Em 2009 a Ford anunciava R$ 4 bilhões de investimentos com instalação de fábricas na Bahia e no Ceará, em 2010, no último do governo do presidente Lula, o Banco do Brasil encerrou o ano de 2010 com um lucro líquido de R$ 11,703 bilhões, o que representou um aumento de 15,3% ante os R$ 10,148 bilhões de 2009.  Após dois anos de governo do presidente Jair Bolsonaro o País recebe a notícia de que a montadora norte-americana vai deixar o país após 100 anos de fabricação de carros em solo nacional, e que cinco mil funcionários do maior banco público brasileiro serão mandados embora em plena pandemia e desemprego.

O desmonte do serviço público de qualidade segue a todo vapor no governo de Jair Bolsonaro (ex- PSL).Mais uma vez, o Banco do Brasil é alvo de demissões que precarizam o atendimento e facilita a privatização. Sem se importar com o atendimento dos seus clientes que mantêm mais de 73 millhões de contas espalhadas por todo o país, a direção do BB, rezando a cartilha neoliberal do ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, anunciou nesta segunda-feira (11) que quer demitir até 5 de fevereiro deste ano, cinco mil trabalhadores e trabalhadoras, por meio de um Plano de Demissão Voluntária (PDV).

Paulo Guedes, durante reunião ministerial, sobre o Banco do Brasil: “Tem de vender essa p* logo”

Além das demissões, serão fechadas 112 agências, 242 postos de atendimento (PA) e sete escritórios, num total de 361 unidades  (ainda não foi anunciado os locais ). O comunicado foi feito ao mercado financeiro pelo vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Carlos José da Costa André.

Essas demissões e fechamentos de unidades se somam aos 17.758 empregos cortados e ao encerramento de 1.058 agências, entre o início de 2016 (ano do golpe contra a ex-presidenta Dilma) e o terceiro trimestre de 2020, o que representa uma queda de 16% e 19% respectivamente, de acordo com o último dado disponível sobre o Banco do Brasil. Por outro lado, no mesmo período o número de clientes do BB cresceu 15%, um acréscimo de 9,4 milhões..

Visando apenas ganhar mais, o Banco do Brasil, diz que vai “economizar” R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025, apesar do lucro bilionário que vem obtendo. Entre 2016 e 2019, o lucro líquido ajustado do BB apresentou crescimento de 122%. Era de R$ 8,033 bilhões em 2016 e subiu para R$ 17,848 bilhões em 2019(o dado completo de 2020 ainda não foi divulgado). No mesmo período as receitas de tarifas e prestação de serviços do banco cresceram 22% passando de R$ 24 bilhões para R$ 29,2 bilhões.

“Ao fechar agências e priorizando o atendimento eletrônico, o Banco do Brasil impede o acesso dos mais idosos e dos que têm baixa escolaridade, não familiarizados com o método, e até mesmo os micro e pequenos empresários, donos de bares, restaurantes e pequenos supermercados que ainda utilizam os caixas do BB para o depósito de malotes de dinheiro. Quem conta esse dinheiro é o bancário que trabalha no Caixa”, alerta João Fukunaga, secretário de assuntos jurídicos do Sindicato dos Bancários de São Paulo e funcionário do Banco do Brasil.

O dirigente acrescenta que a alegação do BB de que as pessoas estão utilizando mais os canais alternativos de atendimento eletrônico não encontra eco nos locais mais distantes dos grandes centros como a capital de São Paulo.

“Ao reduzir o atendimento a direção do BB desmonta o papel social de um banco público, aumentando as filas e dificultando o acesso. O idoso que tem conta no Banco do Brasil vai procurar outra instituição financeira para poder movimentar melhor a sua conta. Ele não vai sair do seu bairro para locais distantes para ser atendido” acredita Fukunaga.

Outro ponto considerado muito ruim pelo dirigente sindical é que o fechamento de agências distantes dos centros urbanos dificultará ao acesso aos agricultores familiares que dependem do crédito do banco. 55% de todo o crédito da agricultura familiar é proveniente do BB.

“ O Banco do Brasil tem a sua maior carteira junto ao agronegócio, mas está abandonando o pequeno agricultor. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura suspendeu os contratos com uma cooperativa ligada a Unisol, para fornecimento de alimentos que compõem a merenda das escolas municipais. Sem uma agência do BB próxima, esse agricultor vai procurar uma agência de um banco privado com taxas de juros extorsivas”, lamenta Fukunaga.

 

Ford, 102 anos de Brasil

“Foi o empresário americano Henry Ford um dos pioneiros a acreditar no potencial de desenvolvimento do Brasil, tornando a Ford a primeira a produzir automóveis no país, em 1919, com o emblemático Modelo T. Começou assim essa riquíssima história escrita por profissionais dedicados e grandes produtos, que ajudam a contar o avanço social, econômico e cultural do Brasil nos últimos 100 anos”.

Assim a Ford conta a história de sua presença no país. O “Modelo T” começou a ser montado – ainda com peças importadas – em 1º de maio de 1919, em um galpão na Rua Florêncio de Abreu, região central de São Paulo. Pois nesta segunda-feira (11) a empresa anunciou o fim dessa história: a Ford vai encerrar neste ano a produção de veículos e fechar as três fábricas no Brasil.

A empresa passará a importar automóveis, principalmente da Argentina e do Uruguai, mantendo aqui um campo de provas e a sede administrativa para a América do Sul. São aproximadamente 6.200 funcionários no Brasil. Serão pelos menos 5 mil cortes, parte deles na Argentina.

ABC fechou em 2019

Em 2019, a montadora já havia desativado a fábrica mais antiga, de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. (A negociação foi concluída apenas em novembro do ano passado.) Desde então, mantinha unidades em Camaçari (BA), com 4 mil funcionários (incluindo terceirizados), Taubaté (SP, com 830) e Horizonte (CE, com 470), nesta última para jipes da Troller.

As duas primeiras serão fechadas imediatamente. “A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável”, diz o presidente e CEO da Ford, Jim Farley. Segundo ele, a companhia está “mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto”.

Com informações da CUT e da RBA (Rede Brasil Atual)