Artigo na revista Science afirma que a promoção de remédios ineficazes pelo governo federal do Brasil é responsável pelo grande número de mortos.

Do Sputnik News

Uma publicação feita pela conceituada revista Science nesta quarta-feira (14) aponta que “a resposta federal [do Brasil] tem sido uma combinação perigosa de inação e irregularidades, incluindo a promoção da cloroquina como tratamento, apesar da falta de evidências”.

Conduzido por pesquisadores brasileiros e norte-americanos, o artigo faz elogios ao Sistema Único de Saúde (SUS), e diz que o Brasil poderia ter dado uma resposta eficaz à pandemia. Porém, a falta de incentivo e ações imediatas facilitaram a circulação do vírus.

“Sem uma estratégia nacional coordenada, as respostas locais variaram em forma, intensidade, duração e horários de início e fim, até certo ponto associadas a alinhamentos políticos”, diz a publicação.

Os cientistas apontam, também, entre uma das causas para o recorde de mortes no país, a baixa capacidade de testes no Brasil. Além disso, “os primeiros kits de testes de RT-PCR diagnósticos começaram a ser produzidos no país apenas em março”.

Os cientistas também citam a variante brasileira de Manaus, a qual qualificam como mais transmissível e capaz de escapar da imunidade de infecção anterior”.

“Essa variante está se espalhando por todo o país. Tornou-se o mais prevalente em circulação em seis dos oito estados onde as investigações foram realizadas”, escreveram.

A publicação explica a rápida disseminação de casos e óbitos pela COVID-19 no Brasil com padrões distintos em cada estado. “O alinhamento político entre governadores e presidente teve um papel no momento e na intensidade das medidas de distanciamento, e a polarização politizou a pandemia com consequências para a adesão às ações de controle”.