Reportagem do site russo Sputinik Brasil alerta que a política do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL)   de liberação de 262 agrotóxicos e pesticidas podem levar a rejeição de produtos agrícolas brasileiros na Europa e também na China.

A política ambiental do governo segue a mesma premissa e bate recordes de desmatamento, além de questionar publicamente dados de institutos que monitoram o avanço das motosserras no Brasil.

Essa postura tem levantado preocupações fora do Brasil e pode interferir em acordos econômicos, como o recém fechado acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

Para comentar a questão, a Sputnik Brasil conversou com Helena Margarido Moreira, pesquisadora em Relações Internacionais e Política Ambiental e professora da Universidade Anhembi Morumbi.

Para a pesquisadora, a política ambiental e de liberação dos agrotóxicos do atual governo é “alarmante” e “preocupante”. Ela também alerta que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode incluir barreiras em relação aos pesticidas.

A pesquisadora se refere a uma cláusula incluída no acordo nomeada de “princípio de precaução”, que tem gerado preocupações entre os produtores brasileiros.

“[Essa cláusula] pode permitir que a União Europeia coloque barreiras para produtos suspeitos por uso de agrotóxico, principalmente esses que são proibidos na União Europeia ou produtos [agropecuários] que tenham sido criados em áreas ilegais de desmatamento”, afirma a pesquisadora em entrevista à Sputnik Brasil.

China de olho

Segundo o professor de Economia Ecológica Fábio Maia Sobral, da Universidade Federal do Ceará (UFC), o cenário que se apresenta no setor alimentício representa um “suicídio ambiental” para o Brasil, na medida em que o amplo emprego de variados agrotóxicos implicaria na redução de agentes polinizadores e, no médio ou longo prazo, no desaparecimento da capacidade de produção da agricultura brasileira.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista afirma que, além do custo ambiental, o uso indiscriminado desses produtos pode, sim, trazer enormes riscos para a saúde da população, “o que significa que o que é ganho nos balanços das fazendas, das empresas agrícolas, é perdido pelo sistema de saúde através dos males causados”. E, fora isso, é preciso destacar também a possibilidade de o Brasil ser alvo de barreiras impostas por outros países a seus produtos.

“Então, você tem três fontes de perda imediata: o desaparecimento dos polinizadores, a elevação dos problemas de saúde pública e a possibilidade de barreiras fitossanitárias ao agronegócio brasileiro”, explica Sobral.

Ainda de acordo com o acadêmico, no que diz respeito às exportações brasileiras nesse setor, um dos mais importantes da economia nacional, é inevitável o surgimento de empecilhos às vendas de produtos agrícolas para o mercado internacional, já que, além da Europa, que já vem adotando duras medidas a esse respeito há algum tempo, a China, principal parceiro do Brasil, também vem mudando de postura em relação a questões ambientais.

O governo chinês tem apresentado programas muito intensos de recuperação ambiental, e, agora, começa a agir no mundo também”, disse ele à Sputnik. “Em breve, nós teremos um problema também com a China.” 

 

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