Exposição na próxima  quarta-feira, às 16h, na Câmara dos Deputados.reúne textos, poemas e fotografias exclusivas do ex-deputado Carlos Marighella,  as suas prisões de 1932, 1936, 1939, 1964 e sua luta contra a ditadura civil-militar.

 Renato Dias

Carbonário Baiano filho de um italiano de olhos azuis com uma negra da Etnia Haussá, estudante de Engenharia, em Salvador, a Bahia de todos os santos, nascido em 1912 e morto em 4 de novembro de 1969, há exatos 50 anos, em operação executada por Sérgio Paranhos Fleury, delegado do Deops [SP], Delegacia de Ordem Política e Social, com a mobilização de 57 agentes do Estado, com a colaboração dos dominicanos, que o delataram, sob tortura, Carlos Marighella é alvo de uma exposição. A mostra será aberta dia 6 de novembro de 2019. Ela reúne textos, poemas e fotografias exclusivas do ‘inimigo público número um da ditadura civil e militar’. Com foco em suas prisões de 1932, 1936, 1939 e 1964. A abertura está programada para ocorrer nesta quarta-feira, às 16h. Na Câmara dos Deputados. Anexo II.  Plenário 3. Em Brasília. A Capital da República. O inquilino do Palácio do Planalto, hoje, é Jair Bolsonaro [PSL].

Deputado Constituinte em 1946, Carlos Marighella entrou para a luta contra a ditadura civil-militar e foi morto em uma emboscada preparada pela repressão em 1969

Não custa lembrar: Carlos Marighella adotou a liturgia materialista e dialética. O homem era um adepto das ideias de Karl Marx e Friedrich Engels. Após a revolução cubana, de primeiro de janeiro de 1959, aproximou-se de Fidel Castro, Che Guevara e assumiu a defesa das táticas e estratégias de Régis Debray. O francês formulador das teses da Guerra de Guerrilhas, do ‘foquismo’. Distante de Luiz Carlos Prestes, ‘O Cavaleiro da Esperança’, Pró-Moscou, o co­munista rompe com o PCB, o Partidão, em 1966, participa da Conferência da OLAS, em Hava­na, em 1967, lamenta a morte do médico argentino Ernesto Guevara de La Serna, El Che, em 9 de outubro de 1967, nas selvas da Bolívia, para onde queria exportar a revolução, depois do fracasso no Congo, África, e fundação a ALN, Ação Libertadora Nacional. A  ALN, em consórcio com o MR-8, sem consultá-lo captura o embaixador dos EUA no Brasil, Charles Burke Elbrick.

Morte à espreita

A repressão política e militar fecha o cerco. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás. Os dominicanos são presos. Torturados. Frei Tito de Alencar Lima suicida-se no exílio. Na Fran­ça. Os religiosos revelam as senhas para o estabelecimento de contatos com o ‘band leader’ da ALN. Um encontro é marcado. Sérgio Paranhos Fleury, que poderia prendê-lo, processá-lo e condená-lo, opta pela execução. Extrajudicial. A  sangue frio. Sem direito à defesa. Alameda Casa Branca. São Paulo. Carlos Marighella é morto. Dia 4 de novembro de 1969. No mesmo dia, no Aeroporto de Ezeiza, Buenos Aires, capital da Argentina, revolucionários da ALN capturam um avião da Varig e o desviam para Cuba. Joaquim Câmara Ferreira é seu sucessor. É assassinado em 1970. Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, com Iuri Xavier, Alex Xavier, Zilda Xavier, Iara Xavier, Fausto Jaime continuam a luta. A ALN acaba mesmo no ano de 1984.

 

Serviço

Exposição: Memória, verdade e justiça

Tema: 50 anos da morte de Carlos Marighella

Local: Câmara dos Deputados, Anexo II, Plenário 3, Brasília [DF]

Data e horário: 6 de novembro, quarta-feira, 16h

Entrada: Gratuita