O Brasil registrou, na quinta (15), mais 3.560 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, em março de 2020, são 365.444 vítimas. Os números  não incluem dados do Ceará, por problemas no processamento. Em relação ao número de novos casos, foram reportados 73.147, número ligeiramente acima da média móvel, calculada em sete dias, que está em 66.689. Goiás registrou ontem 202 mortes, e o Estado já tem 13.410 óbitos.

Com a pandemia do novo coronavírus totalmente descontrolada no Brasil, país passa a ser considerado ameaça global e, assustadas com os recordes diários de mortes e novos casos, autoridades de vários países proíbem ou restringem voos ao território nacional. Pelo menos 22 nações países decidiram colocar barreiras para entradas de brasileiros, depois do crescimento de novas variantes do vírus, mais agressiva e fatal. A informação é da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

Restringiram voos ao Brasil para conter o avanço da doença em seus países países como França, que decidiu nesta terça-feira (13) proibir entradas de brasileiros, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Áustria, Bangladesh, Cidade do Vaticano, Colômbia, Espanha, EUA, França, Holanda, Irã, Itália, Japão, Marrocos, Omã, Paquistão, Peru, Reino Unido e San Marino.

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Fiocruz

Já a média de mortes está em 2.917, em relativa estabilidade desde o dia 30 de março. O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Leonardo Bastos, que trabalha com estatísticas da covid-19, identifica uma tendência de estabilidade. “Podemos dizer que ‘chegamos ao pico’ na maioria dos lugares”, disse. O recorde de mortes no Brasil ocorreu na última terça (6), com 4.211 óbitos em 24 h, segundo  informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).Eventualmente, elas podem divergir do informado pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências, para mais ou para menos, são sempre ajustadas após a atualização dos dados.

No dia 9 de março deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o país epicentro da doença no mundo, quando ultrapassou os Estados Unidos em mortes e casos reportados diariamente.

Cenário

A partir de dados da Fiocruz divulgados desta quarta-feirra (14), Bastos avalia o cenário de cada unidade da Federação. “Boa notícia: Hospitalizações e óbitos pararam de crescer. Má notícia: Ainda seguem em patamares muito altos”, revela.

Se o país quiser abreviar o pico, a entidade é clara sobre que medidas são necessárias: isolamento social, realização em massa de testes, aceleração no processo de vacinação e intensificação em medidas preventivas, como uso de máscaras e higiene das mãos.

A análise das regiões sugere que, no Nordeste, “vemos duas ondas muito bem definidas, com as hospitalizações ainda numerosas, mas em movimento de queda. Ceará e Bahia são exemplos. As exceções ficam para Maranhão e Pernambuco. Este último não teve uma segunda onda bem definida”, explica o cientista.

“O Maranhão segue em situação preocupante, com alta tanto nas hospitalizações quanto nos óbitos. Provavelmente associado com uma nova variante encontrada no estado”, completa.

Ondas

Já no Sudeste, “todos os estados mostram um cenário preocupante, pois apesar de um início de queda, parece haver uma estabilização num patamar muito alto para as hospitalizações”.

O dado reforça o alerta para a continuidade de falta de leitos de UTI na região. Também é alarmante o nível dos estoques de medicamentos para intubação, chegando a faltar em alguns locais, como no Rio de Janeiro.

“Centro Oeste: Distrito Federal e Goiás tem um perfil bem similar com duas ondas e início de queda. Mato Grosso tem uma segunda onda. E Mato Grosso do Sul tem um padrão similar à região Sul com três ondas bem definidas (…) A região Sul passa por um cenário preocupante, apesar de queda na terceira onda, há indícios de estabilização num patamar muito alto, até maior que os picos das duas ondas anteriores, Rio Grande do Sul e Paraná e óbitos em Santa Catarina”, completa o especialista.

A partir da descrição dos fatos, o maior receio dos especialistas é o surgimento de novas ondas, em platôs de estabilidade elevados. Isso pode resultar em descontrole ainda maior, com surgimento de novas variedades da covid-19.

“Apesar de vários estados estarem em queda de hospitalizações (e até óbitos) o patamar atual ainda é muito alto. Sem uma boa cobertura vacinal, veremos outras ondas. Não tem porque esperar que isso termine no curto e médio prazo, portanto mantenham as medidas de segurança”, completou Bastos.

Mundo

A Índia ultrapassou o Brasil em números de casos de Covid-19 e pode se tornar epicentro mundial da doença. O país bateu recorde de 200 mil novos casos de Covid-19 em 24 horas e passou de 14 milhões de infectados, apontam dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (15).

A Índia registrou mais de 1,15 milhão de infectados nos últimos sete dias, passou o Brasil em casos confirmados na segunda-feira (12) e agora está atrás apenas dos EUA (31,4 milhões).

Em número de mortes, a Índia teve 1.038 óbitos em 24 horas, um recorde desde outubro, e é o quarto país do mundo em número de vítimas do coronavírus, com 175 mil, atrás de EUA (564 mil), Brasil (361 mil) e México (210 mil).

O recorde casos em 24 horas ainda é dos Estados Unidos, que teve mais de 300 mil registrados em 2 de janeiro. O recorde de infectados do Brasil é de 97,5 mil novos casos em 24 horas, em 25 de março.

 

Mais de 90% de ocupação de leitos

Cerca de 17 capitais brasileiras e o Distrito Federal estão com 90% ou mais de seus leitos de UTI ocupados com pacientes em estado grave em decorrência da doença. A situação teve uma leve melhora em relação à semana passada, quando o país registrava 21 capitais com taxa de lotação acima de 90%.

Porto Velho e Campo Grande estão com todas as suas UTIs em uso para casos mais críticos da doença, segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo.

Mato Grosso do Sul opera com os hospitais acima da ocupação máxima. A fila por leitos praticamente não variou de uma semana para outra e está com 134 pessoas.

O estado registrou 958 mortos pela Covid-19 em março, o que representa quase 30% do total de óbitos pela doença até o início do mês.

Já em Campo Grande, mesmo com a abertura de novos leitos, 103% das UTIs estão ocupadas.

Rio Grande do Norte estava com ocupação chegou a 98,3%, nesta segunda. Cuiabá segue com ocupação alta, com 97% das 307 vagas em uso. Na última semana, o índice de ocupação era o mesmo.

Nesta quarta-feira, os dados do Ceará não foram divulgados por causa de problemas no gerenciador de ambiente laboratorial, segundo a secretaria de saúde do estado.

Goiás Nas últimas 24 horas, a secretaria de Saúde contou mais 202 óbitos e 2.871 casos. A rede hospitalar estadual está com 91% dos 570 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados. Já 66% das 740 vagas de enfermaria disponibilizadas para pacientes com Covid-19 estão com pacientes. Em Goiânia, das 311 vagas de UTI, 79% estão em uso. O índice na enfermaria, que tem 218 leitos, é de 82%. O Complexo Regulador Estadual, que administra os pedidos de vaga, está com 59 pacientes na fila de espera por uma UTI e 81 aguardam um leito de enfermaria. O Estado totalizou 13.410 óbitos por covid-19.

Com informações do BdF, RBA, G1  e SES