibã

 

“O governo Biden deixou US$ 85 bilhões (R$ 442 bilhões, na cotação atual) de equipamentos norte-americanos nas mãos do nosso inimigo”, denunciou o deputado de Indiana na Câmara Americana, Jim Banks,. Segundo Banks que a Casa Branca foi omissa no que diz respeito ao Afeganistão. “Não há nenhum plano deste governo para recuperar as nossas armas”, criticou.

Entre as armas estão 4 cargeiros C-130, 33 helicópteros Blackhawk, 33 helicópteros M-17, 23 aviões Embraer Super-tucano, 8 mil caminhões, 42 mil caminhonetes, milhares de metralhadoras, pistolas e munições.

Entre 2003 e 2016, os EUA passaram uma enorme quantidade de equipamento militar para as forças afegãs que lutaram a seu lado: 358.530 rifles de diferentes marcas, mais de 64 mil metralhadoras, 25.327 lançadores de granadas e 22.174 Humvees, de acordo com um relatório do governo americano.

Depois que as forças da aliança militar Otan encerraram seu papel de combate em 2014, a proteção do país ficou a cargo do Exército afegão. Enquanto este lutava para conter o Talibã, os EUA forneciam mais equipamentos militares e substituíam as armas mais antigas.

Os americanos forneceram cerca de 20 mil rifles M16 somente em 2017. Nos anos seguintes, os EUA contribuíram com pelo menos 3.598 rifles M4 e 3.012 Humvees, entre outros equipamentos, para as forças de segurança afegãs entre 2017 e 2021, de acordo com o Sigar.

O Exército afegão também tinha veículos blindados MSFV, que usava para operações de emergência. Esses veículos 4×4 podem ser usados para transportar pessoas ou equipamentos.

 

 

Com informações da Agência Brasil e G1