No domingo (08), o Fantástico deu detalhes sobre a testemunha-chave para a formalização da denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro no esquema das rachadinhas.

Do DCM – Luiza Sousa Pães é uma das investigadas e resolveu contribuir com o Ministério Público. Em 2011, ela foi nomeada assessora parlamentar de Flávio. Vizinha de Fabrício Queiroz, ela foi transferida 8 meses depois para a TV ALERJ.

O departamento em que ela passou mais tempo foi o de planos e orçamentos, no qual ela passava parte do salário para Queiroz. Ela transferiu R$ 155 mil reais e ficava com no máximo R$ 800 reais. Isso ocorreu durante aproximadamente 5 anos do suposto trabalho, pois ela era funcionária fantasma e não era a única.

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público foi apontado que, além de Luiza, outros 11 assessores de Flávio transferiam parte do salário para Queiroz.

Esses assessores eram parte da ‘núcleo executivo’ do esquema. Queiroz e Miguel Angelo Braga Grilo, chefe do gabinete de Flávio desde a Assembleia do Rio, faziam do ‘núcleo operacional’. Só depois, segundo a denúncia, é que esses valores chegaram para Flávio Bolsonaro, do ‘núcleo político’.

Para não deixar rastros, os assessores sacavam o dinheiro e depois faziam depósitos em pequenas quantias. Segundo a denúncia, o esquema movimentou R$ 6 milhões ao longo de 11 anos.

Ainda segundo o MP, Flávio e a esposa usaram o dinheiro para viagens, pagar contas e até comprar apartamentos. Eles gastaram quase R$ 1 milhão a mais do que receberam entre 2010 e 2014. O dinheiro não entrava nas contas do casal para tentar despistar as autoridades.

Para provar que Luiza e os outros assessores eram funcionários fantasmas foram utilizados dados dos celulares, que apontaram que eles raramente apareciam na ALERJ.

No celular de Luiza, foram encontradas mensagens trocadas com o pai, que foi homenageado por Queiroz e com quem ele jogava bola, nas quais ambos mostravam preocupação quanto às investigações sobre o esquema.

Certa vez, Luiza foi chamada para preencher o ponto na ALERJ, mas o pai a orientou a não ir.

Luiza só compareceu na ALERJ 3 vezes – em uma delas para fraudar as folhas de ponto de 2017 a pedido de Queiroz, em 24 de janeiro de 2019, para tentar despistar as investigações.

Após vir a público que o sigilo bancário de várias pessoas ligadas a Flávio foi quebrado, Luiza decidiu colaborar com o Ministério Público contando tudo que sabia sobre o esquema das rachadinhas.

Na denúncia formal estão provas levantadas ao longo de 2 anos de investigações e, que, segundo o MP, mostram os desvios de dinheiro, a existência de funcionários fantasmas e uma série de outros elementos que apontam Flávio Bolsonaro como chefe de uma organização criminosa dentro da ALERJ.

Além de Flávio, Fabricio e Luiza são investigadas mais 14 pessoas, entre elas: a mulher e a mãe do ex-PM Adriano da Nobrega, acusado de comandar um grupo de extermínio, de ter ligação com a milícia e morto em operação policial na Bahia.

Na denúncia, ele é apontado como membro da suposta organização criminosa e teria feito repasses que chegaram a R$ 400 mil para Queiroz.

Se a denúncia for aceita, eles vão se tornar réus e podem responder por lavagem de dinheiro, organização criminosa e peculato, que é o desvio de dinheiro público. As penas podem chegar até 12 anos de prisão.

Além das penas, o MP também pede que ao termino do processo, Flávio Bolsonaro perca o cargo, pediu também o apartamento em que ele mora no Rio e o pagamento de R$ 6,1 milhões pelo dinheiro desviado dos cofres públicos.

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