O ex-diretor do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, teria ocultado do MPF a aquisição do modelo mais barato.

do BdF

O governo federal pagou R$ 8,65 por cada unidade da máscara KN95, considerada imprópria para profissionais de saúde. O montante é 141% mais alto do que o valor unitário pago pelo modelo PFF2, um dos mais eficazes na proteção contra o coronavírus.

Na compra da PFF2, o contrato celebrado diretamente com a fabricante, a 3M do Brasil, previa custo de R$ 3,59 por unidade. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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O contrato que previa a compra de 500 mil unidades da PFF2 foi omitido do Ministério Público Federal (MPF), que investiga a compra de equipamentos de proteção irregulares durante a pandemia. A informação só foi fornecida depois de muita insistência do órgão federal.

Ao esconder a negociação, o Executivo dificultou que os dois preços fossem comparados, impossibilitando que se chegasse à conclusão de que as máscaras ineficazes custaram mais que o dobro das eficazes.

As duas aquisições foram assinados pelo então diretor do Departamento de Logística em Saúde, Roberto Ferreira Dias, demitido após ser denunciado por cobrar propina de US$ 1 por dose na compra de vacinas contra a covid-19.

Ainda de acordo com a Folha, Dias enviou uma tabela de contratos ao MPF que não fazia qualquer menção à aquisição das máscaras PFF2, mais apropriadas para uso.

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Ambas as compras foram feitas na gestão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em abril do ano passado.

A negociação com a 3M, firmada em 12 de março de 2020, totalizou R$ 1,79 milhão. Já a compra dos modelos KN95 – adquiridas de uma empresa de Hong Kong – estava embutida em um contrato no valor de R$ 691,7 milhões que também previa a aquisição de máscaras cirúrgicas. Metade desse valor diz respeito à compra dos equipamentos ineficazes.

Edição: Arturo Hartmann